Mato Grosso
Câmara de Defesa da Mulher define focos de atuação a partir de diagnóstico
Violência sexual, violência doméstica e familiar, lesão corporal e feminicídio. Estes são os quatro pontos prioritários de atuação definidos pela Câmara Temática de Defesa da Mulher da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT). Os focos resultaram de um diagnóstico situacional validado pelas representantes dos órgãos que compõem o grupo, nesta segunda-feira (23.09). A atividade é um dos passos de construção do Planejamento Estratégico da Câmara.
Por meio de um questionário online, os participantes indicaram as prioridades dentro da violência de gênero praticada contra a mulher. A perita criminal Patrícia Fachone, que coordena os trabalhos, explicou que esta priorização é importante para nortear a atuação da Câmara Temática, mas não significa que as demais variações da violência contra a mulher serão deixadas de lado. “Procuramos focar nos apontamentos que apareceram mais vezes no questionário e que merecem mais atenção neste primeiro momento, visando garantir maior efetividade”.
As principais causas da violência de gênero praticada contra a mulher apontadas pelo diagnóstico foram: falta de informação das vítimas, cultura patriarcal, cultura machista de objetificação da mulher, medo e vergonha, dependência econômica e tolerância social. Esta fase também constatou que o álcool, as drogas e os ciúmes são os gatilhos mais comuns, ou seja, não são os causadores, mas impulsionam um ato de violência.
A aplicação do questionário também contemplou as causas dos problemas na esfera pública da política de atendimento às vítimas. Foram considerados como mais urgentes a qualificação deficitária, falta de vagas para profissionais que prestam o atendimento e em casas de abrigo, e falta de políticas que envolvam o agressor. Nas considerações finais, por exemplo, o diagnóstico frisou que “grupos reflexivos de homens são instrumentos importantes para conscientizar, assim como a educação de crianças e jovens para uma cultura não violenta”.
Na avaliação da coordenadora da Câmara Temática de Defesa da Mulher da Sesp-MT, Jozirlethe Criveletto, o planejamento estratégico é fundamental para continuar avançando no combate à violência. “A criação deste grupo, em 2017 foi o ponto de partida crucial. Desde então, tivemos a implementação da Patrulha Maria da Penha, a ampliação de delegacias especializadas pelo estado e, nos lugares onde não há, a criação de núcleos de atendimento à mulher, também incluímos o campo vínculo no sistema de registro de BO, e com as ações contempladas em um planejamento conseguiremos avançar muito mais”, frisou a delegada.
Próxima fase
Com o diagnóstico pronto, a próxima fase consistirá em entrevistas individuais com os representantes dos órgãos e instituições que compõem a Câmara, quais sejam: Núcleo de Defesa da Mulher da Defensoria Pública de Mato Grosso, Conselho Estadual de Defesa da Mulher, Polícia Judiciária Civil (PJC-MT), Polícia Militar (PM-MT), Corpo de Bombeiros Militar (CBM-MT), Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec), Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT), Secretaria de Estado de Trabalho e Assistência Social (Setasc), Tribunal de Justiça (TJMT), Ministério Público Estadual (MPE), Secretarias Municipais de Saúde e de Assistência Social de Cuiabá, entre outros.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
Mato Grosso
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