Mato Grosso
Agricultor tem até sexta-feira (05) para justificar cancelamento e bloqueio
Termina nesta sexta-feira (05.07), o prazo para o produtor rural justificar sobre o cancelamento e bloqueio da Declaração de Aptidão do Pronaf (DAP) que apresentaram indícios de irregularidades pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Em Mato Grosso foram canceladas 20 mil DAPs, emitidas nos últimos 11 anos (2017 a 2018). O gerente interino de Crédito Rural da Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), Luiz Alberto de Oliveira Silva, fala que até o momento a empresa recebeu apenas 70 justificativas.
De acordo com o gerente, a procura pelos produtores está bem abaixo do esperado, já que o tempo para justificar é de apenas 30 dias. Ele esclarece que o produtor precisa verificar se a DAP expirou, outra poderá ser emitida se a unidade familiar tiver enquadrada na condição de agricultura familiar. Cancelamentos sem bloqueios permitem a emissão de uma nova declaração, já os com bloqueio não permitem. “É importante buscar informações na empresa que emitiu a DAP para solicitar o desbloqueio do CPF ou CNPJ para nova emissão”, enfatiza.
Entre os motivos para o cancelamento e bloqueio da DAP estão: o produtor não estar enquadrado nos quatro módulos fiscais que correspondem de 120 a 400 hectares e a receita bruta anual passar de R$ 415 mil, entre outras. A DAP funciona como carteira de identidade do agricultor familiar e dá acesso às linhas de crédito rural do Pronaf, aos programas de compras institucionais, como a Aquisição de Alimentos (PAA) e o de Alimentação Escolar (PNAE), além da Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) e outros.
Nos últimos três anos, a Empaer já emitiu mais de 30 mil DAPs. Somente este ano já foram emitidas 4.803 declarações. Conforme Luiz Alberto, no início de 2019 foi assinado uma portaria alterando o prazo de validade da DAP, que passa de um para dois anos. Ele fala que o agricultor pode enviar a sua justificativa, procurando um escritório da Empaer no seu município. Em seguida, deve elaborar uma justificativa apontando as irregularidades, assinar, reconhecer firma em cartório e enviar para o escritório central da Empaer, em Cuiabá.
As justificativas estão sendo encaminhadas para o Mapa e os produtores deverão aguardar para receber o desbloqueio que será feito pelo órgão. “O produtor vai ter que aguardar uma definição do Ministério e TCU quanto ao desbloqueio das DAPs, tanto as que justificaram como as que não foram justificadas e serão canceladas”, enfatizou Silva.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
Mato Grosso
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