Mato Grosso
Aniversário de 267 anos de Vila Bela marca a transferência da capital de Mato Grosso
Vila Bela da Santíssima Trindade (localizada a 562 km de Cuiabá), primeira capital de Mato Grosso, comemora nesta terça-feira (19.03) seus 267 anos de fundação e volta a ser, simbolicamente, capital do Estado numa grande celebração da cultura mato-grossense. Cidade festejada pelo imensurável valor histórico, Vila Bela é rica culturalmente e seus cenários são de rara beleza.
Sejam as ruínas da monumental Igreja Matriz, do período colonial, ou as cachoeiras e mata do Parque Estadual Ricardo Franco, a cultura singular é realçada ainda pelas manifestações artísticas de grande relevância para constituição da identidade cultural mato-grossense, como as danças do Congo e Chorado.
Um lugar especial que merece reverência. Além disso, a história do Estado está intrinsecamente ligada à de Vila Bela da Santíssima Trindade. Denominada por seus descobridores como Minas do Mato Grosso, a região localizada às margens do Vale do Guaporé, mais tarde, tornou-se uma vila que servia de ponto de apoio administrativo e militar. Com a criação da capitania de Mato Grosso, em 1748, tornou-se Vila Bela da Santíssima Trindade em 19 de março de 1752.
Segundo o historiador João Carlos Ferreira, “a escolha do nome provinha do costume da época colonial de designar por Vila a sede municipal e expressão de admiração pelo lugar – bela”. A primeira sede da Capitania de Mato Grosso, com o passar do tempo, e ao perder a condição de capital para Cuiabá, passou a chamar-se Matto Grosso, mas em 1978, a Lei Estadual nº 4.014, devolveu a denominação antiga ao município: Vila Bela da Santíssima Trindade.
Capital de Mato Grosso
No tempo presente, o período glorioso da cidade é reavivado para celebrar o aniversário do município. E assim, simbolicamente, o título de capital mato-grossense volta a ser da cidade que originalmente detinha o posto. E por isso mesmo, o Governo Itinerante tem sua sede transferida para o Palácio dos Capitães Generais, em Vila Bela.
Os moradores se entusiasmam com as celebrações, como dona Astrogilda Leide de França, 89 anos. Nascida em Vila Bela, a mais velha dançarina do Chorado, diz que é uma honra poder participar das festividades. “É um prazer ver Vila Bela transformada em capital novamente. É um reconhecimento e uma lembrança do passado, da passagem de capital. Amo minha cidade, aqui temos uma vida favorável, muito tranquila. Estou muito feliz”, disse emocionada.
O evento, que contou com a presença do vice-governador Otaviano Pivetta e do secretário adjunto de Cultura, Esporte e Lazer, José Paulo Traven, além de deputados estaduais e autoridades políticas do município, como o prefeito Wagner Vicente da Silveira, começou pouco depois das 8h, com hasteamento de bandeiras, na Praça Central.
O vice-governador destacou que este foi o momento de estreitar laços com a Prefeitura da cidade. “É uma honra para nós do governo participarmos de um momento tão histórico. Venho representando o governador Mauro Mendes para trazer a mensagem de que Mato Grosso é um Estado rico culturalmente e que Vila Bela, em especial, que foi o começo do Estado, primeira capital de Mato Grosso, carrega valores culturais muito importantes para a história de Mato Grosso. Vamos conversar com o prefeito para ouvir as necessidades do município e tomar providências de maneira prática”, disse ele.
Bem como o vice-governador, o secretário adjunto José Paulo Traven destacou a importância de valorizar as raízes históricas. “Nada mais justo do que ter uma data durante o ano para relembrar que Vila Bela foi a primeira capital de Mato Grosso. Vila Bela é um tesouro ambiental e cultural, é um dos municípios que conserva suas raízes de maneira muito forte, com um potencial turístico-cultural e ambiental imenso. E a presença do vice-governador reafirma o compromisso do govenador Mauro Mendes com Vila Bela. Tenho certeza que durante este governo viremos muitas vezes aqui. Temos orgulho desse povo forte e aguerrido”.
Depois da solenidade de hasteamento das bandeiras, a programação seguiu com a apresentação da fanfarra da Escola Municipal Ricardo Franco, apresentação da Guarda Mirim, dança do Congo e a tradicional Missa Comemorativa, na Igreja Matriz. Após a missa, autoridades políticas se reuniram com a equipe de Governo, deputados, prefeito e vice-prefeito, secretário municipal de cultura, Francisco Robin e vereadores da região, reunião realizada no Palácio dos Capitães Generais.
O prefeito da cidade, Wagner da Silveira, pontua que o evento é como uma reunião realizada entre Governo e população. “A presença de representantes do Governo em Vila Bela é uma aproximação muito necessária. É uma oportunidade que temos para reivindicar as nossas necessidades. Politicamente é muito importante. Estamos muito agradecidos pela presença do vice-governador Pivetta. É um reconhecimento histórico. De acordo com a lei, Vila Bela se torna capital do Estado novamente, um orgulho muito grande”, comemora.
A transferência da capital de Mato Grosso para Vila Bela, atende a uma determinação da Lei Estadual nº 10.377/2016.
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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