Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Artigos

O agronegócio brasileiro, mais uma vez, sob ataque

Publicado

Eduardo Berbigier

Recentemente, tive a oportunidade de participar do programa “Faroeste à Brasileira”, um importante espaço digital dedicado ao debate dos fatos sociais, econômicos e políticos do nosso país. Naquela ocasião, com a presença de jornalistas e advogados, discutimos pautas cruciais que refletem os sérios dilemas atuais do Brasil. Entre os temas, destacaram-se as tarifas de 50% impostas pelo governo do presidente Donald Trump aos produtos brasileiros, as manifestações dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) na primeira sessão do segundo semestre, e uma relevante entrevista com Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro  do STF, Alexandre de Moraes, que está em destaque na mídia. Indiciado pela Pol ícia Federal por vazar informações do gabinete, atualmente reside na Itália e ameaça revelar bastidores de suas atividades na Corte.

No entanto, o foco principal de nossas discussões recaiu sobre a atual situação do agronegócio brasileiro, setor mais direta e severamente prejudicado pelas novas tarifas implementadas pelo governo dos Estados Unidos.

Produtos brasileiros que entram nos Estados Unidos passam a pagar uma  tarifa de 50% a partir da quarta-feira (6).

A medida atinge itens de peso no agronegócio, como café, carne bovina e pescados, e deve gerar prejuízos bilionários para o Brasil — além de encarecer produtos no mercado norte-americano.

É crucial notar que, na nova rodada de taxações, apenas as cadeias do suco de laranja e das castanhas foram desoneradas. O restante dos produtos permanece sujeito à tarifa de 50%. Isso significa que, dos US$ 12 bilhões anuais que o agronegócio brasileiro exporta para os Estados Unidos, apenas uma parcela, entre 10% e 18%, será submetida a tarifas menores, enquanto a vasta maioria enfrentará a taxação máxima.

Veja Mais:  Livro fala da importância do amor próprio

Especialistas preveem que o tarifaço americano ameaça US$ 10 bilhões anuais em exportações brasileiras. Estimam-se perdas de US$ 5,8 bilhões se implementado. Setores como pescados (tilápia, com 90% das exportações aos EUA) enfrentam risco de falência, afetando empregos. Exportadores de carne antecipam perdas de até US$ 1 bilhão. Frutas (manga), café, açúcar e etanol também foram duramente atingidos.

As poucas isenções concedidas, como a do suco de laranja — que evitará uma perda significativa de cerca de R$ 3,6 bilhões (US$ 792 milhões) em exportações anuais, um alívio crucial para o setor citrícola — e dos fertilizantes minerais ou químicos, atenuam o impacto inicial em até 41%, segundo análises de consultorias. Todavia, essa “suavização” é apenas parcial, e a situação geral continua a ser alarmante para a balança comercial brasileira e para a sustentabilidade do agronegócio.

A imposição dessas tarifas é um resultado direto e inequívoco de uma grave falta de negociação por parte do governo brasileiro. O governo Trump decidiu as isenções com base em seus próprios interesses, visando proteger o consumidor e a indústria estadunidense de aumentos de preços, agindo de forma pragmática.

O peso dos EUA para o agro
Os EUA são o terceiro maior parceiro comercial do agro brasileiro, atrás da China e da União Europeia.
Produtores estimam uma perda de até US$ 5,8 bilhões caso as vendas para o país diminuam por causa do tarifaço.

Veja Mais:  URGENTE: Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais entra em vigor em poucos dias

Diferente de outros países que buscaram o diálogo e souberam defender suas posições, o Brasil, lamentavelmente, não se sentou à mesa para negociar de forma eficaz ou sequer digna, abdicando de seu papel estratégico.

Essa postura representa uma péssima lição de política externa, cujas consequências já se materializam. Não acredito que, a curto prazo, o café e outros produtos atingidos terão suas tarifas reduzidas, pois é evidente que Trump já discutiu com sua equipe econômica e incluiu no pacote o que era de interesse prioritário dos americanos, visando resultados rápidos para sua economia interna.

Não se trata de uma agressão à nossa soberania. A raiz desse problema reside, inegavelmente, na construção deteriorada da relação entre o presidente Lula e Donald Trump. Desde a eleição de Trump, observamos uma série de comentários hostis e desnecessários do presidente Lula e de membros do governo. O presidente Lula nem sequer se dignou a cumprimentar Trump após a eleição. Enviou apenas um mero ofício ao Departamento de Estado, e não diretamente ao presidente eleito. Somados a isso, os acenos contínuos à China e à Rússia e a insistente discussão sobre a moeda do BRICS, configuram pequenas, mas acumuladas, ofensas diplomáticas que claramente irri taram a administração estadunidense.

Sabemos que Donald Trump é um presidente nacionalista, priorizando os interesses de seu país e eleitores. O Brasil construiu uma relação ruim, resultando nas tarifas atuais. Reverter essa situação exige grande esforço e tempo, sem garantia de que Trump reconsiderará as sanções.

Veja Mais:  Que cuidados os sócios minoritários devem ter em fusões e cisões empresariais?

Apesar da liberação de linhas de crédito subsidiadas e antecipação de créditos acumulados de ICMS por parte de alguns estados, a grande questão é: como transformar essas medidas em alívio real para produtores e exportadores antes que a perda de competitividade se torne irreversível?

Os benefícios concedidos de forma isolada, sem integração com regimes como Reintegra e Drawback, podem ser enquadrados pela Receita Federal como subvenções vedadas, gerando aumento efetivo da carga de IRPJ e CSLL.

A urgência do cenário exige uma ação rápida e coordenada em frentes como câmbio, tributação e comércio. Sem isso, o setor pode enfrentar um efeito dominó de cancelamento de contratos, retração da produção e a perda definitiva de seu espaço no mercado norte-americano.

O agronegócio está sob ataque: enfrenta um cenário complexo, com desafios comerciais, políticos e ambientais que exigem atenção e adaptação para garantir a sustentabilidade e a competitividade do setor.

Eduardo Berbigier é advogado tributarista, especialista em Agronegócio, membro dos Comitês Juridico e Tributário da Sociedade Rural Brasileira e CEO do Berbigier Sociedade de Advogados.

Comentários Facebook

Artigos

Indústria que move sonhos e transforma vidas

Publicado

 

Por Ulana Maria Bruehmueller

Ao longo de mais de 30 anos atuando na indústria, aprendi que ela representa muito mais do que produção e resultados. A indústria movimenta sonhos, gera oportunidades e impulsiona o crescimento de inúmeras outras empresas e profissionais que fazem parte dessa grande cadeia produtiva.

Grande parte do que produzimos depende do trabalho de outras indústrias, fornecedores de matérias-primas, transportadoras, prestadores de serviços e tantos outros parceiros que caminham conosco diariamente. Por isso, quando a indústria cresce, ela gera riqueza de forma direta e indireta, fortalecendo a economia e criando oportunidades para milhares de famílias.

Da mesma forma acontece com a geração de empregos. Não falamos apenas dos postos de trabalho dentro das fábricas, mas também de todos aqueles que surgem ao redor dela. São profissionais, pequenos empreendedores e empresas inteiras que se desenvolvem a partir da força da atividade industrial.

Ao longo dessa trajetória, atravessamos mudanças de governo, planos econômicos, crises, insegurança jurídica e inúmeros desafios que exigiram capacidade de adaptação e resiliência. E talvez um dos maiores aprendizados seja justamente continuar acreditando, mantendo o entusiasmo para investir, inovar e seguir crescendo, mesmo diante das incertezas.

Porque existe algo que move o industrial brasileiro além dos números. Existe o sonho de construir algo duradouro, gerar desenvolvimento, transformar vidas e deixar um legado para as próximas gerações.

Veja Mais:  URGENTE: Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais entra em vigor em poucos dias

Ulana Maria Bruehmueller é diretora executiva da Refrigerantes Marajá

Comentários Facebook
Continue lendo

Artigos

IA na fiscalização tributária: o Fisco está mais inteligente, e o agro precisa estar preparado

Publicado

Joao Carlos e Wanessa Zagner

A transformação digital chegou definitivamente à fiscalização tributária brasileira. Hoje, o Fisco não depende mais apenas de declarações fiscais tradicionais ou análises manuais para identificar inconsistências. A Receita Federal e os órgãos estaduais estão cada vez mais estruturados tecnologicamente, utilizando inteligência artificial, cruzamento massivo de dados e sistemas automatizados capazes de identificar movimentações suspeitas em poucos segundos.

E setores estratégicos como agronegócio, comercialização de grãos e frigoríficos estão entre os mais observados nesse novo cenário. A cadeia do agro movimenta cifras bilionárias, envolve operações interestaduais, benefícios fiscais, créditos tributários, exportações, transportes e uma extensa rede de fornecedores. Toda essa complexidade torna o setor extremamente relevante para os órgãos de fiscalização.

Hoje, praticamente tudo deixa rastros digitais. Notas fiscais eletrônicas, operações bancárias, movimentações de estoque, transporte de cargas, dados de produção, declarações acessórias e até informações compartilhadas entre estados são cruzadas automaticamente por sistemas inteligentes. O que antes poderia levar anos para ser identificado agora pode ser detectado em minutos.

Na prática, a inteligência artificial permite ao Fisco identificar padrões incomuns, divergências fiscais, inconsistências em créditos tributários, movimentações incompatíveis com o faturamento declarado e possíveis irregularidades em operações interestaduais.

No setor de grãos, por exemplo, operações envolvendo créditos de ICMS, circulação de mercadorias e benefícios fiscais passaram a receber monitoramento ainda mais rigoroso. Já nos frigoríficos, questões relacionadas à rastreabilidade, incentivos fiscais e estrutura operacional também estão constantemente no radar da fiscalização.

Veja Mais:  Pantera Negra e a discriminação racial 

Além disso, os órgãos públicos têm investido fortemente na integração de bases de dados. Receita Federal, secretarias estaduais da Fazenda, tribunais de contas e demais órgãos fiscalizadores conseguem compartilhar informações com muito mais velocidade e precisão. Isso significa que empresas com controles frágeis, processos desorganizados ou estruturas tributárias vulneráveis ficam mais expostas a autuações, multas e passivos fiscais relevantes.

Por outro lado, esse cenário reforça a importância do compliance tributário e da governança corporativa dentro do agronegócio. Hoje, não basta apenas produzir bem ou ter alta capacidade operacional. Empresas do setor precisam investir em gestão fiscal estratégica, auditoria preventiva, organização documental e acompanhamento constante das mudanças tributárias.

A tecnologia elevou o nível da fiscalização e exige que as empresas elevem também o nível de organização e conformidade. Muitos empresários ainda enxergam o planejamento tributário apenas como uma forma de reduzir a carga tributária, quando, na verdade, ele também representa proteção jurídica, previsibilidade financeira e segurança operacional.

A verdade é que o Fisco está mais inteligente, e quem atua no agro, especialmente em segmentos de alta movimentação, como grãos e frigoríficos, precisa compreender que transparência e controle deixaram de ser diferenciais e passaram a ser fatores essenciais para a sustentabilidade do negócio.

Nesse contexto, o papel do advogado tributarista se torna ainda mais estratégico. Não se trata apenas de discutir tributos ou atuar diante de autuações já consolidadas, mas de desenvolver uma atuação preventiva, acompanhando operações, orientando estruturas fiscais e identificando vulnerabilidades antes que elas se transformem em prejuízos milionários.

Veja Mais:  Inclusão do autista no mercado de trabalho

Recentemente, operações fiscais realizadas em estados produtores evidenciaram o avanço da inteligência artificial na fiscalização do setor agropecuário. Empresas ligadas à comercialização de grãos e frigoríficos passaram a ser investigadas após sistemas identificarem inconsistências entre emissão de notas fiscais, movimentação financeira e créditos tributários utilizados.

Em muitos casos, o problema não estava necessariamente em condutas irregulares deliberadas, mas em falhas operacionais, ausência de controle interno e interpretações inadequadas da legislação. É justamente nesse ponto que a atuação técnica e preventiva do advogado tributarista se torna fundamental: garantir segurança jurídica, proteger a operação e assegurar que o crescimento empresarial aconteça de forma sustentável e em conformidade com a legislação.

João Carlos Rodrigues Filho Vanni e Wanessa Zagner Gonçalves, Advogados Tributaristas da ZR Advogados.

Comentários Facebook
Continue lendo

Artigos

O infarto pode começar no intestino?

Publicado

A descoberta científica que pode mudar a forma como entendemos o coração:

Durante muitos anos, acreditamos que o infarto começava apenas nas artérias do coração.Mas a ciência acaba de mostrar algo muito mais profundo:O intestino pode influenciar diretamente a gravidade de um infarto. E isso muda completamente a forma como enxergamos prevenção cardiovascular.

O QUE A CIÊNCIA DESCOBRIU?

Um estudo publicado na revista científica Cardiovascular Research mostrou que, após um infarto, ocorre uma comunicação intensa entre coração, intestino, microbiota e sistema imunológico.
Os pesquisadores observaram que:
o infarto altera a microbiota intestinal;
aumenta a permeabilidade do intestino;
bactérias e toxinas intestinais conseguem “vazar” para a circulação;
isso amplifica a inflamação do organismo;
e piora a lesão cardíaca.
Em outras palavras:O coração sofre e o intestino responde. Mas essa resposta pode aumentar ainda mais o dano cardíaco.

O “VAZAMENTO INTESTINAL” PODE AGRAVAR O INFARTO

Os pesquisadores identificaram aumento de uma substância chamada LPS (lipopolissacarídeo),
derivada de bactérias intestinais, no sangue de pacientes que tiveram infarto.
E o mais impressionante quanto maior o nível dessas toxinas:
maior o tamanho do infarto;
maior a inflamação;
pior a função do coração.
Isso reforça algo que a medicina cardiometabólica moderna já suspeitava:
O coração não funciona isolado ele conversa o tempo inteiro com o intestino, metabolismo, cérebro e sistema imunológico.

O QUE ISSO MUDA NA PRÁTICA?
Muda tudo. Porque prevenção cardiovascular não pode mais ser baseada apenas em:
colesterol;
pressão arterial;
remédios.
Hoje sabemos que:
inflamação intestinal,
microbiota desequilibrada,
resistência insulínica,
obesidade visceral,
alimentação ultraprocessada,
privação de sono,
estresse crônico
Também participam do risco cardiovascular. O cardiometabolismo moderno deixou de olhar apenas para “a doença”. Agora olhamos para o terreno biológico que constrói a doença.

Veja Mais:  O que esperar para o ano de 2021? De olho na ciência e inovação

O INTESTINO É UM DOS CENTROS DA INFLAMAÇÃO
O estudo mostrou que, após o infarto, ocorre aumento de bactérias inflamatórias no intestino e piora da barreira intestinal. Isso favorece:
inflamação sistêmica;
ativação exagerada do sistema imunológico;
maior dano ao músculo cardíaco.
É exatamente por isso que:
obesidade,
diabetes,
má alimentação,
sedentarismo,
sono ruim
Estão tão conectados ao risco cardiovascular.

A NOVA ERA DA PREVENÇÃO
A grande mensagem deste estudo é clara: O futuro da cardiologia será cada vez mais
cardiometabólico. Não basta apenas “desentupir artérias”.
Precisamos:
modular inflamação;
melhorar microbiota;
preservar massa muscular;
controlar glicose;
reduzir gordura visceral;
melhorar sono;
aumentar capacidade física;
restaurar metabolismo.
Porque o verdadeiro tratamento começa antes do infarto acontecer.

CONCLUSÃO

Seu intestino pode estar influenciando silenciosamente a saúde do seu coração todos os dias.
E talvez uma das maiores revoluções da prevenção cardiovascular moderna seja entender que:
saúde intestinal e saúde cardíaca estão profundamente conectadas.
Na medicina do futuro, prevenção não será apenas sobre remédios.
Será sobre Estratégia Metabólica.

Dr. Max Wagner de Lima
Cardiologista — CRM 6194 | RQE 2308

Comentários Facebook
Continue lendo

ALMT Segurança nas Escolas

Rondonópolis

Polícia

Esportes

Famosos

Mais Lidas da Semana