Nacional
PSL pede que ‘quociente individual’ seja esquecido para aumentarsua bancada

Partido de Jair Bolsonaro, o PSL ainda tenta ter o maior número de deputados federais a partir de 2019 mesmo após as eleições. A sigla recorreu ao Supremo Tribunal Federal com o pedido de que o ‘quociente individual’ imposto a partir de 2015 não seja levado em conta. Desta forma, ela conseguiria novas cadeiras na Câmara, já teve eleitos recordistas de votos em diversos Estados da federação.
Nas eleições de 2018, o PSL conseguiu 52 cadeiras na Câmara, sendo o segundo partido com mais representantes. O PT que já é a maior bancada atual, será representado por 56 deputados a partir do ano que vem.
Em sua argumentação, o Partido Social Liberal pede que o STF interfira para que a regra de eleitos à Câmara seja a mesma da última eleição (2014), quando o chamado se era levado apenas o quociente eleitoral, sem que o eleito tivesse um número mínimo de votos.
Diante do chamado “efeito Tiririca” em 2014, que teve mais de 1 milhão de votos e com isso ‘arrastou’ mais quatro deputados do PR à Câmara, em 2015 foi proposto e aprovado no Congresso o chamado ‘quociente individual’, que obriga que o eleito tenha, ao menos, 10% do quociente eleitoral para poder assumir uma das cadeiras.
A grande votação de Tiririca dois anos seguidos (2010 e 2014) fez com que os deputados pensassem em alternativas para que “candidatos artistas” não tivessem tanta influência na formação do Congresso.
Mais do que 52 candidatos entre os primeiros colocados das eleições nos estados, o partido de Bolsonaro conseguiu recordistas de votos. Em São Paulo, por exemplo, Eduardo Bolsonaro recebeu mais de 1,8 milhões de votos, sendo o parlamentar mais escolhido da história do País. A segunda colocada, Joice Hasselmann, do mesmo partido, teve mais de 1 milhão de votos também.
No Rio de Janeiro, estado em que Jair Bolsonaro construiu sua carreira política, Hélio Lopes, do Partido Social Liberal, ficou em primeiro lugar, com mais de 345 mil votos.
O pedido inicial para que o ‘quociente individual’ não fosse levado em conta nas eleições de 2018 data de março de 2018e foi feito pelo partido Patriotas. Em novembro deste ano, com os resultados das urnas já conhecidos, a sigla de Bolsonaro pediu autorização para fazer parte do processo. Agora, pede urgência ao relator do caso no Supremo, ministro Luiz Fux, dada a proximidade de início da próxima legislatura.
Fux pode tomar a decisão sozinho ou resolver levar o caso para votação em Plenário do STF. Neste caso, os 11 ministros votariam se o ‘quociente individual’ tem que ser levado em conta ou não.
Entenda o que é o quociente eleitoral e o pedido do PSL

Nilson Bastian/ Câmara dos Deputados
Criado visando dar mais transparência e justiça na formação do legislativo, o quociente eleitoral é um método levado em conta para distribuir o número de cadeiras a cada partido em uma Assembleia ou Câmara de Deputados.
Segundo o Artigo 106 do Código Eleitoral Brasileiro, “determina-se o quociente eleitoral dividindo-se o número de votos válidos apurados pelo de lugares a preencher em cada circunscrição eleitoral, desprezada a fração se igual ou inferior a meio, equivalente a um, se superior”.
Com a criação da chamada Cláusula de Barreira, ou ‘quociente individual’, o artigo 108 passou a deliberar que “estarão eleitos, entre os candidatos registrados por um partido ou coligação que tenham obtido votos em número igual ou superior a 10% do quociente eleitoral, tantos quantos o respectivo quociente partidário indicar, na ordem da votação nominal que cada um tenha recebido”.
Ou seja, não basta apenas que o partido tenha conseguido determinado número de cadeiras. Para que elas sejam preenchidas por parlamentares filiados, é necessário que estes tenham obtido votos suficientes ao correspondente de 10% do quociente eleitoral.
Em São Paulo, por exemplo, 21.104.181 eleitores escolheram um candidato para deputado federal, ou seja, deram o chamado voto válido. Como o Estado tem direito a 70 vagas na Câmara, o quociente eleitoral de um partido ou coligação foi de 301.488 votos. Desta forma, apenas Eduardo Bolsonaro, que teve 1.843.735, conseguiu seis cadeiras para sua coligação (PSL-PRTB).
Joice Hasselmann, que obteve 1.078.666, outras quatro cadeiras. Somados os votos de outros eleitos pelo partido (Alexandre Frota, Luiz Philippe de Orleans e Bragança, Coronel Tadeu, Junior Bozzella, Carla Zambelli, General Peternelli, Abou Anni e Guiga Peixoto), este número cresce ainda mais.
O PSL argumenta ao STF que “a quantidade de deputados será proporcional à votação obtida pelo partido, independente do número de votos recebidos por cada candidato”.
No pedido ao STF, o partido não informa quantos parlamentares a mais o partido colocará na Câmara em caso de mudança na lei eleitoral. Como o ‘quociente individual’ está relacionado ao quociente eleitoral, ele é diferente de Estado para Estado, já que a quantidade de eleitores influencia nos números.
PSL é o partido que mais cresceu no Brasil

Reprodução/Câmara dos Deputados
Impulsionado pela popularidade de Jair Bolsonaro, a sigla 17 foi a que mais cresceu no Brasil, saltando de um único eleito em 2014 (Luciano Bivar, de Pernambuco) para 52 em 2018. A tendência é de que o PSL ainda consiga mais filiados na Câmara, já que eleitos por partidos que não ultrapassaram a Cláusula de Barreira e que possuem pensamento semelhantes ao próximo governo devem se juntar.
Para conseguir tantas cadeiras, o PSL acabou diminuindo a força de siglas tradicionais da história democrática brasileira, como PSDB, que caiu de 54 eleitos em 2014 para 29 em 2018, MDB, que de 65 foi para 34, além do PT, que apesar de se manter com a maior bancada, irá de 69 para 56 parlamentares.
Nacional
Comissão aprova proposta para consórcios municipais de inovação

A Comissão de Ciência e Tecnologia e de Inovação da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4076/25, do deputado José Medeiros (PL-MT), que autoriza municípios a celebrar convênios intermunicipais e contratar consórcios públicos para viabilizar projetos de tecnologia e inovação.
O texto altera a Lei de Inovação (Lei 10.973/04) para permitir que prefeituras se associem no desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores. A medida busca facilitar o acesso de municípios, principalmente os de menor porte, a soluções tecnológicas.
A Lei de Inovação já permite que entes da Federação formem alianças estratégicas para o desenvolvimento de inovações. Essas parcerias podem contemplar redes e projetos internacionais de pesquisa tecnológica, ações de empreendedorismo e criação de ambientes de inovação, como incubadoras e parques tecnológicos.
Medeiros afirmou que municípios de menor porte têm dificuldades para desenvolver projetos de inovação pela falta de recursos, escala e expertise. Segundo ele, é comum a contratação separada de empresas de consultoria, apesar de as carências serem compartilhadas por várias prefeituras. “Devido a essa falta de integração, há uma dificuldade muito grande para que essas unidades federativas possam identificar, contratar, desenvolver e incorporar serviços e produtos inovadores”, disse.
Aliança estratégica
O texto foi aprovado com alteração do relator, deputado Lucas Ramos (PSB-PE), para reforçar que os convênios e consórcios servem para viabilizar alianças estratégicas e desenvolvimento de projetos cooperativos. “A redação proposta reforça a segurança jurídica e a clareza do comando normativo, sem alterar o mérito da iniciativa, mas aprimorando sua aderência ao ordenamento vigente e sua aplicabilidade prática”, afirmou.
Para Ramos, a proposta dialoga diretamente com a necessidade de fortalecimento das capacidades institucionais locais, especialmente nos municípios de menor porte, por meio da atuação em rede e do compartilhamento de recursos, competências e infraestrutura.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada por Câmara e Senado.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados
Nacional
Comissão pode votar regulamentação do trabalho por aplicativo; conheça a proposta

A comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a regulamentação dos serviços de transporte e entrega por aplicativo no país poderá votar, na próxima terça-feira (14), o parecer do relator, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), ao Projeto de Lei Complementar 152/25, do deputado Luiz Gastão (PSD-CE).
Em relação à primeira versão, de dezembro de 2025, o novo parecer publicado no último dia 7 de abril enfatiza ainda mais o caráter autônomo do trabalho e redefine a abrangência e o peso de certas obrigações. Segundo Coutinho, as mudanças refletem o resultado dos debates e o empenho por um consenso que permita a aprovação da matéria.
“O novo substitutivo materializa o esforço de buscar um texto politicamente viável que, ao mesmo tempo, mantenha conquistas importantes para os trabalhadores”, diz o relator no parecer.
A nova versão consolida o termo “trabalhador autônomo plataformizado”, reforçando que a relação intermediada pela plataforma não cria vínculo empregatício entre o trabalhador e a empresa ou o usuário.
O texto deixa claro o direito do trabalhador de gerenciar livremente seu tempo e de se cadastrar em múltiplas plataformas. Proíbe também metas de tempo mínimo de trabalho e punições para quem recusar serviços ou ficar offline.
Entre outras alterações, o substitutivo foca apenas no transporte de passageiros e em entregas de bens, eliminando a categoria genérica de “outros serviços” via plataformas; e exclui diversos dispositivos relacionados aos direitos dos usuários, remetendo, nesses casos, ao Código de Defesa do Consumidor.
Pontos de apoio e infraestrutura para motoristas, que eram direitos garantidos na primeira versão do parecer, passam a ser “diretriz de política pública” na nova versão, que prevê instalação gradual e sem exigência imediata.

A nova versão estrutura as regras nos seguintes eixos centrais:
Previdência Social
- Trabalhador autônomo plataformizado: é segurado obrigatório na categoria de contribuinte individual. Paga 5% sobre o salário de contribuição, que corresponde a 25% de sua remuneração bruta mensal.
- Plataformas: a regra geral é o recolhimento de 20% sobre a mesma base de cálculo (os 25% da remuneração bruta do trabalhador).
- Modelo alternativo: as plataformas podem optar por contribuir com 5% sobre a receita bruta obtida no mercado brasileiro.
Ganhos, taxas e remuneração
- Natureza dos ganhos: os ganhos do trabalhador são divididos em duas partes:
- 25% são considerados renda (base para impostos e Previdência)
- 75% servem para cobrir custos, como combustível e manutenção
- Taxas de retenção: as plataformas podem cobrar uma taxa mensal fixa ou taxas por serviço. No caso de taxas por serviço, a média não pode ultrapassar 30% (ou 15% em modelos híbridos com taxa mensal). O cálculo deve ser feito de forma individualizada a cada sete dias.
- Remuneração para entregas:
- por serviço — piso de R$ 8,50 para trajetos de até 3 km (automóvel) ou até 4 km (moto, bicicleta ou a pé).
- Por tempo trabalhado — valor não inferior ao proporcional a dois salários-mínimos por hora efetivamente trabalhada (contada do aceite à entrega).
Gorjetas e promoções: as gorjetas devem ser repassadas integralmente e não integram a remuneração bruta. Descontos e promoções oferecidos pela plataforma aos usuários não podem ser descontados do trabalhador ou usados para abater o limite das taxas.
Benefícios adicionais
- Benefícios fiscais: isenção de IPI e IOF na compra de carros e motocicletas nacionais para profissionais que comprovem ao menos 2.000 horas de serviço nos últimos 12 meses.
- microempreendedor: motoristas enquadrados como trabalhadores autônomos plataformizados não podem ser microempreendedores individuais (MEI).
Foram excluídos da nova versão benefícios como a gratificação de 30% em dezembro, os adicionais para trabalho noturno, domingos e feriados, e a possibilidade de formação de reserva (poupança) custodiada pela plataforma.
Trabalho, segurança e transparência
- Justiça: compete à Justiça do Trabalho julgar casos envolvendo os contratos dos trabalhadores autônomos plataformizados.
- Seguro: obriga as plataformas a contratarem seguro de vida e integridade física com capital mínimo de R$ 120 mil.
- Transparência: assegura aos motoristas direito de receber relatórios detalhados (por serviço e consolidados a cada 30 dias) com valores, taxas e retenções. Decisões automatizadas sensíveis (como bloqueios) devem ser passíveis de revisão humana.
- Dever de Diligência: obriga as empresas a prevenirem cadastros falsos e garantirem a identidade real do trabalhador.
Regras para punições
- Contratos: exige contrato escrito e claro definindo prazos, formas de remuneração, obrigações de conduta e critérios para distribuição de ofertas de serviços.
- Bloqueios e suspensões: antes de suspender, bloquear ou punir trabalhadores, as plataformas devem prever sanções em contrato, notificar o trabalhador dos fatos, conceder prazo para defesa e decidir apenas após avaliá-la — proibindo cláusulas genéricas e vagas.
Por fim, foram removidos na nova versão o limite de jornada de 12 horas, o tempo mínimo de 15 segundos para aceite, o botão de pânico obrigatório no aplicativo e o direito de mulheres atenderem apenas mulheres.
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Geórgia Moraes
Fonte: Câmara dos Deputados
Nacional
Nutricionistas pedem jornada de 30 horas e piso salarial em audiência na Câmara

Em debate realizado na Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados na terça-feira (7), representantes dos nutricionistas defenderam a aprovação do Projeto de Lei 6819/10, que prevê jornada de 30 horas semanais e piso salarial nacional para a categoria.
A audiência pública foi solicitada pela deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) e reuniu representantes do governo, conselhos profissionais e sindicatos para discutir as condições de trabalho dos nutricionistas. Os participantes relataram condições precárias de trabalho e defenderam mudanças na legislação para valorizar a categoria.
A diretora da Federação Nacional dos Nutricionistas, Ana Paula Mendonça, afirmou que o projeto aguarda votação no plenário após receber apoio para tramitação mais rápida.
“Um nutricionista valorizado é um profissional mais presente, motivado e capaz de oferecer à população um cuidado mais qualificado”, disse.
A deputada Sâmia Bomfim afirmou que valorizar esses profissionais pode reduzir gastos públicos ao prevenir doenças no Sistema Único de Saúde (SUS).

Precarização e pejotização no setor
A presidente do Sindicato dos Nutricionistas do Estado de São Paulo, Maria da Consolação Machado, relatou condições precárias de trabalho.
Segundo ela, há casos de desvio de função, com profissionais que chegam a realizar tarefas de limpeza. Também há registros com cargos genéricos para evitar o pagamento do piso da categoria.
Outro problema apontado foi a contratação como pessoa jurídica (pejotização) e a informalidade.
Representante do Ministério da Saúde, Lívia Angeli Silva informou que mais de 50% dos vínculos de nutricionistas no setor de saúde são informais.
Segurança alimentar
As participantes afirmaram que a nutrição é essencial para a segurança alimentar.
A conselheira do Conselho Regional de Nutrição da 3ª Região, Jozelma Rodrigues dos Santos, destacou a atuação desses profissionais em áreas como alimentação escolar e atendimento em unidades de terapia intensiva.
A presidente do Conselho Federal de Nutrição, Manuela Dolinsky, apresentou dados sobre a categoria:
- entre 93% e 95% dos profissionais são mulheres;
- o Brasil tem cerca de 270 mil nutricionistas e 21 mil técnicos;
- no SUS, atuam mais de 35 mil nutricionistas, número considerado insuficiente.
Apoio do governo
O representante do Ministério do Trabalho e Emprego, Miqueias Freitas Maia, disse que o ministério não se opõe à limitação da jornada e ao piso salarial.
Ele informou que a revisão da norma sobre insalubridade está prevista para 2027 e que o governo acompanha riscos psicossociais e casos de assédio no trabalho.
Ao final da audiência, a deputada Erika Kokay (PT-DF) sugeriu a criação de uma frente parlamentar em defesa dos nutricionistas.
A proposta é dar caráter suprapartidário ao tema e acelerar a análise de projetos, como o que permite a solicitação de exames laboratoriais por nutricionistas em planos de saúde.
Da Redação – GM
Fonte: Câmara dos Deputados
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