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Educação: como preparar o filho para um novo ciclo letivo?
Especialistas explicam como famílias podem apoiar crianças, adolescentes e jovens na adaptação às novas etapas da vida escolar

Foto- freepik
A chegada de um novo ano letivo costuma trazer entusiasmo, mas também inseguranças, dúvidas e desafios para estudantes. Mudança de rotina, novas demandas acadêmicas, ambiente desconhecido e expectativas sociais podem impactar alunos de todas as idades. Segundo educadores, cada transição escolar, desde a Educação Infantil até o Ensino Superior, exige um tipo diferente de acolhimento, comunicação e organização.
O período de adaptação é um processo que envolve vínculo, tempo e escuta. Por isso, a participação ativa da família é fundamental para garantir bem-estar emocional e um início de ciclo mais tranquilo. Quanto mais os pais e responsáveis compreendem as necessidades específicas de cada fase, melhor conseguem apoiar os filhos.
A seguir, quatro educadores detalham orientações práticas para cada etapa da jornada educacional.
Adaptação para a Educação Infantil
Nos primeiros dias de escola, especialmente para crianças que nunca frequentaram um ambiente educativo, tudo é novo: pessoas, regras, espaços, horários e a separação dos pais. Esse momento pode despertar muita expectativa, mas também medo e insegurança. Por isso, o acolhimento cuidadoso e a previsibilidade são fundamentais. Quando o ambiente escolar transmite confiança e os responsáveis comunicam com transparência o que vai acontecer, a adaptação se torna mais leve e acolhedora.
Para ajudar nessa transição, vale apostar em pequenas estratégias que fazem toda a diferença. Antes de começar o ano letivo, leve a criança para conhecer o espaço: mostrar a sala, o pátio e os novos colegas ajuda a diminuir a estranheza. Um objeto como um brinquedo ou paninho também pode funcionar como um “elo” entre casa e escola, trazendo conforto nos momentos de insegurança. Se a escola permitir, os pais também podem acompanhar os primeiros dias de aula.
No Brazilian International School (BIS), em São Paulo (SP), esse cuidado é parte estruturante da rotina de início de semestre. A escola reserva dias exclusivos para receber apenas os alunos novos e suas famílias, antes do retorno dos estudantes veteranos. Esse tempo dedicado permite que a equipe acolha cada criança com calma, atenção individualizada e escuta ativa. Assim, famílias e escola começam a construir, juntas, um vínculo de confiança essencial para toda a trajetória escolar.
Segundo a coordenadora pedagógica da escola, Beatriz Martins, o vínculo é o eixo central do processo. “O início exige acolhimento e previsibilidade, e durante os primeiros dias é preciso ter paciência. A criança precisa sentir que está segura e que aquele ambiente é confiável. Além disso, manter uma rotina estável em casa, com horários regulares para dormir, comer e brincar, dá ao pequeno um senso de segurança que se reflete na escola. Quanto mais estabilidade emocional o adulto transmite, mais rapidamente a criança se organiza internamente”.
Adaptação para o Ensino Fundamental I e II
A entrada no Ensino Fundamental I marca um momento decisivo na vida escolar das crianças: é quando elas começam a consolidar hábitos de estudo, a conviver com diferentes professores e a lidar com rotinas mais estruturadas. O impacto dessa mudança é grande, especialmente para os pequenos, que vinham de uma rotina mais lúdica e flexível na Educação Infantil. É comum que, nas primeiras semanas, surjam dúvidas, cansaço ou comportamentos mais sensíveis, já que a criança está aprendendo a organizar o próprio material, acompanhar tarefas e se adaptar a um ambiente social mais complexo. “Essa fase exige tempo, acolhimento e paciência. A criança está ampliando seu repertório de autonomia e isso não acontece da noite para o dia”, destaca Eloísa Monteiro, coordenadora pedagógica da Escola Bilíngue Aubrick, de São Paulo (SP).
Para apoiar a adaptação, a recomendação é construir uma rotina previsível, com horários regulares para acordar, estudar, brincar e descansar. Além disso, conversas curtas e diárias podem ajudar o aluno a expressar sentimentos e a compreender os desafios que está enfrentando. “Já em casa, os responsáveis podem acompanhar o uso da agenda e revisar o material escolar, reduzindo a ansiedade e fortalecendo o senso de responsabilidade. Pequenas estratégias, como organizar juntos o que será levado para o dia seguinte ou criar um cantinho fixo de estudos, contribuem para que a criança entenda que o processo de aprender é contínuo e compartilhado entre escola e família”, acrescenta Eloisa.
Já no Ensino Fundamental II, a adaptação ganha novos contornos. A criança que antes dependia mais do adulto agora precisa lidar com uma exigência crescente por autonomia, além das transformações físicas, emocionais e sociais típicas da pré-adolescência e adolescência. O aluno passa a circular mais pela escola, tem professores diferentes para cada disciplina e começa a desenvolver estratégias próprias de estudo. Esse conjunto de mudanças pode gerar insegurança, dificuldade de concentração ou oscilação de humor.
Segundo a orientadora educacional da Aubrick, Isis Galindo, esse comportamento é esperado. “O estudante do Fundamental II vive um período de intensas transformações internas. Ele precisa de adultos que escutem, orientem e acolham, sem retirar a responsabilidade que é própria dessa fase”, explica. Ela reforça que os sentimentos dos alunos precisam ser acolhidos e reconhecidos, pois isso lhes dá segurança emocional. “Para os pais, o desafio é ajudar os filhos a compreender o que estão sentindo, orientá-los sobre como agir e apoiá-los a lidar com as frustrações e desafios que fazem parte do crescimento. Assim, eles se fortalecem para enfrentar as situações da vida e as mudanças naturais da faixa etária”.
Para tornar o processo mais leve, o diálogo precisa ser aberto, não apenas sobre tarefas escolares, mas sobre convivência, sentimentos e relações. A participação da família continua sendo fundamental, mas agora com foco em orientação, não em controle absoluto. “Criar metas realistas, acompanhar o calendário escolar, incentivar o uso consciente de tecnologias e apoiar a organização de materiais e estudos são atitudes que ajudam o aluno a se perceber mais competente. Quando o adolescente sente que tem voz, cria vínculos mais fortes e se engaja com mais confiança nas responsabilidades dessa etapa”, reforça Ísis.
Adaptação para o Ensino Médio
O Ensino Médio representa a etapa mais desafiadora da Educação Básica, marcada pelo aumento da carga horária, aprofundamento de conteúdos e o foco na preparação para vestibulares e para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Apesar dos estudantes serem maiores e mais independentes em sua organização geral, o início da fase final da vida escolar pede acompanhamento próximo, escuta e apoio.
“Logo no primeiro ano do Ensino Médio, os jovens se deparam com um ritmo de aula diferente do Ensino Fundamental, conteúdos mais densos, além do turbilhão de emoções e hormônios da adolescência. Nessa fase, o adolescente enfrenta diversas mudanças físicas e emocionais. Além disso, a pressão por desempenho pode se tornar um peso extra se não houver diálogo”, diz a Orientadora Educacional do Progresso Bilíngue, de Campinas (SP), Ana Júlia Gonzalez.
Para garantir uma transição tranquila, o suporte deve ser estratégico: as famílias devem orientar e ajudar a traçar o projeto de vida do jovem. É crucial incentivar a organização dos estudos, o equilíbrio entre a rotina acadêmica e o autocuidado, e a criação de um ambiente livre de distrações. Já a escola tem o papel de oferecer suporte pedagógico individualizado, revisões, avaliações diagnósticas, monitorias e recuperação paralela para que o aluno desenvolva a autonomia e sane possíveis déficits.
“A mensagem principal que os adultos devem passar é: o jovem não precisa ter todas as respostas agora, ou ter certeza de qual profissão seguir, por exemplo. Mas precisa estar aberto para construir um caminho de futuro, com consistência, comprometimento e apoio”, diz Ana Júlia.
Adaptação para o Ensino Superior
A entrada na universidade marca o início da vida adulta, exigindo do jovem um salto em autonomia e responsabilidade. Longe da estrutura do Ensino Médio, o estudante depara-se com um mundo novo de autonomia acadêmica, necessidade de gerenciar o próprio tempo e, muitas vezes, o desafio de viver longe da família. Embora a fase traga entusiasmo, é comum surgirem solidão, sobrecarga e ansiedade devido à mudança abrupta na dinâmica de avaliação e aprofundamento do conteúdo. O papel dos pais neste ciclo é fundamental, passando de controle para suporte emocional e logístico, incentivando a independência; mas sem assumir o papel do estudante na solução dos próprios problemas.
Para o coordenador pedagógico da Escola Internacional de Alphaville, de Barueri (SP), Peter Rifaat, esta é uma fase crucial de desenvolvimento identitário. “O jovem começa a se reconhecer como adulto. Apoiar a construção de rotina, a busca por tutoria e a participação em grupos de estudo ajuda muito nesse processo”.
O sucesso na adaptação depende da proatividade do universitário em montar um calendário próprio para planejar estudos e revisões, e em utilizar ativamente os recursos oferecidos pelas instituições de ensino, como serviços de apoio psicológico, tutoria e grupos de extensão. “É importante entender que não existe um jeito único de viver a faculdade. Cada trajetória é legítima”, finaliza Rifaat.
Os especialistas
Ana Julia Nunes Gonzalez é pedagoga formada pela PUC-Campinas e pós-graduada em Psicologia Escolar pela PUC-RS. Possui experiência docente em todos os segmentos da educação básica com ensino bilíngue. Atualmente atua como orientadora educacional do 9º ano e Ensino Médio, acompanhando o desenvolvimento acadêmico e socioemocional dos alunos e fortalecendo a parceria entre escola e família. Também lidera o pilar Future Pathways, que tem como propósito preparar os jovens para suas trajetórias acadêmicas e profissionais, desenvolvendo competências e promovendo, junto às famílias, escolhas conscientes sobre o futuro.
Beatriz Martins é educadora com mais de 30 anos de atuação na educação, sendo 18 deles em funções de liderança pedagógica, formando equipes, projetos e — principalmente — pessoas. Possui licenciatura plena pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduação pelo Instituto Singularidades. Atualmente atua como coordenadora pedagógica no BIS.
Eloisa Monteiro é pedagoga bilíngue, especializada em infâncias e apaixonada pelo desenvolvimento dos primeiros anos de vida. Seu olhar atento para a alfabetização em duas línguas e para as nuances do ensino bilíngue reflete seu compromisso em proporcionar experiências significativas às crianças. Coordenadora dedicada, Eloisa valoriza cada interação com os pequenos e suas famílias, acreditando que o acolhimento é a base para uma aprendizagem segura e afetiva. Para ela, a educação vai muito além do ensino — é um espaço de encontros, descobertas e construção de vínculos.
Isis Galindo é orientadora educacional da Escola Bilíngue Aubrick. Profissional com ampla trajetória na educação básica, com base na gestão educacional do Ensino Fundamental ao Ensino Médio, com especializações em Psicopedagogia, Neuropsicologia e Competências Socioemocionais e Formação da Personalidade Ética.
Peter Rifaat é educador e líder escolar com mais de 15 anos de experiência em educação internacional e bilíngue. É formado em Pedagogia e possui certificações internacionais, incluindo DELTA e CELTA (Cambridge), além de diversas certificações do IB. Atualmente, atua na Escola Internacional de Alphaville como Coordenador Pedagógico do Ensino Médio, Coordenador do Programa do Diploma IB, professor de TOK e integra a equipe de Orientação Universitária e de Carreira.
Nacional
Comissão aprova proposta para consórcios municipais de inovação

A Comissão de Ciência e Tecnologia e de Inovação da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 4076/25, do deputado José Medeiros (PL-MT), que autoriza municípios a celebrar convênios intermunicipais e contratar consórcios públicos para viabilizar projetos de tecnologia e inovação.
O texto altera a Lei de Inovação (Lei 10.973/04) para permitir que prefeituras se associem no desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores. A medida busca facilitar o acesso de municípios, principalmente os de menor porte, a soluções tecnológicas.
A Lei de Inovação já permite que entes da Federação formem alianças estratégicas para o desenvolvimento de inovações. Essas parcerias podem contemplar redes e projetos internacionais de pesquisa tecnológica, ações de empreendedorismo e criação de ambientes de inovação, como incubadoras e parques tecnológicos.
Medeiros afirmou que municípios de menor porte têm dificuldades para desenvolver projetos de inovação pela falta de recursos, escala e expertise. Segundo ele, é comum a contratação separada de empresas de consultoria, apesar de as carências serem compartilhadas por várias prefeituras. “Devido a essa falta de integração, há uma dificuldade muito grande para que essas unidades federativas possam identificar, contratar, desenvolver e incorporar serviços e produtos inovadores”, disse.
Aliança estratégica
O texto foi aprovado com alteração do relator, deputado Lucas Ramos (PSB-PE), para reforçar que os convênios e consórcios servem para viabilizar alianças estratégicas e desenvolvimento de projetos cooperativos. “A redação proposta reforça a segurança jurídica e a clareza do comando normativo, sem alterar o mérito da iniciativa, mas aprimorando sua aderência ao ordenamento vigente e sua aplicabilidade prática”, afirmou.
Para Ramos, a proposta dialoga diretamente com a necessidade de fortalecimento das capacidades institucionais locais, especialmente nos municípios de menor porte, por meio da atuação em rede e do compartilhamento de recursos, competências e infraestrutura.
Próximos passos
A proposta ainda será analisada, em caráter conclusivo, pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, precisa ser aprovada por Câmara e Senado.
Saiba mais sobre a tramitação de projetos de lei
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados
Nacional
Comissão pode votar regulamentação do trabalho por aplicativo; conheça a proposta

A comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a regulamentação dos serviços de transporte e entrega por aplicativo no país poderá votar, na próxima terça-feira (14), o parecer do relator, deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE), ao Projeto de Lei Complementar 152/25, do deputado Luiz Gastão (PSD-CE).
Em relação à primeira versão, de dezembro de 2025, o novo parecer publicado no último dia 7 de abril enfatiza ainda mais o caráter autônomo do trabalho e redefine a abrangência e o peso de certas obrigações. Segundo Coutinho, as mudanças refletem o resultado dos debates e o empenho por um consenso que permita a aprovação da matéria.
“O novo substitutivo materializa o esforço de buscar um texto politicamente viável que, ao mesmo tempo, mantenha conquistas importantes para os trabalhadores”, diz o relator no parecer.
A nova versão consolida o termo “trabalhador autônomo plataformizado”, reforçando que a relação intermediada pela plataforma não cria vínculo empregatício entre o trabalhador e a empresa ou o usuário.
O texto deixa claro o direito do trabalhador de gerenciar livremente seu tempo e de se cadastrar em múltiplas plataformas. Proíbe também metas de tempo mínimo de trabalho e punições para quem recusar serviços ou ficar offline.
Entre outras alterações, o substitutivo foca apenas no transporte de passageiros e em entregas de bens, eliminando a categoria genérica de “outros serviços” via plataformas; e exclui diversos dispositivos relacionados aos direitos dos usuários, remetendo, nesses casos, ao Código de Defesa do Consumidor.
Pontos de apoio e infraestrutura para motoristas, que eram direitos garantidos na primeira versão do parecer, passam a ser “diretriz de política pública” na nova versão, que prevê instalação gradual e sem exigência imediata.

A nova versão estrutura as regras nos seguintes eixos centrais:
Previdência Social
- Trabalhador autônomo plataformizado: é segurado obrigatório na categoria de contribuinte individual. Paga 5% sobre o salário de contribuição, que corresponde a 25% de sua remuneração bruta mensal.
- Plataformas: a regra geral é o recolhimento de 20% sobre a mesma base de cálculo (os 25% da remuneração bruta do trabalhador).
- Modelo alternativo: as plataformas podem optar por contribuir com 5% sobre a receita bruta obtida no mercado brasileiro.
Ganhos, taxas e remuneração
- Natureza dos ganhos: os ganhos do trabalhador são divididos em duas partes:
- 25% são considerados renda (base para impostos e Previdência)
- 75% servem para cobrir custos, como combustível e manutenção
- Taxas de retenção: as plataformas podem cobrar uma taxa mensal fixa ou taxas por serviço. No caso de taxas por serviço, a média não pode ultrapassar 30% (ou 15% em modelos híbridos com taxa mensal). O cálculo deve ser feito de forma individualizada a cada sete dias.
- Remuneração para entregas:
- por serviço — piso de R$ 8,50 para trajetos de até 3 km (automóvel) ou até 4 km (moto, bicicleta ou a pé).
- Por tempo trabalhado — valor não inferior ao proporcional a dois salários-mínimos por hora efetivamente trabalhada (contada do aceite à entrega).
Gorjetas e promoções: as gorjetas devem ser repassadas integralmente e não integram a remuneração bruta. Descontos e promoções oferecidos pela plataforma aos usuários não podem ser descontados do trabalhador ou usados para abater o limite das taxas.
Benefícios adicionais
- Benefícios fiscais: isenção de IPI e IOF na compra de carros e motocicletas nacionais para profissionais que comprovem ao menos 2.000 horas de serviço nos últimos 12 meses.
- microempreendedor: motoristas enquadrados como trabalhadores autônomos plataformizados não podem ser microempreendedores individuais (MEI).
Foram excluídos da nova versão benefícios como a gratificação de 30% em dezembro, os adicionais para trabalho noturno, domingos e feriados, e a possibilidade de formação de reserva (poupança) custodiada pela plataforma.
Trabalho, segurança e transparência
- Justiça: compete à Justiça do Trabalho julgar casos envolvendo os contratos dos trabalhadores autônomos plataformizados.
- Seguro: obriga as plataformas a contratarem seguro de vida e integridade física com capital mínimo de R$ 120 mil.
- Transparência: assegura aos motoristas direito de receber relatórios detalhados (por serviço e consolidados a cada 30 dias) com valores, taxas e retenções. Decisões automatizadas sensíveis (como bloqueios) devem ser passíveis de revisão humana.
- Dever de Diligência: obriga as empresas a prevenirem cadastros falsos e garantirem a identidade real do trabalhador.
Regras para punições
- Contratos: exige contrato escrito e claro definindo prazos, formas de remuneração, obrigações de conduta e critérios para distribuição de ofertas de serviços.
- Bloqueios e suspensões: antes de suspender, bloquear ou punir trabalhadores, as plataformas devem prever sanções em contrato, notificar o trabalhador dos fatos, conceder prazo para defesa e decidir apenas após avaliá-la — proibindo cláusulas genéricas e vagas.
Por fim, foram removidos na nova versão o limite de jornada de 12 horas, o tempo mínimo de 15 segundos para aceite, o botão de pânico obrigatório no aplicativo e o direito de mulheres atenderem apenas mulheres.
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Geórgia Moraes
Fonte: Câmara dos Deputados
Nacional
Nutricionistas pedem jornada de 30 horas e piso salarial em audiência na Câmara

Em debate realizado na Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados na terça-feira (7), representantes dos nutricionistas defenderam a aprovação do Projeto de Lei 6819/10, que prevê jornada de 30 horas semanais e piso salarial nacional para a categoria.
A audiência pública foi solicitada pela deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) e reuniu representantes do governo, conselhos profissionais e sindicatos para discutir as condições de trabalho dos nutricionistas. Os participantes relataram condições precárias de trabalho e defenderam mudanças na legislação para valorizar a categoria.
A diretora da Federação Nacional dos Nutricionistas, Ana Paula Mendonça, afirmou que o projeto aguarda votação no plenário após receber apoio para tramitação mais rápida.
“Um nutricionista valorizado é um profissional mais presente, motivado e capaz de oferecer à população um cuidado mais qualificado”, disse.
A deputada Sâmia Bomfim afirmou que valorizar esses profissionais pode reduzir gastos públicos ao prevenir doenças no Sistema Único de Saúde (SUS).

Precarização e pejotização no setor
A presidente do Sindicato dos Nutricionistas do Estado de São Paulo, Maria da Consolação Machado, relatou condições precárias de trabalho.
Segundo ela, há casos de desvio de função, com profissionais que chegam a realizar tarefas de limpeza. Também há registros com cargos genéricos para evitar o pagamento do piso da categoria.
Outro problema apontado foi a contratação como pessoa jurídica (pejotização) e a informalidade.
Representante do Ministério da Saúde, Lívia Angeli Silva informou que mais de 50% dos vínculos de nutricionistas no setor de saúde são informais.
Segurança alimentar
As participantes afirmaram que a nutrição é essencial para a segurança alimentar.
A conselheira do Conselho Regional de Nutrição da 3ª Região, Jozelma Rodrigues dos Santos, destacou a atuação desses profissionais em áreas como alimentação escolar e atendimento em unidades de terapia intensiva.
A presidente do Conselho Federal de Nutrição, Manuela Dolinsky, apresentou dados sobre a categoria:
- entre 93% e 95% dos profissionais são mulheres;
- o Brasil tem cerca de 270 mil nutricionistas e 21 mil técnicos;
- no SUS, atuam mais de 35 mil nutricionistas, número considerado insuficiente.
Apoio do governo
O representante do Ministério do Trabalho e Emprego, Miqueias Freitas Maia, disse que o ministério não se opõe à limitação da jornada e ao piso salarial.
Ele informou que a revisão da norma sobre insalubridade está prevista para 2027 e que o governo acompanha riscos psicossociais e casos de assédio no trabalho.
Ao final da audiência, a deputada Erika Kokay (PT-DF) sugeriu a criação de uma frente parlamentar em defesa dos nutricionistas.
A proposta é dar caráter suprapartidário ao tema e acelerar a análise de projetos, como o que permite a solicitação de exames laboratoriais por nutricionistas em planos de saúde.
Da Redação – GM
Fonte: Câmara dos Deputados
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