Mato Grosso
Viabilizado por parcerias, livro sobre biodiversidade do Parque Estadual do Xingu ajudará a construir políticas públicas

O livro “Parque Estadual do Xingu: biodiversidade, recursos naturais, importância ecológica e socioambiental”, um trabalho de extensa pesquisa sobre a biodiversidade da Unidade de Conservação, foi viabilizado pela parceria do Governo Estadual, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Sema-MT) e diversas instituições. A obra foi lançada oficialmente nesta sexta-feira (19.9).
O secretário de Estado de Meio Ambiente em exercício, Alex Marega, agradeceu e destacou o trabalho de todos os envolvidos no trabalho.
“Esta obra é fruto de parcerias estratégicas entre Sema, Universidade Federal de Mato Grosso, instituições e pessoas envolvidas com a questão ambiental, servidores, professores, pesquisadores e alunos universitários. Fazer gestão de uma unidade de conservação é um desafio. É muito importante fazer pesquisas e aprimorar conhecimento de potenciais biológicos, humanos e sociais que ajudam a construir políticas públicas”.
A parceria com a Sema em torno das discussões para conhecimento da biodiversidade da Unidade de Conservação foi fundamental, afirmou o pró-reitor de pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Bruno Araujo,
“Eu gosto muito de participar de eventos como esse, de lançamento do livro deste Parque tão importante que é o do Xingu, porque é a ponta final de um processo que envolve muitos anos de pesquisa. É um trabalho que exige tempo, investimento e muita dedicação inclusive para viabilizar políticas públicas de conservação dos nossos biomas”.
O diretor do Instituto Nacional de Pesquisa do Pantanal, Leandro Battirola, também reforçou que a publicação do livro só foi possível devido a parceria entre as instituições.
“Se nós enquanto pesquisadores e professores quiséssemos elaborar uma obra dessa sem o apoio da Sema seria inviável, da mesma forma que eu vejo que a Sema sem o apoio de quem está próximo da Unidade também seria impossível. A integração dos nossos esforços é fundamental para a conservação da nossa biodiversidade”.
O trabalho de pesquisa do livro em torno das características, fauna e flora do Parque Estadual do Xingu foi apresentado pelo professor da UFMT, Domingos de Jesus Rodrigues. O professor e pesquisador ressaltou na sua apresentação o compromisso com a sociedade mato-grossense sobre as questões ambientais e o aporte oferecido pelo governo do Estado, por meio da Sema, por se tratar de um parque muito distante e de difícil acesso.
A coordenadora de Unidades de Conservação da Sema, Ana Paula Santana, falou sobre a grandiosidade do trabalho, que foi resultado de cinco anos de pesquisa e envolveu 37 instituições e 162 pesquisadores.
“É uma alegria estar aqui participando do lançamento deste livro, um trabalho desenvolvido a muitas mãos e com aporte financeiro do programa ARPA, além do próprio Estado. As pesquisas no parque vão trazer conhecimento da biodiversidade local e a capacitação de muitos alunos que participaram da pesquisa, além de informações que subsidiarão políticas públicas”.
Livro
A obra aborda a importância ecológica e histórica da Unidade de Conservação e foi viabilizada por meio de um Termo de Cooperação Técnica, firmado com a UFMT para realizar pesquisas em Unidades de Conservação como forma de aprimorar conhecimentos e auxiliar na confecção e atualização do Plano de Manejo. A publicação contou com o apoio do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa).
Entre as novidades presentes na publicação estão espécies registradas pela primeira vez na fauna em Mato Grosso como samambaias e orquídeas. Esta última apresentou também registros inéditos na região do Centro Oeste.
Na fauna local além das espécies de formigas, que foram registradas pela primeira vez no estado, destaque também para a grande diversidade de borboletas, sendo que entre 2021 e 2023 foram registradas 1517 indivíduos pertencentes a 151 espécies. O parque possui ainda uma variedade de mamíferos de médio e grande porte e diversas espécies de peixes.
Parque Estadual do Xingu
O Parque Estadual do Xingu está localizado no município de Santa Cruz do Xingu, no nordeste de Mato Grosso. A Unidade de Conservação foi criada pelo Decreto Estadual nº 3585, de 7 de dezembro de 2001 e teve seus limites alterados através da Lei Estadual nº 8.054, de 29 de dezembro de 2003, passando a abranger uma área total de 95.024,84 hectares.
Fonte: Governo MT – MT
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Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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