Política MT
CPI apresenta proposta de legislação para regular empréstimos consignados
Pouco mais de oito meses após sua criação, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Consignados concluiu seus trabalhos e apresentou, nesta quarta-feira (12), um Projeto de Lei com o objetivo de regular as consignações em folha de pagamento dos servidores, militares (ativos e inativos) e pensionistas do Poder Executivo Estadual. Caso a proposta seja aprovada, Mato Grosso passará a ser o segundo estado do país a disciplinar a matéria por meio de lei específica.
O texto apresentado pela CPI inclui medidas para evitar o superendividamento dos servidores públicos estaduais e garantir o cumprimento dos seus direitos. Dentre as principais, está a proibição de contratações de cartões de crédito consignados.
Conforme o presidente da comissão, deputado estadual Guilherme Maluf (PSDB), durante os trabalhos constatou-se que esse tipo de contratação é uma das grandes responsáveis pelo endividamento extremo dos servidores, uma vez que pode comprometer em até 15% suas remunerações líquidas, além do limite de 30% estabelecido para pagamento de empréstimo consignado.
“Muitos servidores contratam cartão de crédito consignado acreditando se tratar de empréstimo consignado. Com isso, acabam comprometendo 45% de suas rendas e a dívida se torna impagável, devido às altas taxas de juros cobradas”, relatou.
Além disso, os correspondentes bancários contratados pelas instituições financeiras não poderão promover qualquer tipo de propaganda que incentive a contratação de empréstimos consignados. Ao contrário, terão que realizar ações de estímulo à educação financeira, de modo a evitar o superendividamento.
“A CPI cumpriu sua missão. Durante os trabalhos, conseguimos, através de denúncias, pesquisas e oitivas dos representantes de sindicatos, instituições bancárias, empresas intermediadoras e governo, sistematizar os principais pontos que levaram e levam os servidores públicos do estado a comprometerem sua estabilidade financeira e emocional. Com base nisso, apresentamos um relatório com importantes apontamentos para a mudança do cenário atual, garantindo aos servidores mais segurança, transparência, tranquilidade e equilíbrio durante a contratação do empréstimo consignado”, afirmou Guilherme Maluf.
Segundo dados levantados durante os trabalhos da CPI, o montante total de dívida dos servidores é de aproximadamente R$ 2 bilhões.
Transparência
Para assegurar maior transparência às informações prestadas aos servidores, o Projeto de Lei proposto pela CPI inclui novas obrigações às consignatárias, como a de apresentação de um ranking de juros cobrados por todas as instituições financeiras. Dessa forma, os servidores terão ciência do cenário e poderão decidir qual o melhor empréstimo a ser contratado.
As consignatárias que quiserem atuar em Mato Grosso deverão ainda disponibilizar ao menos um posto de atendimento presencial ao servidor. Atualmente, esse serviço é prestado somente por telefone ou pela internet, o que dificulta o acesso de muitos.
Cadastro
Além de definir as pessoas jurídicas que poderão figurar como consignatárias, a CPI estabeleceu a necessidade de cadastramento das mesmas junto à unidade de cadastro de fornecedores do Estado de Mato Grosso, bem como o direito ao Governo do Estado de determinar, a qualquer tempo, o recadastramento das mesmas e de solicitar os registros de seus associados, filiados ou congêneres.
Seguro
Incluiu ainda a obrigatoriedade de contratação de seguro para garantir que, na hipótese de falecimento do servidor, a dívida seja considerada quitada.
Fundesp
A proposta apresentada pela CPI retira dos servidores e repassa às consignatárias a obrigatoriedade de pagamento da contribuição ao Fundo de Desenvolvimento do Sistema de Pessoal (Fundesp).
Penalidades
As consignatárias que descumprirem o contrato ou que lesarem o servidor da ativa, aposentado, pensionista ou inativo poderão ser penalizadas com uma advertência, suspensão dos serviços por até 90 dias, descredenciamento do sistema digital de consignações por até 2 anos ou até mesmo serem declaradas inidôneas para operarem consignações em folha de pagamento da Administração Pública Estadual por um período de 5 anos.
Demais encaminhamentos
As informações levantadas pela CPI serão encaminhadas ao Ministério Público Estadual e Ministério Público Federal e às entidades de defesa do consumidor para que sejam tomadas as devidas providências.
Ao Poder Executivo Estadual, a CPI recomenda que seja realizada a imediata revisão dos contratos de consignações e que seja estabelecido um cronograma para que as instituições financeiras apresentem os valores pagos, a pagar e pendentes dos servidores.
Além do Projeto de Lei, também foi apresentado um Projeto de Resolução, que tem como finalidade a aprovação do relatório final da CPI. Ambos os projetos serão lidos em Plenário e, posteriormente, encaminhados para análise das comissões e votação.
Além do deputado Guilherme Maluf, também compõem a CPI os deputados Adalto de Freitas (PATRI), professor Allan Kardec (PDT), Pedro Satélite (PSD) e Gilmar Fabris (PSD), além dos suplentes Wagner Ramos (PSD), Oscar Bezerra (PSB), Wancley Carvalho (PV), Max Russi (PSB) e a deputada Janaína Riva (MDB).
Política MT
Justiça proíbe Valdir Barranco e Site de VG de publicarem conteúdos mentirosos contra Mauro Mendes
Juiz considerou que deputado apresentou como fato consumado suposta apropriação de dinheiro público e que portal ampliou a acusação

Juiz considerou que deputado apresentou como fato consumado suposta apropriação de dinheiro público e que portal ampliou a acusação
A Justiça Eleitoral proibiu o deputado estadual Valdir Barranco (PT) e o site VG Notícias de publicarem mentiras em que acusam Mauro Mendes de se apropriar de recursos públicos relacionados ao caso da operadora Oi. A decisão foi assinada nesta segunda-feira (17) pelo juiz auxiliar da propaganda do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), Flávio Fraga e Silva.
O deputado e a proprietária do site VG Notícias, Edina Ribeiro de Araújo, foram obrigados a retirar o conteúdo em até 24 horas. No caso do portal, a decisão determina a remoção da matéria e do reel publicados sobre a declaração de Barranco, sob pena de multa diária de um salário mínimo. Barranco também fica proibido de repetir a acusação por qualquer meio ou veículo.
Ao analisar a declaração de Barranco, o magistrado afirmou que o deputado não se limitou a fazer críticas políticas ou questionar a investigação, mas atribuiu diretamente a Mauro Mendes a prática de um crime.
“A existência de procedimento criminal, ainda que real e amplamente noticiada, como no caso da Operação Heritage, não autoriza, por si só, a antecipação de juízo de culpabilidade dos alvos da investigação”, asseverou o magistrado.
O juiz analisou ainda a atuação do VG Notícias, que publicou a declaração de Barranco e reproduziu o conteúdo em suas redes sociais. Para o magistrado, o portal não apenas noticiou a fala, mas ajudou a amplificá-la.
“Verifica-se que sua conduta não se limitou à cobertura jornalística neutra de declaração de terceiro. Ao selecionar, editar, titular, elegendo a própria imputação criminosa como manchete (‘Eles sabem que panharam’) e amplificar o conteúdo em dois suportes distintos (portal e Instagram) emprestou à acusação o alcance, a permanência e a credibilidade institucional de veículo de imprensa”.
Por isso, a Justiça determinou que o VG Notícias retire a matéria e o reel do ar em até 24 horas e não volte a publicar o mesmo conteúdo ou material substancialmente idêntico. Barranco também fica impedido de repetir a acusação, embora possa continuar criticando Mauro Mendes, mencionar a investigação e cobrar esclarecimentos, desde que não apresente culpabilidade como fato consumado.
Política MT
Eleição por W.O.? Impugnações e articulações levantam debate sobre a disputa pelo Governo de MT

Foto: Assessoria
A movimentação política em Mato Grosso para as eleições de 2026 reacende uma discussão importante: é saudável para a democracia uma eleição com apenas um candidato competitivo, sem adversários capazes de questionar suas propostas, sua trajetória e seu projeto de poder?
O debate ganha força diante da lembrança das eleições de 2022, quando Neri Geller teve a candidatura ao Senado indeferida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), deixando o caminho aberto para a vitória de Wellington Fagundes.
Agora, no cenário de 2026, novas movimentações jurídicas e políticas colocam a disputa pelo Governo de Mato Grosso no centro das atenções.
“Nosso partido apresentou à Justiça Eleitoral um pedido de impugnação do registro de candidatura de Otaviano Pivetta, com base em uma condenação relacionada ao caso conhecido como ‘Máfia das Ambulâncias’.”
O pedido de impugnação, entretanto, deve ser tratado como uma iniciativa apresentada à Justiça Eleitoral, e não como uma decisão definitiva sobre a elegibilidade de Pivetta. Há registros públicos de que o político já enfrentou questionamentos eleitorais relacionados a processos envolvendo recursos públicos e também de que foi absolvido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região em uma ação penal ligada à chamada “Máfia das Ambulâncias”. Disse o candidato ao governo Wellington Fagundes ao final do debate na manhã desta terça-feira (18) no site Primeira Página.
É justamente nesse ambiente de disputas jurídicas, articulações partidárias e possíveis candidaturas que surge uma questão política mais ampla:
Uma eleição sem adversário forte é realmente uma boa eleição?
Democracia pressupõe disputa. É o confronto entre projetos que permite ao eleitor comparar propostas, questionar promessas, avaliar trajetórias administrativas e conhecer diferentes alternativas para o futuro do Estado.
Uma eleição transformada em espécie de “W.O. eleitoral” pode ser eleitoralmente conveniente para quem está na dianteira, mas levanta questionamentos legítimos sobre a qualidade do debate público e sobre o espaço dado ao eleitor para escolher entre diferentes projetos.
O ponto não é defender este ou aquele candidato. O ponto é defender o direito do eleitor de ter alternativas e de assistir a uma disputa efetiva.
Se um candidato é questionado judicialmente, cabe à Justiça Eleitoral analisar os fatos e decidir dentro da legislação. Se outro candidato enfrenta impugnação, cabe igualmente à Justiça avaliar o caso. E, acima de tudo, cabe ao eleitor acompanhar as decisões, os argumentos e as propostas.
Por isso, fica a pergunta para o eleitor mato-grossense:
É salutar para a democracia uma eleição com candidato único ou praticamente sem adversário?
Ou Mato Grosso precisa de uma eleição com debate, confronto de ideias, fiscalização, críticas e alternativas reais, para que o eleitor possa escolher — e não simplesmente confirmar um nome?
No final, eleição não deveria ser uma corrida em que se comemora a ausência de concorrentes.
Deveria ser uma disputa em que o eleitor tenha opções, conheça os argumentos de cada lado e seja, de fato, o protagonista da decisão.
Política MT
Coletiva: Pedro Taques apresenta documentos e cronologia sobre acordo milionário entre MT e Oi S.A.
Advogado apresentará documentos protocolados desde 2025 e demonstrará que os fatos investigados hoje pela Polícia Federal já haviam sido levados ao Poder Judiciário e aos órgãos de controle por meio de Ação Popular e representações institucionais.

Assessoria
O advogado, ex-senador e ex-governador Pedro Taques concederá coletiva de imprensa nesta quinta-feira (06.08), às 15h, no escritório AFG & Taques, em Cuiabá, para apresentar a cronologia das medidas judiciais e administrativas adotadas desde 2025 em relação ao acordo firmado entre o Estado de Mato Grosso e a empresa Oi S.A., que resultou no pagamento de R$ 308 milhões em recursos públicos.
A coletiva ocorre após a deflagração da Operação Heritage, da Polícia Federal, que investiga suposto esquema de desvio de recursos públicos relacionado ao mesmo acordo e cumpriu mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares como bloqueio de bens, quebra de sigilos bancário e fiscal, recolhimento de passaportes e proibição de contato entre investigados. As investigações apuram, em tese, crimes como organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.
Taques apresentará os documentos protocolados antes da operação policial, entre eles a Ação Popular e as representações encaminhadas à Procuradoria-Geral da República, Procuradoria-Geral de Justiça, Tribunal de Contas do Estado, Assembleia Legislativa, Comissão de Valores Mobiliários e Conselho Nacional de Justiça, todos relacionados ao mesmo conjunto de fatos investigados pelas autoridades.
Taques também detalhará os principais fundamentos jurídicos das medidas adotadas, incluindo os questionamentos acerca da legalidade do Termo de Autocomposição firmado entre o Estado e a empresa Oi S.A., da forma de pagamento realizada, da utilização de cessões sucessivas de direitos creditórios e da circulação dos recursos por fundos de investimento e empresas privadas, conforme descrito na Ação Popular e nas representações encaminhadas aos órgãos de controle.
Segundo o advogado e ex-governador, o objetivo é prestar esclarecimentos à sociedade, apresentar a sequência cronológica das providências adotadas e contribuir para o debate público com transparência, sempre respeitando a atuação independente da Polícia Federal, do Ministério Público e do Poder Judiciário.
Ele reforça a importância da atuação persistente das instituições e da sociedade no controle da administração pública:
“Quando muitos diziam que esse caso não daria em nada, eu continuei reunindo documentos, protocolando ações e provocando as instituições. Nunca desisti porque sempre acreditei que o dinheiro público pertence à sociedade e deve ser protegido. Vou acompanhar esse caso até o fim para que todos os fatos sejam esclarecidos e os responsáveis, se houver responsabilidade comprovada, respondam na forma da lei”.
COLETIVA DE IMPRENSA
Assunto: Operação Heritage – Cronologia das denúncias e documentos apresentados pelo advogado Pedro Taques
Data/Horário: 06/08 (quinta-feira), 15h
Local: Escritório AFG & Taques Advogados Associados, Av. Bosque da Saúde, nº 322, Bairro Bosque da Saúde, Cuiabá (MT)
Fonte: Da Assessoria AFG & Taques
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