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A diferença invisível: a engenharia por trás de graxas que movem o mundo

Por Luiz Maldonado
À primeira vista, uma graxa parece sempre a mesma substância: um material espesso e untuoso, com uma cor que varia entre tons de verde e vermelho. A aparência, no entanto, é uma das maiores ilusões no universo industrial. Mas o que os olhos não percebem, a performance revela com clareza. Enquanto uma graxa comum cumpre uma função básica, a graxa especial executa uma missão desafiadora. Esta é a história da diferença invisível que separa a simples lubrificação da verdadeira engenharia de proteção.
Há um século, a fabricação de graxa era um processo relativamente simples, uma combinação de óleo mineral com sabão metálico. Uma solução para seu tempo, adequada para máquinas rudimentares e baixas exigências. O contraste com o presente é equivalente a tantos outros avanços tecnológicos da atualidade. As graxas de alta performance hoje são o produto de estudos tribológicos avançados e de uma profunda compreensão da engenharia molecular. Elas incorporam aditivos antidesgaste, antioxidantes complexos, protetores anticorrosão e até mesmo partículas cerâmicas ou compostos fluorados sintéticos, desenvolvidos para aplicações que vão da robótica de precisão à exploração espacial.
A analogia é inevitável: comparar uma graxa ancestral com uma formulação moderna equivale a diferenciar um automóvel clássico com um veículo elétrico de última geração. Ambos possuem rodas e um volante, mas a experiência, a segurança e a tecnologia subjacente pertencem a realidades completamente distintas. Um é mecânica pura; o outro, um sistema inteligente.
Esse abismo tecnológico leva a um paradoxo operacional perigoso. Muitas operações ainda optam pelo lubrificante de menor custo inicial para equipamentos que valem milhões. Rolamentos de colheitadeiras de alta capacidade, robôs industriais que executam soldagens milimétricas ou centrífugas que operam sem interrupção merecem mais do que uma solução genérica. Colocar uma graxa comum nesses sistemas é o equivalente a alimentar um motor de competição com combustível inadequado. O resultado é uma equação previsível: desgaste precoce, falhas catastróficas e prejuízos monumentais. A graxa correta, por sua vez, não deve ser entendida como um custo, mas um investimento em continuidade, um guardião contra a paralisia produtiva.
A exigência por lubrificação superior cresce na mesma medida que importamos máquinas com tecnologia embarcada de ponta. Colheitadeiras modernas, repletas de sensores e sistemas hidráulicos inteligentes; braços robóticos que demandam precisão absoluta; trens de alta velocidade e turbinas que operam sob pressões extremas – estes equipamentos são a base da indústria moderna. Exigir que uma graxa comum proteja tais maravilhas da engenharia é um contrassenso. É como tentar abastecer uma rede de fibra óptica com fios de cobre antigos. A estrutura pode até suportar por algum tempo, mas o desempenho será medíocre e a falha, inevitável.
A escolha do parceiro de lubrificação torna-se tão decisiva quanto a seleção da graxa. Empresas que compreendem este novo quesito operam com um padrão de excelência, distribuem produtos de marcas globais que comprovam sua performance em testes rigorosos de carga, durabilidade e resistência a temperaturas que variam de -50°C a +300°C. Essas graxas são ferramentas de engenharia com certificações específicas, como a NSF para indústria alimentícia que garantem que o invisível funcione com perfeição absoluta.
Nem “toda graxa” é “graxa”. Da mesma forma que nem todo veículo está preparado para uma viagem ao futuro, nem todo lubrificante protege o patrimônio industrial. Graxa deixou de ser um produto básico para se tornar ciência de materiais aplicada. É tecnologia de desempenho invisível, a barreira entre a produção e a paralisia, entre a economia real e a perda financeira, entre permanecer no passado ou avançar com confiança para o futuro.
Porque, no fim, o que parece impossível muitas vezes é apenas uma questão de escolha.
*Luiz Maldonado é fundador e CEO da Lubvap Special Lubrificants, empresa brasileira de distribuição com mais de 15 anos no mercado de soluções em lubrificação industrial, que atende o país inteiro e também a América do Sul. Com produtos globais, a Lubvap se destaca pela excelência em sua atuação.
Bacharel em relações públicas, pela UNITAU; tem pós-graduação em marketing, pela FAAP; fez Empretec Sebrae; e cursou fomento de negócios com foco na internet, na MBM Business School.
Já atuou na área de marketing da Pfizer, marketing e vendas da Eli Lilly e na ITW Chemicals, gigante grupo norte americano. Foi também responsável por técnicas para melhorias de processos de fabricação em grandes empresas do interior de São Paulo.
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63 anos não se constroem por acaso: a liderança por trás da longevidade empresarial

Por Ulana Bruehmueller
O brasileiro tem uma reconhecida vontade de empreender. Muitas empresas nascem pequenas, de um sonho, de uma oportunidade ou da necessidade de construir um futuro melhor. Começam com poucos recursos, muito trabalho e a esperança de crescer ano após ano.
Mas começar uma empresa é apenas o primeiro desafio. Fazê-la permanecer, atravessar gerações e continuar relevante é uma conquista muito maior.
No Brasil, poucas empresas alcançam mais de seis décadas de atividade. Ao longo do caminho, enfrentam obstáculos que vão do acesso ao crédito aos elevados custos de insumos, energia e produção, além da carga tributária, da insegurança jurídica e de uma logística ainda cara e ineficiente.
É nesse contexto que celebramos os 63 anos da Refrigerantes Marajá.
Mais do que uma data no calendário, este aniversário nos convida a uma reflexão: o que faz uma organização atravessar tantas transformações e permanecer relevante ao longo das gerações?
A qualidade dos produtos e a confiança dos consumidores são fundamentais. Mas longevidade também se constrói com liderança forte, propósito definido, valores consistentes e pessoas alinhadas em torno de uma mesma direção.
Ao longo de mais de seis décadas, a Marajá precisou se transformar inúmeras vezes. Cresceu, ampliou mercados, modernizou sua estrutura industrial, incorporou tecnologias, profissionalizou processos, fortaleceu sua governança e desenvolveu novas marcas e produtos.
Ao mesmo tempo, avançou em uma agenda de ESG cada vez mais consistente, compreendendo que responsabilidade ambiental e social, ética e boa governança não devem existir apenas no discurso. Precisam estar incorporadas à maneira como uma organização toma decisões e pensa no seu futuro.
Essa capacidade de evoluir sem perder a essência talvez seja uma das principais explicações para a longevidade de uma empresa.
E nenhuma transformação acontece sem pessoas.
Ao longo da minha carreira, aprendi que podemos definir estratégias, estabelecer metas, investir em tecnologia e modernizar processos, mas são as pessoas que transformam o planejamento em resultado. Por isso, o alinhamento da liderança e o comprometimento do time são fatores concretos de competitividade.
Estratégias mudam. Mercados mudam. Tecnologias evoluem. Gerações chegam com novas expectativas. Os valores, entretanto, permanecem como uma bússola, permitindo que a empresa se transforme sem perder sua identidade.
Tenho muito orgulho de ter dedicado mais de 30 anos da minha vida profissional à Marajá e de ter crescido junto com esta empresa. Foram décadas de desafios, crises, decisões, expansão, transformação e, acima de tudo, aprendizado.
Por isso, celebrar estes 63 anos é também agradecer.
Aos fundadores que tiveram a disposição de empreender. Aos acionistas, diretores e líderes que assumiram a responsabilidade de conduzir a empresa ao longo do tempo. Aos profissionais que passaram por aqui e deixaram sua contribuição. E aos que hoje continuam escrevendo esta história e preparando a Marajá para o futuro.
Depois de tantos anos na indústria, compreendo que uma das maiores responsabilidades de uma liderança não é apenas entregar os resultados do presente. É criar condições para que a organização continue crescendo e gerando valor para as próximas gerações.
Longevidade empresarial não é simplesmente resistir ao tempo. É atravessar gerações evoluindo sempre. Continuar olhando para frente e assumindo responsabilidade pelo futuro!
Ulana Maria Bruehmueller é CEO da Refrigerantes Marajá
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A cidade começa na calçada

Rodrigo Arruda e Sá
Quando pensamos em desenvolvimento urbano, quase sempre imaginamos grandes avenidas, viadutos, pontes ou obras de infraestrutura. Tudo isso é importante, mas existe um elemento muito mais presente na vida das pessoas e que, muitas vezes, passa despercebido: a calçada. É nela que a cidade realmente começa, porque é por ela que todos nós caminhamos antes de entrar em um carro, em um ônibus, em um comércio ou em uma praça.
A qualidade de uma cidade pode ser medida pela forma como ela trata o pedestre. É pela calçada que uma criança vai à escola, um idoso chega à farmácia, uma mãe empurra o carrinho do filho e um trabalhador segue até o ponto de ônibus. Quando esse espaço está esburacado, desnivelado, ocupado irregularmente ou simplesmente não existe, a cidade transmite uma mensagem clara: as pessoas deixaram de ser prioridade.
Não é preciso olhar para a Europa para encontrar bons exemplos. Curitiba transformou o cuidado com as calçadas em uma política permanente de urbanismo e acessibilidade. Maringá tornou-se referência nacional pela arborização, pela conservação dos espaços públicos e pela qualidade de seus passeios. Joinville e Blumenau também demonstram como calçadas bem cuidadas, praças limpas, iluminadas e bem conservadas tornam a cidade mais acolhedora para moradores, turistas e comerciantes.
Essas cidades compreenderam que desenvolvimento urbano não se resume a grandes obras. A qualidade de vida nasce dos espaços que as pessoas utilizam diariamente. Calçadas acessíveis, arborização, praças bem cuidadas, iluminação eficiente e limpeza permanente estimulam a convivência, fortalecem o comércio de rua, aumentam a sensação de segurança e fazem com que os moradores sintam orgulho da cidade onde vivem.
Em Cuiabá, infelizmente, ainda convivemos com uma realidade distante desse padrão. Além das calçadas interrompidas, desniveladas ou sem acessibilidade, muitas praças apresentam sinais evidentes de abandono.
A Praça Ipiranga, um dos espaços mais tradicionais da capital, frequentemente convive com acúmulo de lixo e mau cheiro, enquanto a Praça Popular, um dos principais pontos de encontro da cidade, além de estar coberta de lixo, sofre com a iluminação deficiente e manutenção insuficiente. Em vez de convidarem as famílias ao convívio, ao esporte e ao lazer, esses espaços acabam transmitindo uma sensação de descuido incompatível com a importância que têm para a vida urbana.
Como contador e empresário, aprendi que cidades agradáveis também são cidades economicamente mais fortes. O comércio prospera quando as pessoas caminham pelas ruas com conforto e segurança, frequentam as praças, permanecem mais tempo nos espaços públicos e ocupam naturalmente os centros comerciais. Investir nesses ambientes não é apenas uma política de urbanismo; é também uma política de desenvolvimento econômico.
É evidente que Cuiabá precisa continuar investindo em mobilidade, infraestrutura e transporte coletivo. Mas nenhuma dessas políticas produzirá resultados completos se esquecermos que toda viagem começa e termina a pé.
Antes de sermos motoristas, passageiros ou ciclistas, todos nós somos pedestres, e uma cidade que não acolhe quem caminha dificilmente será acolhedora para qualquer outro meio de transporte.
Talvez esteja na hora de ampliarmos o conceito de desenvolvimento urbano. Em vez de avaliar uma administração apenas pelo número de quilômetros de asfalto entregues ou pelas grandes obras inauguradas, deveríamos observar também a qualidade das calçadas, das praças e dos espaços públicos onde a vida realmente acontece.
Cuidar desses pequenos detalhes não é uma questão estética, mas uma demonstração de respeito ao cidadão e de compromisso com a qualidade de vida. Afinal, uma cidade verdadeiramente humana não se mede apenas pelo tamanho de suas avenidas, mas pelo cuidado com os lugares onde seus moradores caminham, convivem e constroem diariamente a sua história.
*RODRIGO ARRUDA E SÁ é contador, bacharel em Direito, empresário e ex-vereador de Cuiabá.
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