Mato Grosso
Comunicado de venda de veículos pode ser feito em cartórios
A tecnologia que permite o trâmite entre Detran e cartórios foi desenvolvida por empresa mato-grossense

Louder Mendes
A partir de agora, a comunicação de venda de veículos ficou muito mais rápida e prática em Mato Grosso. Pode ser feita diretamente nos cartórios quando for reconhecer firma do Documento Único de Transferência (DUT). A operação, que já acontece em alguns estados do Brasil, já era prevista no termo de parceria entre o Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran-MT) e a Associação dos Notários e Registradores do Estado de Mato Grosso (Anoreg), assinado pelo governador Mauro Mendes no ano passado, mas permeada por muita burocracia.
Uma empresa mato-grossense desenvolveu um módulo em seu software que permite que o comunicado entre o cartório e o Detran seja feito em tempo real, dando mais comodidade ao comprador e segurança ao vendedor de veículos. O comprador tem a segurança de que o carro já é seu, ainda que a transferência ainda não tenha sido formalizada. E o vendedor está seguro de possíveis infrações ou sinistros no veículo vendido.
“O software faz a comunicação aos Servidores de Dados do Detran-MT e permite que os cartórios tenham as informações referentes ao cadastro do veículo no órgão, em tempo real, ou seja, pode ver se o bem está livre para transferência ou se existe algum impedimento. Não havendo impedimentos o cartório informa os dados do comprador do veículo”, explica o diretor executivo da On Line Engenharia de Sistemas, Louder Mendes, empresa que desenvolveu o software.
A comunicação de venda garante ao antigo proprietário a isenção de toda e qualquer responsabilidade por infrações e reincidências, de qualquer natureza, praticadas a partir da data da comunicação de venda, bem como a responsabilidade civil por danos em caso de acidentes posteriores à data da comunicação da transferência. Assegura também ao comprador que infrações ou pendências anteriores à venda não sejam de sua responsabilidade.
A obrigatoriedade de ir até o cartório sempre existiu, para fazer reconhecimento de firma de vendedor e comprador. Porém, no modelo antigo, os dois (vendedor e comprador) precisavam ir até o Detran para fazer a comunicação de venda, e quem comprou, fazer a transferência para o nome do novo proprietário. Agora, os proprietários dos veículos podem fazer a comunicação de venda direto no cartório. Somente quem comprou precisa comparecer, para realizar a transferência.
Para a tabeliã do Cartório do 2º ofício de Barra do Bugres, Niuara Ribeiro Roberto Borges, é importante que, cada vez mais, a tecnologia seja uma aliada para tornar ágil o acesso a determinados serviços. A tabeliã destaca, ainda, que o custo é muito baixo para fazer os dois serviços no cartório, um valor que gira em torno de R$ 67,00.
“A praticidade, a comodidade e a segurança jurídica para o cliente são as vantagens de se fazer o comunicado de venda no cartório. Então, como o proprietário do veículo já tinha que ir ao cartório reconhecer firma, agora ele já aproveita e faz o comunicado de venda, rápido e fácil. Uma medida que o resguarda de multas e outros problemas. O software que utilizamos oferece uma tecnologia inovadora que trouxe praticidade a este serviço nos cartórios, pois o tempo gasto para fazer o reconhecimento de firma e a comunicação de venda é muito rápido”, afirma Niuara Borges, que ainda compõe a diretoria da Anoreg-MT.
“Esta tecnologia está disponível a todos os cartórios de Mato Grosso. O módulo de Comunicação de Venda ao Detran-MT é oferecido aos nossos clientes sem custo adicional, pois o nosso intuito é agregar mais um serviço a ser oferecido à sociedade pela nossa plataforma, ajudando nossos parceiros a atender melhor seus clientes”, conclui Louder Mendes.
Apesar da disponibilidade, os cartórios ainda estão em fase de implantação. Os municípios que já contam com o sistema são: Cuiabá (Cartório do 7º Oficio), Várzea Grande (Cartório do 2º Oficio), Barra do Bugres e Lucas do Rio Verde.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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