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Cinco diferenciais do live commerce para as marcas que abraçam a transformação digital

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Interagir com os consumidores em tempo real, demonstrar os produtos em profundidade e muito mais: entenda o passo além que essa plataforma proporciona para as vendas online

Monique Lima

As circunstâncias do último ano, com restrições para a abertura de diversos setores do comércio e para a circulação das pessoas, levaram uma grande parcela do público a experimentar e aderir ao e-commerce. Afinal, a necessidade e a vontade de ter eletrônicos, roupas e acessórios novos não deixaram de existir devido à falta de lojas físicas abertas.

A praticidade de comprar e receber seus produtos em casa é realmente um alento nos tempos de pandemia que estamos vivendo. Mas, ao mesmo tempo, é uma experiência solitária para o comprador, a quem só resta confiar em informações técnicas descritas na tela, e incompleta para a marca, que na maioria das vezes não recebe um feedback, seja ele positivo ou negativo, de quem visitou seu site.

Atentas a isso, eu e minha sócia criamos a Mimo Live Sales, uma plataforma de live commerce – ou shopstreaming – em que a tradicional interação das lives é a alavanca para as vendas em tempo real. É bem simples: os consumidores entram na live, assistem à apresentação de produtos, tiram suas dúvidas e, efetuam suas compras na mesma hora.

O principal atrativo, é a possibilidade das marcas escalarem suas vendas e receberem em suas lojas, digitalmente, uma quantidade de potenciais clientes por hora que não seria possível presencialmente – estou falando de algo que varia entre 100, 1000 e 10.000 mil pessoas simultaneamente.

Em um ano de experiência, já coletamos muitos dados com essa dinâmica. E passamos essas informações para nossos clientes, por meio de consultoria e de relatórios com dados coletados na live. Quero listar os cinco diferenciais mais importantes do live commerce que observei em mais de 80 lives que já realizamos. São dicas que podem ser o up que a sua marca está precisando no universo digital neste momento.

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1) Interação em tempo real entre consumidores e marca

Pelo chat do live commerce, o consumidor tem a chance de fazer perguntas ao vivo sobre os produtos e, com base nas respostas, tomar sua decisão de compra. Se, para ele, isso elimina o risco de fazer uma compra “furada”, para a marca, essa interação significa um feedback imediato sobre seus produtos. Em um live commerce de roupas que realizamos, muitos consumidores pediram para ver o forro das roupas, porque não existiam fotos disso no e-commerce. Resultado: a marca acabou reformulando seu site de vendas depois do nosso evento virtual. O valor de aprendizado daquela experiência foi imensurável. Outro dado interessante é o baixo percentual de trocas, como a compra é muito mais assertiva, tivemos apenas 12 trocas nas mais de 80 lives que fizemos.

2) Demonstração de produtos em profundidade

Durante uma live commerce, é possível demonstrar os produtos com uma profundidade que não existe no e-commerce. Há a possibilidade de exibi-los por ângulos diferentes, mostrar como eles funcionam ou como se encaixam no cotidiano das pessoas. Até uma consultoria de moda tem espaço nesse modelo, com indicações de como usar ou combinar peças da marca. Conseguimos entrar em um layer muito mais profundo e específico à demanda do consumidor.

3) Experiências consumer first

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As experiências no live commerce são consumer first, ou seja, dão protagonismo ao consumidor ao levar o que está à venda para o pessoal e explorar a utilização do produto no dia-dia. Por exemplo, um mesmo vestido em tons pastel pode servir para uma cliente ir a um batizado e outra, a uma festa de aniversário. Quem precisa comprar um computador tem informações assertivas de acordo com suas necessidades (como memória para fazer apresentações ou espaço para vídeos). Cada pessoa, por meio de suas perguntas, tem uma experiência única. E o melhor: outras que estiverem assistindo podem aproveitar para elas próprias as respostas e dicas, mesmo sem interagir diretamente.

4) Possibilidade de mobilidade

Um celular é o suficiente para realizar um live commerce. Assim, a marca pode levar o consumidor para “passear” em seu habitat: uma marca de biquínis pode realizar sua demonstração na praia, enquanto outra, de aventura, pode fazer isso em uma trilha. Produtos podem ser enviados para a casa de um influencer. As possibilidades são inúmeras! O importante é construir um conteúdo bem planejado. Se temos uma hora para impressionar enquanto o consumidor compra, vamos fazer o melhor que podemos.

5) Conteúdo aliado às vendas

No live commerce, assim como na comunicação de marca de maneira geral, é importante entreter mais e interromper menos. Para nós, da Mimo, um atributo muito importante é trazer conteúdo, conversa e informação para cada experiência. A pessoa vem pela live e fica pelo shop com uma experiência de Shoptainment (conteúdo + vendas). Estamos dando os primeiros passos do live commerce no Brasil, temos que diminuir a curva de aprendizado do consumidor. E qual maneira melhor para trazer as pessoas do que entretenimento? Hoje trazemos todos esses learnings que temos para as marcas oferecendo um full service para nossos clientes.

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Ajudamos a marca a escolher os melhores influencers para a apresentação da live, a definir o melhor horário, a criar o melhor roteiro. Temos um time altamente qualificado de experts em live commerce que acompanham fisicamente cada live e ensinam e treinam as marcas. É praticamente um workshop. A ideia é escalar o conhecimento e democratizar o live commerce.

O live commerce traz muito mais para a marca do que apenas a venda. A marca não só converte na hora como utiliza essa experiência e seus feedbacks imediatos depois, como insumo para seus negócios. Os valores da relação criada entre marca e consumidor e da informação adquirida são muito maiores do que os das vendas em si.

Monique Lima é CEO da Mimo Live Sales, plataforma pioneira no segmento de live commerce no Brasil. Liderada por mulheres. A startup tem DNA 100% nacional e visão estratégica sobre variados aspectos relacionados a comportamento de consumo, inovação no varejo e tecnologia. Com um ano de experiência, já foram realizadas mais de 80 lives, contabilizando mais de 100 mil acessos. Entre os clientes atendidos estão Johnson&Johnson, Grey Goose, FOM, L’Occitane, Ri Happy, Dermage, Imaginarium e Givenchy.

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Saúde mental: urgência pública que exige ação e acolhimento

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*Irajá Lacerda

A saúde mental deixou de ser uma preocupação silenciosa e se consolidou como uma das grandes urgências públicas do Brasil. Em 2025, a Previdência Social concedeu o impressionante número de 546.254 benefícios por incapacidade temporária devido a transtornos mentais e comportamentais, o que representa uma alta de 15,66% em relação ao ano anterior. Transtornos ansiosos e episódios depressivos lideram os afastamentos, revelando um país emocionalmente adoecido.

O cenário nacional dialoga com os dados mais recentes da Organização Mundial da Saúde, divulgados no final 2025, que apontam que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais no mundo. A OMS também estima que depressão e ansiedade custem à economia global cerca de US$ 1 trilhão por ano em perda de produtividade. Essa realidade ganhou ainda mais atenção no Brasil com a atualização da NR-1, que passou a incluir os fatores de risco psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, reforçando que a pressão no ambiente de trabalho e o esgotamento profissional exigem prevenção, responsabilidade e acolhimento.

Esses números não são apenas estatísticas. Por trás de cada linha há uma mãe exausta, um trabalhador no limite ou um jovem sofrendo em isolamento. Dados oficiais do IBGE em 2026, por meio da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), revelam que cerca de três em cada dez estudantes entre 13 e 17 anos relataram sentir tristeza frequente, 18,5% disseram sentir que a vida “não vale a pena ser vivida” e 32%  afirmaram ter sentido vontade de se machucar de propósito.

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O impacto vai além do ambiente escolar: estudos do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM) apontam que o tratamento de jovens com transtornos mentais chega a comprometer metade da renda das famílias na busca por apoio. O cenário exige que família, escola, assistência social e saúde atuem de forma integrada para acolher crianças e jovens antes que a dor vire tragédia.

Em Mato Grosso, esse desafio também precisa ser encarado de frente. Em 2025, o estado registrou 5.556 afastamentos temporários por transtornos mentais e comportamentais, segundo a Previdência Social. Não adianta ostentarmos indicadores econômicos grandiosos se as nossas famílias sofrem desamparadas, sem acesso adequado a psicólogos, psiquiatras e tratamento contínuo. O desenvolvimento econômico perde o sentido se não vier acompanhado da dignidade humana.

Para mudar essa realidade no nosso estado, a ação precisa ser descentralizada. É urgente expandir os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) para o interior, garantindo que o morador de qualquer município tenha o mesmo direito ao cuidado que quem vive na capital. Além disso, precisamos estruturar programas de apoio emocional permanentes dentro das escolas estaduais, capacitando professores para identificar os primeiros sinais de crise em crianças e adolescentes, e criar parcerias com o setor privado para aplicar a NR-1 de forma humana e acolhedora.

Cuidar de pessoas significa olhar para aquilo que as grandes obras e os discursos políticos tradicionais ignoram. É enxergar a dor de quem não consegue pedir socorro e garantir que o orçamento público priorize a vida. O Brasil e Mato Grosso precisam transformar a saúde mental em prioridade absoluta. Uma sociedade só é verdadeiramente rica e desenvolvida quando protege sua gente, oferecendo a cada cidadão a oportunidade e o amparo necessários para viver bem e com dignidade.

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*Irajá Lacerda é ex-secretário executivo do Ministério da Agricultura e Pecuária e ex-presidente da Comissão de Direito Agrário da OAB-MT

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Governança jurídica: empresas fortes dependem de segurança institucional

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DAUTO PASSARE

Empresas não crescem apenas por eficiência operacional ou capacidade financeira. Crescem porque conseguem planejar — e o planejamento depende de estabilidade institucional, previsibilidade regulatória e segurança jurídica.

O desenvolvimento econômico está diretamente ligado à confiança que empresários e investidores possuem nas instituições. Quando as regras mudam constantemente, os contratos se tornam inseguros e o ambiente regulatório é instável, o impacto atinge toda a economia.

O Brasil ainda convive com elevada complexidade jurídica, excesso de judicialização e insegurança tributária. Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que o país mantém dezenas de milhões de processos em tramitação, refletindo um cenário de intensa litigiosidade.

Nesse contexto, a governança jurídica deixou de ser apenas uma função técnica e passou a ocupar posição estratégica dentro das empresas.

Empresas sólidas dependem de estruturas capazes de prevenir riscos, organizar relações societárias, garantir segurança contratual e antecipar conflitos regulatórios e tributários.

A advocacia contemporânea exerce justamente esse papel: não apenas atuar em crises já instaladas, mas contribuir para a construção de estabilidade e segurança dentro das organizações.

A ausência de segurança jurídica produz efeitos silenciosos, mas profundos: investimentos são adiados, projetos deixam de avançar e o custo operacional aumenta.

Por outro lado, ambientes institucionalmente estáveis favorecem crescimento sustentável, inovação e expansão econômica.

No agronegócio e no setor empresarial, especialmente, previsibilidade regulatória e segurança contratual tornaram-se elementos indispensáveis para o desenvolvimento dos negócios.

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Mais do que uma questão técnica, a segurança jurídica é hoje um ativo econômico.

Empresas fortes precisam de instituições fortes — e a advocacia estratégica tem papel fundamental na construção desse ambiente de estabilidade e confiança.

*é advogado, professor universitário e sócio-fundador do escritório Passare Advocacia em Cuiabá

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Pejotização da medicina: o lucro de poucos e a precarização da profissão médica

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Dr. Adeildo Lucena

A medicina brasileira atravessa uma das maiores transformações da sua história profissional. O que antes era uma carreira associada à estabilidade, autonomia técnica e valorização social vem sendo substituído por um modelo de contratação marcado pela precarização, insegurança jurídica e perda de direitos. O nome desse processo é pejotização.

Hospitais, clínicas, organizações sociais e grandes grupos privados de saúde passaram a substituir vínculos formais por contratos de pessoa jurídica (PJ), obrigando médicos a abrirem empresas para poder trabalhar. Na prática, muitos profissionais continuam submetidos à mesma rotina de um empregado comum — com escala fixa, subordinação, metas e plantões obrigatórios —, mas sem férias, sem 13º salário, sem FGTS, sem licença médica e sem aposentadoria adequada.

A chamada “flexibilização” virou, na realidade, um mecanismo de redução de custos para o sistema privado de saúde.

Dados recentes mostram a dimensão desse fenômeno. Estudo citado por pesquisadores da FGV aponta que a pejotização no Brasil já provocou perdas entre R$ 89 bilhões e R$ 144 bilhões aos cofres públicos desde a reforma trabalhista de 2017. A diferença ocorre porque trabalhadores contratados como PJ recolhem muito menos tributos e contribuições previdenciárias do que empregados regidos pela CLT.

O próprio  Conselho Federal de Medicina reconheceu que empresas utilizam a pejotização para economizar recursos, transferindo riscos aos profissionais e comprometendo as condições de trabalho. Durante debate nacional promovido pelo CFM, representantes da medicina do trabalho alertaram que médicos terceirizados vêm sendo colocados para exercer funções fora de suas atribuições e sem garantias mínimas de proteção profissional.

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Ao mesmo tempo, o Brasil vive uma explosão no número de profissionais. A pesquisa “Demografia Médica 2025”, conduzida pela Faculdade de Medicina da USP em parceria com o Ministério da Saúde e a Associação Médica Brasileira, aponta que o país já ultrapassou a marca de 635 mil médicos ativos, com previsão de crescimento contínuo nos próximos anos.

Esse aumento da oferta de mão de obra, somado à expansão agressiva de grandes conglomerados privados da saúde, criou um ambiente de forte pressão econômica sobre os médicos, especialmente os mais jovens. Muitos recém-formados entram no mercado já obrigados a abrir CNPJ antes mesmo do primeiro plantão.

Sem direitos trabalhistas, milhares de médicos enfrentam jornadas exaustivas, insegurança previdenciária e ausência completa de estabilidade. Há profissionais trabalhando anos seguidos sem férias remuneradas, sem cobertura em caso de afastamento por doença e sem qualquer proteção em situações de maternidade ou incapacidade laboral.

O problema ultrapassa a questão corporativa. A pejotização também afeta diretamente a qualidade da assistência prestada à população.

A lógica empresarial da redução de custos transforma o médico em mera peça operacional dentro de uma cadeia financeira controlada por grupos econômicos. O profissional passa a viver sob pressão de produtividade, metas de atendimento e redução do tempo de consulta. A medicina perde seu caráter humanizado e se aproxima perigosamente de um modelo industrial.

Os grandes grupos econômicos lucram. Os planos de saúde ampliam faturamento. As organizações privadas reduzem encargos. Mas o médico perde segurança, perde autonomia e perde dignidade profissional.

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O mais grave é que esse modelo vem sendo naturalizado.

Criou-se uma falsa ideia de que direitos trabalhistas seriam privilégios ultrapassados. Não são. São garantias mínimas de proteção humana e profissional.

Defender relações de trabalho dignas não significa negar novas formas de contratação. Significa impedir abusos e preservar condições mínimas para o exercício ético da medicina.

O Sindicato dos Médicos de Mato Grosso entende que o debate sobre a pejotização precisa deixar os bastidores jurídicos e ganhar dimensão pública. A sociedade precisa compreender que precarizar o trabalho médico também significa fragilizar o atendimento à população.

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