Mato Grosso
Aula inaugural de curso de graduação voltado para povo Xavante será nesta sexta (30)

A aula inaugural do curso de graduação em Licenciatura Intercultural Indígena, da Faculdade Indígena Intercultural (Faindi), da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) no município de Canarana, será realizada nesta sexta-feira (30.08).
O curso de Licenciatura Intercultural Indígena será o sexto da Faindi para indígenas mato-grossenses, mas o primeiro a ser ofertado totalmente em território indígena e também direcionado especificamente para o povo Xavante. A graduação tem como objetivo formar professores para atuar nas terras indígenas da etnia. O curso tem duração de quatro anos.
Atualmente, a Faindi já oferta cinco cursos de graduação por meio da pedagogia da alternância, onde parte da formação se dá em um campus da Unemat, e a outra nas aldeias indígenas.
A formação será ofertada para 60 alunos, na Aldeia Caçula na Terra Indígena Pimentel Barbosa, em Canarana.
A pró-reitora de Ensino de Graduação, Nilce Maria, e a equipe da Pró-Reitoria de Ensino de Graduação (Proeg) participam da aula inaugural.
A oferta do curso é fruto da articulação da Unemat e Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação (MEC), por meio do Parfor Equidade.
O campus universitário Deputado Estadual Renê Borbour e a Faindi são os responsáveis pela execução do curso na aldeia Caçula. A Unemat conta com a parceria das prefeituras municipais de Canarana e de Ribeirão Cascalheira, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e da Secretaria de Estado de Educação (Seduc).
O Parfor Equidade visa formar professores em licenciaturas específicas para atendimento das redes públicas de educação básica ou das redes comunitárias de formação por alternância, que ofereçam educação escolar indígena, quilombola e do campo, educação especial inclusiva e educação bilíngue de surdos.
Faculdade Intecultural Indígena (Faindi)
A causa indígena faz parte da constituição histórica da Unemat. A instituição foi pioneira no atendimento às populações indígenas em cursos superiores específicos e diferenciados, ofertados desde 2001. Nesse percurso de mais de duas décadas, a formação de professores indígenas em nível de graduação já é uma prática consolidada na Unemat e se tornou referência no Brasil e na América Latina pela valorização étnica.
Desde 2020, a Unemat também oferta formação em nível de mestrado para os povos indígenas, com o Mestrado Profissional em Ensino em Contexto Indígena Intercultural.
Além destes cursos, especificamente destinados aos povos indígenas, a Unemat conta com o sistema de cotas que reserva 5% das vagas em quaisquer cursos para alunos indígenas, desde 2016.
Serviço
Data: 30/08/2024
Horário: 8 horas
Local: Aldeia Caçula – Território Indígena Pimental Barbosa, Canarana (MT).
Faindi Telefones: (65) 3361-6463 / (65) 99989-2245
Fonte: Governo MT – MT
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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