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NFT: um caminho sem volta para a arte digital e para o mundo
![]() André Holzmeister Um dos conceitos que eu venho analisando nos últimos anos é uma reflexão sobre o momento artístico atual. Estamos vivendo um novo Iluminismo – movimento que nasceu na época renascentista no século XV, no qual o progresso humano passou a ser entendido não apenas pelo viés da ciência, mas também pelo desenvolvimento literário, teórico e artístico – com a revolução digital.
Esse novo momento da humanidade, com o avanço da tecnologia em todos os campos – incluindo na arte – abriu um horizonte infinito para o acesso a ferramentas de produção que até então viviam somente no imaginário, assim como a explosão de novos talentos na produção de arte digital.
Dos pincéis, telas e tintas, a arte também encontrou morada nos computadores, nos programas gráficos e na internet. Um dos pontos importantes dessa revolução foi o desenvolvimento da tecnologia blockchain, que possibilitou aos artistas digitais obter uma certificação de propriedade de suas obras – ou NFT (ou No Fungible Token). Um NFT atrelado a um asset digital – uma imagem, foto, vídeo, música, entre outros – faz desse item algo único perante o mundo, abrindo espaço para investidores e colecionadores interessados em investir dinheiro de verdade na aquisição de obras e ativos digitais. Uma analogia que ilustra bem esse cenário é o casaco que minha avó deixou de herança para mim. Podem ter várias peças idênticas, da mesma marca e cor circulando por aí, mas nenhum deles é o “casaco da minha avó”. No universo digital, tudo o que está disponível pode ser copiado. Uma música, um filme ou até mesmo uma obra de arte. Antecedendo ao blockchain, não havia mecanismo algum que possibilitasse ser “dono” de algo único no mundo virtual. Vou trazer alguns exemplos. O retrato da Monalisa, de Leonardo Da Vinci, que está exposto no Museu do Louvre, na França, corre o mundo todo por meio da reprodução de sua imagem. Porém, a obra original, assinada pelo artista italiano, está na França. A Monalisa é o perfeito exemplo de quanto mais a imagem do original for reproduzida, mais conhecida a obra fica, e portanto mais valiosa ela se torna. O blockchain confere a possibilidade de um asset digital ser considerado único e transferível por meio de “smart contracts”, ou contratos inteligentes. Quando esse item único troca de mão somente o novo dono tem esse certificado digital. Como o universo dos NFTs ainda é algo novo, Não acho possível ainda colocar tudo que é produzido dentro de um rótulo de um movimento artístico, como foi no passado, Modernismo, Cubismo, impressionismo etc… a variedade de estilos é enorme, mas certamente esse movimento artístico, essa revolução digital estará nos livros de história da arte como um dos momentos mais importantes, tão quanto foi a renascença. Não existe mais algo com cara de NFT, certamente temos várias tendências, mas cada vez mais vemos mais artistas aderindo e diluindo o que no início era considerado cara de NFT. Eu, como artista, uso meu estilo de criação ao longo dos anos e sigo com essa marca registrada nessa nova realidade. Antigamente, antes da era digital, ter acesso a arte era algo para poucos, inclusive para os próprios artistas. Na época pós Idade Média, era difícil ter acesso aos materiais para a produção de obras de arte. Além disso, era necessário ter alguém que apadrinhasse o artista para ajudá-lo a seguir com a produção de suas obras. Por isso vemos a maior parte das obras atreladas a retratos da nobreza ou encomendadas pela Igreja que eram quem podia pagar, não só o custo da mão de obra dos artistas, mas também o custo de materiais, imagina o custo de produzir os pigmentos das tintas naquela época. Hoje o panorama é muito diferente. A revolução digital proporcionou a democratização da produção de arte, assim como a exposição de artistas talentosos que até então não tinham espaço para mostrar as suas obras. Como exposto anteriormente, a reprodutibilidade de um NFT depõe a favor de sua valorização. Quanto mais ela for copiada, mais ela fica conhecida e seu original se torna cada vez mais valioso. É daí que vem o valor de NFTs baseados em memes famosos, Nyan Cat por exemplo, em 2 de Abril 2011 o artista Christopher Torres postou um Gif animado que viralizou. Todo mundo copiou e repostou, mas o criador do meme o colocou a venda em Fevereiro de 2021 e foi arrematado por 300 Ether, 1.42 Milhão de dólares na cotação de hoje, ou 7.68 Milhões de Reais. O valor dessa obra não está nos pixels dela, e sim na história dessa arte, no fato de tantas pessoas a reconhecerem porque ela foi reproduzida a exaustão. Uma coisa eu sei: o NFT veio para ficar e não envolve somente o universo artístico. Quem está entrando nesse universo dos NFTs hoje, daqui a alguns anos será considerado um pioneiro neste movimento. Os artistas de verdade, que não são aventureiros, devem perdurar. E quem investir agora nesse tipo de ativo tende a se dar bem no futuro. Veja o que aconteceu com o Bitcoin! Se eu pudesse voltar 20 anos, eu diria ao jovem André: Invista em Bitcoin! Acho que se meu eu de daqui a 20 anos voltasse no tempo, hoje ele me diria, invista em NFTs. O que estamos vendo hoje é apenas a ponta de um iceberg gigantesco que está vindo aí para mudar a economia do mundo. *André Holzmeister é artista, pioneiro da computação gráfica digital e curador da exposição Breaking The Fourth Wall – A Digital Art Expo (ou Quebrando a Quarta Parede – Uma Exposição de Arte Digital, em português), primeira mostra de arte NFT outdoor da América Latina que estreia no Brasil. |
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Um estado que produz tanto não pode falhar com sua juventude
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A seca é um teste de gestão

Por Aluísio Metelo Junior*
A seca é um evento previsível e recorrente em todas as regiões produtoras do país. Ainda assim, muitos produtores chegam ao período crítico sem aceiros revisados, divisas limpas, estradas internas operacionais, equipes treinadas ou um plano estruturado de prevenção. Embora seja frequentemente tratada apenas como um problema climático, a seca é, na prática, um teste de gestão. Existe uma máxima que deveria orientar toda propriedade rural: na seca não se planeja, na seca se executa. O planejamento precisa ocorrer meses antes, pois quando os primeiros incêndios surgem, já é tarde para definir estratégias.
A principal barreira contra o fogo não é o caminhão-pipa, mas a manutenção preventiva da fazenda. As Resoluções nº 02 e nº 03 do COMIF reforçam que a prevenção deve fazer parte da rotina de gestão antes do período crítico, e não ser uma resposta emergencial à crise. Entre as medidas mais importantes estão os aceiros, que não podem ser vistos como mera exigência burocrática. Eles constituem a principal barreira física contra a propagação do fogo e devem ser dimensionados de acordo com a vegetação e o relevo, permanecendo limpos, contínuos e estrategicamente posicionados em divisas, reservas, florestas plantadas, lavouras e áreas de infraestrutura. Aceiros mal conservados oferecem apenas uma falsa sensação de segurança.
A segunda linha de defesa é formada pelas pessoas. Equipamentos sem operadores capacitados pouco contribuem para o combate aos incêndios e podem até aumentar os riscos. Ainda é comum a crença de que possuir um caminhão-pipa ou reservatório de água seja suficiente, mas a eficiência da resposta depende do preparo da equipe. As resoluções do COMIF destacam a importância da capacitação operacional, especialmente porque os primeiros minutos de um incêndio costumam ser decisivos para o controle das chamas.
É importante compreender que o fogo destrói aquilo que a seca apenas castiga. Enquanto a estiagem reduz a produtividade, o incêndio pode eliminar completamente os recursos necessários para a recuperação da propriedade. Pastagens, cercas, máquinas, áreas de preservação, florestas plantadas e a própria fertilidade do solo podem ser severamente comprometidos. Em muitos casos, os prejuízos de um único incêndio superam amplamente o investimento necessário para implantar medidas preventivas.
Nesse cenário, o Plano de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PPCIF) assume papel central. O documento funciona como um verdadeiro plano de voo da propriedade durante a seca, identificando riscos, áreas sensíveis, rotas de acesso, pontos de abastecimento de água, estruturas de apoio e protocolos de atuação.
Por sua complexidade técnica e legal, o PPCIF não deve ser tratado como mera formalidade. Sua elaboração exige acompanhamento de profissional qualificado, capaz de adequar o plano à legislação vigente, dimensionar corretamente recursos e orientar ações preventivas. Mais do que um documento, o PPCIF é uma ferramenta de gestão de risco que protege o patrimônio, reduz a exposição a multas e fortalece a capacidade de resposta da propriedade.
Quando a umidade cai, os ventos aumentam e os primeiros focos aparecem, não há espaço para improviso. A seca apenas revela quais propriedades se prepararam adequadamente. Aceiros revisados, equipes treinadas, equipamentos inspecionados, estradas operacionais e um PPCIF atualizado são os elementos que definem se a propriedade estará protegida ou vulnerável diante do fogo.
Aluísio Metelo Junior é Coronel Veterano do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, engenheiro de incêndio e especialista com mais de 30 anos de experiência em Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, ex-Presidente do Comitê Nacional de Gestão de Incêndios Florestais (CONAGIF/LIGABOM) e ex-membro do Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (COMIF), CEO da Ellos Soluções Contra Incêndios Florestais.
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