Mato Grosso
Bairro Integrado fecha ano com aprovação nas escolas
O projeto Bairro Integrado encerrou as atividades em 2018 com uma edição na Escola Estadual Leovegildo de Melo, no CPA 3, nesta sexta-feira (30.11). Cerca de mil alunos participaram das palestras e atividades interativas realizadas pela Secretaria de Estado de Segurança (Sesp) e instituições parcerias. Com mais de seis mil estudantes atendidos neste ano, o projeto levou noções de cidadania, combate à violência e segurança no trânsito para escolas em áreas de vulnerabilidade social.
A integração entre as forças de segurança, a escola e as famílias é um dos pilares do projeto, que tem entre os objetivos estimular os bons exemplos junto às crianças e adolescentes, além de reafirmar a autoridade dos professores e funcionários das escolas. “Acreditamos que a educação transforma o mundo, mas que os professores precisam de ajuda para que essa transformação aconteça”, afirma o secretário de Estado de Segurança, Gustavo Garcia.

Nas cinco escolas que participaram do primeiro ano do projeto, a aprovação das atividades foi unânime, com pedidos para que em 2019 a ação permaneça. “Nós já fazemos um trabalho com os alunos para evitar a entrada no mundo das drogas e a gravidez precoce, mas quanto mais parcerias tivermos nesse sentido, melhor. Queremos no próximo ano o Bairro Integrado de novo na nossa escola, porque é um projeto muito bom para todos”, afirma a coordenadora da Escola Estadual Leovegildo de Melo, Antônia Dias das Neves.
Professora de Língua Portuguesa na escola que recebeu o projeto nesta sexta-feira, Noeli de Souza acredita que esse trabalho conjunto trará bons frutos. “Estávamos precisando desse tipo de ação e dá para ver o interesse dos alunos nas carreiras da segurança. Precisamos mostrar que a polícia está aqui para nos ajudar e que é um exemplo que os alunos podem se inspirar. É uma parceria que precisamos sempre e espero que ano que vem volte a nos atender”.
Para Gustavo Garcia, a resposta positiva ao projeto é um demonstrativo de que este é o caminho a ser seguido, pois a Sesp deve atuar não apenas na repressão, mas também na prevenção da entrada das crianças no mundo do crime. “A escola é uma referência positiva, mas sozinha não consegue mudar a realidade. E por isso é necessária essa aproximação das forças da Segurança Pública com a comunidade. Nos sentimos muito honrados quando alguém que participa do Bairro Integrado elogia o nosso trabalho, porque defendemos as pessoas por amor e receber esse reconhecimento é uma forma de valorização”.

Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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