Mato Grosso
Educadores falam dos desafios em busca da educação de qualidade na rede estadual
O Dia da Educação, comemorado neste domingo, 28 de abril, será de reflexão nas escolas da rede estadual de ensino e toda a comunidade escolar está convidada para os debates. Para professores e assessores pedagógicos, a educação está no caminho certo, mas alguns desafios precisam ser superados.
No entendimento da assessora pedagógica de Várzea Grande, Geovani Rodrigues Pires Provenzano, a educação brasileira nos últimos anos passou por mudanças significativas tanto em relação a ampliação do acesso quanto os recursos investidos. “Entretanto, para que a educação de qualidade seja efetivada, alguns pontos precisam ser avançar, como o ensino articulado às tecnologias”, ressalta.
Em seus 25 anos de carreira, a professora Solange Aparecida Menegatti também concorda que a caminhada para uma educação de qualidade é longa. Ela destaca que é preciso enfrentar a adversidade do dia a dia em busca de coisas melhores para os estudantes. “Os nossos alunos vêm com uma grande expectativa à escola e temos que ter um olhar especial para eles”, assegura.
Alex Rufino, da Assessoria Pedagógica de Cuiabá também concorda que a educação precisa melhorar. “Os grandes desafios da educação de hoje são melhorar os índices educacionais, na questão da proficiência em língua portuguesa e matemática, otimizar a estrutura escolar e as condições de trabalho dos professores”. Ele acredita ser necessário aparelhar tecnologicamente as escolas, pois os alunos vivem na era digital e os professores precisam acompanhar esse ritmo.
A diretora da EE Honório Rodrigues, Kátia Garcia, localizada em Várzea Grande, acredita que os desafios na educação são muitos e em várias instâncias ou esferas, como financeira, estruturais, sociais, políticas e pedagógicas. “Oferecer um ensino de qualidade não se faz sem desafios, ensino com qualidade exige compromisso de todas as partes, União, estados, municípios, profissionais, pais e estudantes. Esse é o maior desafio”, ressalta.
Em Rondonópolis, a assessora pedagógica Ester da Silveira aponta que um dos desafios atuais é garantir a aprendizagem nos níveis esperados, garantir a qualidade de ensino dos professores. “Precisamos acima de tudo promover metodologia e técnicas de ensino proficientes”.
Debate nas escolas
Para celebrar o Dia Mundial da Educação, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) propôs às escolas um estudo com informações e esclarecimentos. Como sugestão, os diversos segmentos escolares deverão fazer um trabalho de abordagem sobre a educação com qualidade, que é um dos direitos básicos de todo cidadão.
Segundo o superintendente de políticas de educação básica da Seduc, Márcio Tadeu Magalhães, será uma reflexão geral e o resultado deverá ser exposto no mural da escola para que todos tenham acesso. “A ideia é fazer um trabalho com a comunidade, com a participação de todos os segmentos escolares”, destaca.
Magalhães lembra que, durante todo o ano, os educadores têm muitas oportunidades de fazer uma reflexão nas unidades escolares sobre o resultado de seus trabalhos. “O dia da educação é um momento oportuno para pensar realmente sobre o trabalho que se realiza na direção de construir cidadãos que saibam ler, escrever, que tenha possibilidade de aproveitar oportunidades para construir uma nova sociedade”, ressalta.
Resultados
Márcio Tadeu explica que o material encaminhado para as escolas é para que todas aproveitem o momento de um debate mundial sobre a qualidade da educação e cada escola possa refletir os resultados produzidos até aqui.
O superintendente salienta que, em relação aos desafios propostos pelo Dia Mundial da Educação, é preciso caminhar na direção de melhor aprendizagem, melhores oportunidades para nossos jovens e crianças que frequentam a escola pública em Mato Grosso. “A educação não acontece somente no ambiente escolar, mas em todos os espaços. A família está incluída na educação. A própria convivência na comunidade também contribui nesse processo”, ressalta.
Origem
O Dia da Educação surgiu em 28 de abril de 2000 na cidade de Dakar, no Senegal, encerramento do Fórum Mundial de Educação que teve a participação de representantes de 180 países incluindo o Brasil. Na ocasião, os participantes assinaram um documento com compromisso de levar a educação básica e secundária a todas as crianças e jovens do mundo. A Organização das Nações Unidas (ONU) estimava que o número de analfabetos adultos era de 880 milhões, cerca de 20% da população mundial.
Em Seul, na Coreia do Sul, em 2015, um documento avaliou os avanços dos países que assinaram o texto 15 anos antes. Alguns indicadores mereceram destaque, como o número de crianças e adolescentes fora da sala de aula, que caiu pela metade. Esses dados constam no “Relatório de Monumento Global EPT — Educação para Todos“, divulgado pela ONU.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
Mato Grosso
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