Mato Grosso
Atleta de Mato Grosso é destaque na maior premiação do esporte brasileiro
A participação de Mato Grosso na etapa nacional dos Jogos Escolares da Juventude, em Blumenau (SC), rendeu mais que medalhas e progressos ao esporte de base do Estado. Reunindo mais quatro mil estudantes de todos os Estados brasileiros, a competição consagrou o representante mato-grossense Guilherme Porto como um dos principais atletas do país na 21ª edição do Prêmio Brasil Olímpico.
Aos 17 anos, o atleta de wrestling (luta olímpica) fez uma campanha impecável na competição escolar, conquistando duas medalhas de ouro, uma no estilo livre e outra no estilo greco-romano, ambas na categoria até 69 kg.
Foto por: COB
O jovem talento, que havia sido vice-campeão dos Jogos Escolares entre 2015 e 2018, já representou o Brasil nos Jogos Sul-americanos da Juventude Santiago 2017, no Pan Americano Escolar 2017, também no Chile, e no Torneio Sul Americano 2016, em La Rioja na Argentina, ocasiões em que mais uma vez garantiu o título de campeão. Guilherme também disputou o Pan-americano Cadete 2019, no México, e o Mundial Escolar de Verão 2018, no Marrocos, alcançando a terceira e a segunda posição, respectivamente.
Destaque da edição 2019 dos Jogos Escolares da Juventude, o representante mato-grossense foi considerado um dos melhores atletas da competição junto com a catarinense Maria Luíza Elói (vôlei) na categoria de 15 a 17 anos. Entre os atletas de 12 a 14 anos, os eleitos foram a pernambucana Pamela Nievilly (atletismo) e o piauiense Klerton Zaidan (badminton). A atuação dos atletas assegurou a homenagem na maior premiação do esporte brasileiro, organizada pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB).
Guilherme recebendo a premiação junto com demais destaques dos Jogos Escolares – Foto por: Alexandre Loureiro-COB
Guilherme Porto foi apresentado à Luta Olímpica, ou Olympic Wrestling, aos 11 anos pelo professor Chicão e desde então nunca mais parou de treinar. Todo o empenho para melhorar constantemente, com preparação física pelas manhãs e treinos durante a tarde, garante segurança ao atleta. Tanto que, para ele, a premiação não foi uma surpresa. “Eu almejei, treinei e me dediquei, por isso conquistei o Prêmio Brasil Olímpico”, comenta.
Aluno da Escola Estadual Padre Ernesto Camilo Barreto, em Cuiabá, o estudante está finalizando o ensino médio e pretende atuar na área de direito ou de jornalismo. Mas os planos acadêmicos e profissionais dividem espaço com os sonhos de um futuro promissor no esporte. E apesar das incertezas pela falta de propostas, Guilherme tem confiança de que sua dedicação siga lhe trazendo bons resultados.
“Na minha mente todos os dias só vem a luta, acordo pensando nisso e vou dormir pensando em como melhorar. Tenho certeza que vou colher bons frutos pois trabalho para isso. Meu sonho é ser um campeão olímpico, o primeiro da história pro Brasil”, declara confiante.
Na premiação do COB, o jovem atleta, que começou aos cinco anos no judô e jiu-jitsu, esteve ao lado dos principais atletas olímpicos, treinadores e personalidades esportivas do país. Campeões olímpicos, mundiais e pan-americanos deram a Guilherme ainda mais convicção de que o reconhecimento vem para quem se esforça. E esforço ele tem de sobra.
O Prêmio Brasil Olímpico
Considerado o óscar do esporte nacional, o Prêmio Brasil Olímpico foi instituído em 1999 pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) para homenagear personalidades que ajudaram a construir a história esportiva brasileira.
Neste ano, a cerimônia de premiação aconteceu no dia 10 de dezembro, na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. O ginasta Arthur Nory e a pugilista Beatriz Ferreira foram eleitos como os Melhores Atletas de 2019 e o mesatenista Hugo Calderano venceu como o Atleta da Torcida.
Dentre os vencedores em cada modalidade também foram premiados: o goleiro Alisson Becker no futebol, Isaquias Queiroz na canoagem, Ágatha Rippel e Duda Lisboa no vôlei de praia, Kahena Kunze e Martine Grael na Vela e o surfista Gabriel Medina. Relação completa de premiados e homenageados – AQUI.
Outras homenagens foram prestadas a melhores técnicos do ano, ídolos do esporte nacional que passam a integrar o Hall da Fama do COB, além de um ex-atleta com o Troféu Adhemar Ferreira da Silva.
O Prêmio Brasil Olímpico consagrou ainda os medalhistas dos Jogos Pan-americanos Lima 2019 e destacou a confirmação do terceiro lugar da equipe brasileira no revezamento 4x100m rasos em 2008, nas Olimpíadas de Pequim.
Vicente Lenilson à esquerda na premiação – Foto por: Alexandre Loureiro-COB
Casado com a atleta mato-grossense Cida de Lima e morador de Cuiabá desde 2013, Vicente Lenilson fez parte da equipe homenageada pela merecida medalha de bronze nos Jogos Olímpicos. Junto com Bruno Lins, José Carlos Moreira (Codó) e Sandro Viana, o atleta recebeu a medalha olímpica após a comprovação do doping de um dos integrantes da equipe jamaicana que levou a medalha de ouro há onze anos.
Único dos quatro atletas que já tinha uma medalha olímpica (prata em Sydney 2000), Vicente é hoje coordenador de Esporte de Participação e Rendimento da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) e atua também com um projeto social de atletismo no Instituto que leva seu nome, em Cuiabá.
Mato Grosso
Recursos da Feijoada Solidária garantem a entrega de mais de 600 cobertores na Baixada Cuiabana
Mato Grosso
Defensoria alerta para os primeiros sinais de violência contra a mulher
Com o aumento dos casos de violência psicológica, perseguição e tentativa de feminicídio, DPEMT destaca a importância de buscar ajuda no início para interromper ciclo

Por Alexandre Guimarães
A violência contra a mulher nem sempre começa com agressões físicas. Ameaças, perseguições, humilhações, controle da vida da vítima e o descumprimento de medidas protetivas são formas de violência que podem evoluir para situações ainda mais graves.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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