Mato Grosso
Cultivo de flores tropicais é oportunidade de negócio para agricultura familiar
Com a participação de 45 agricultores familiares da Baixada Cuiabana, a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) realizou, nesta quinta-feira (06.12), a Oficina de Incentivo ao Cultivo de Flores Tropicais. O objetivo da oficina foi despertar e incentivar o desenvolvimento da floricultura no Estado com a produção de flores tropicais e folhagens.
De acordo com a pesquisadora da Empaer, Eliane Forte Daltro, a floricultura representa um dos mais promissores segmentos do agronegócio contemporâneo, o mercado mundial movimenta valores acima de U$ de 5 bilhões em exportações. Segundo Daltro, a floricultura comercial abrange o cultivo de flores e plantas ornamentais com variados fins que incluem desde as culturas de flores para corte, produção de mudas arbóreas e as de porte elevado. Envolve a produção, o comércio e a distribuição de flores e plantas cultivadas com fim ornamental.
Durante a oficina, ela destacou o potencial de expansão da atividade, voltada tanto para o mercado interno quanto para exportação, como uma oportunidade promissora para os agricultores familiares. A Empaer desenvolve pesquisas com flores tropicais desde 2009, no Campo Experimental da empresa no município de Acorizal (62 km ao Norte de Cuiabá), com as variedades Estrelícia, Helicônias, Bastão do Imperador, Alpinia e Antúrio. “O Estado possui excelentes características de solo, clima e localização geográfica privilegiada para o desenvolvimento de uma floricultura eficiente e competitiva”.
As plantas ornamentais tropicais, flores e folhagens destinadas ao corte são perenes, apresentam porte, formas exóticas e de durabilidade. Plantas destinadas principalmente para arranjos florais e paisagismo despertaram uma oportunidade de negócio. Ex-bancário, o agricultor familiar Paulo Benetti, possui uma área de quatro hectares com o cultivo de 15 variedades de flores tropicais, localizada no município de Cuiabá, na Comunidade Olho d’água, e produz em média 1.200 flores por mês.
O produtor Benetti fala que em Mato Grosso a produção de flores tropicais ocupa uma área pequena de apenas 10 hectares. Ele espera que em alguns anos a área atinja pelo menos 30 hectares com o cultivo das flores. “Existe um mercado que comportaria uma produção acima de 5 mil flores por mês. Hoje somos em apenas seis produtores e esse número pode aumentar”, destaca.
Paulo salientou que no próximo ano a expectativa é a criação de uma cooperativa para expansão da produção, ou seja, produzir conforme solicitação do mercado. A produtora rural Geni Maria Gonçalves (70), da Comunidade Ninho das águias, localizada no município de Nossa Senhora do Livramento, também é uma das pioneiras no cultivo, e possui uma área de três hectares com o plantio de flores tropicais. “Estou na atividade desde 2010 e acredito no potencial do cultivo como fonte de renda”, comenta Geni.
O evento contou com a participação de 80% de mulheres que vieram dos municípios de Poconé, Santo Antônio de Leverger, Acorizal, Rosário Oeste, Nossa Senhora do Livramento, Várzea Grande e Cuiabá. A produtora rural Rosangela Maria de Jesus, da Comunidade Quilombola Mata Cavalo, ficou empolgada com as informações e pensa na possibilidade de investir em flores tropicais. Rosangela está iniciando um pequeno viveiro em sua propriedade com o cultivo de rosas e já comercializa a produção.
Cultivo remunerado
A pesquisadora Eliane esclarece que a atividade de produção de flores possibilita múltiplas formas de exploração e diversidade de cultivo que podem ser: produção de flores de corte, plantas envasadas, folhagens, plantas de interior e viveiros de produção de mudas para jardins. As condições de produção do Brasil, dotado de diversidade de solo e clima, permitem o cultivo de grande número de espécies de comprovada qualidade e beleza.
A floricultura tropical é uma atividade geradora de emprego e renda, fixadora de mão-de-obra no campo e alternativa de diversificação da produção em propriedades rurais e áreas impróprias para outras atividades agropecuárias, promovendo o rápido retorno do capital empregado em face do ciclo curto da maioria das plantas cultivadas, possibilitando uma remuneração acima da média.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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