Mato Grosso
Centenas de pessoas participaram da 1º feira realizada no Memorial Rondon
Os expositores foram chegando devagar e em poucos minutos já ocupavam todoo o piso térreo da estrutura do Memorial Rondon, que fica no distrito de Mimoso (a 123 km de Cuiabá), em Santo Antônio de Leverger. Eles traziam produtos da agricultura familiar, artesanatos, utilidades domésticas e quitutes diversos para comercializar na 1ª Feira de Exposição e Venda de Artesanato e Produtos da Agricultura Familiar. O evento reuniu centenas de pessoas no sábado (25), e segue até domingo (26), a partir das 8h. Desde que o local foi reaberto, no começo deste mês, é a primeira vez que a comunidade utiliza o prédio.
Elenice da Silva Pinto, 64, é moradora da região do Aricá e conta que aprovou a ação, realizada por meio de uma parceria entre a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), prefeitura e câmara municipal. Ela trabalha com feltro, chinelos decorados e diz que não há muitos espaços para comercialização no município.

“Eu vou só na feira de Santo Antônio de Leverger, mas quero poder mostrar meu produto para pessoas de fora da cidade. Seria bom se esta feira fosse pelo menos duas vezes ao mês. Nos ajudaria muito porque chama os turistas”, declara.
Na barraca de Elenice, haviam brinquedos, chaveiros e enfeites costurados a mão. Ela também customiza chinelos e afirma que atualmente, os desenhos mais procurados são de girassol.
Biscoitos e broinhas
O francisquito é certamente o biscoito mais procurado na barraca de Bete Lara, que tem uma pequena fábrica na cidade de Santo Antônio e atende além do município, a capital. Ela estava expondo na feira e fala que quando o público é regional, a preferência é certa.
Com relação aos demais produto que caíram no gosto dos fregueses, na avaliação do quituteira, está a goibinha, que encanta as crianças por causa do pingo de doce de goiaba no topo e o tradicional casadinho, tanto com recheio de goiaba como doce de leite.
Além das feiras, a empresária gosta de participar das festas, onde consegue também ter bons lucros.
Tanto Bete como Elenice tiveram o apoio da prefeitura e da câmara de vereadores para ir até o local. Ônibus foram disponibilizados pelo poder executivo e legislativo para fazer a coleta dos artesãos e produtores rurais.
O prefeito Valdir Pereira de Castro Filho diz que os moradores da região estão vendo com bons olhos a nova gestão estadual. Ele argumenta que nunca houve a inclusão da população pantaneira no espaço e atualmente, todos estão entusiasmados com a possibilidade do memorial se tornar um ponto de comercialização de produtos artesanais e da agricultura familiar e ainda da realização de festas e eventos, o que movimentará a economia local.
“Lembramos que o projeto está embrionário e os próximos passos estão ligados a oferta de serviços da assistência social e ainda a instalação, pelo menos uma vez ao mês, do gabinete itinerante da prefeitura, bem como atendimentos da Câmara Municipal de Vereadores de Santo Antônio de Leverger”.

Para o secretário-adjunto de Turismo, Jefferson Moreno, apenas com o fortalecimento da parceria será possível tornar o memorial um aparelho útil dentro de toda a sua potencialidade. Ele lembra que desde o começo da gestão, houve uma série de obstáculos para a reabertura do local, mas todos foram transpostos. “Queremos que o prédio e suas funcionalidades sejam absorvidas pelos habitantes. Assim, os turistas terão uma pequena experiência do que é ser pantaneiro com atrativos culturais e o contato direto com as pessoas”.
A programação inclui ainda atrações musicais no final de tarde.
O projeto
Além da feira, o projeto contempla um espaço para exposições, que é gerido pela Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer. Nele, está a exposição permanente em memória ao marechal Cândido Rondon, que recebeu mais de 200 pessoas desde a reabertura do local, em 5 de maio.
Parceiros
São apoiadores no evento: Prefeitura de Santo Antônio de Leverger, Câmara Municipal de Santo Antônio de Leverger, Associação de Moradores de Mimoso, Associação de Amigos da Sala de Memória Rondon e Familiares, Escola Estadual Santa Claudina, Secretaria de Estado de Cultura, Esportes e Lazer, Empaer e Correios.
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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