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Mato Grosso

Encontro de Inovação discute comunicação eficaz por meio da linguagem simples e do direito visual

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Como melhorar a comunicação jurídica no setor público usando a linguagem simples e o direito visual. Este foi o foco da palestra e do debate deste segundo dia (30/05) do E-Lab 65/66 – Encontro de Laboratórios de Inovação, sediado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). A gestora de Inovação Jurídica do Laboratório de Inovação e Dados do Governo do Estado do Ceará – Íris LabGov, Mariana Zonari, foi a palestrante que trouxe esses conceitos e compartilhou experiências vivenciadas em seu estado.
 
Em um país como o Brasil, onde quase 7% da população é “analfabeta absoluta”, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e onde apenas 12% da população é considerada proficiente em leitura, conforme o Indicador de Alfabetismo Funcional, elaborado pelo Instituto Paulo Montenegro e pela Ação Educativa, Mariana Zonari afirma que os agentes públicos precisam ter empatia e se colocar no lugar dos cidadãos que usam os serviços públicos, entender suas dificuldades e melhorar as comunicações que a eles são direcionadas, de forma a atingir a compreensão do receptor da mensagem. E isso ocorre também por meio de documentos oficiais.
 
Na prática, a palestrante explica que a linguagem simples no texto se aplica, por exemplo, fazendo uso da voz ativa ao invés da voz passiva, da ordem direta ao invés da indireta (sujeito, verbo e predicado), fugindo dos substantivos quando se pode usar o verbo, evitando estrangeirismos e palavras extremamente técnicas, como o juridiquês.
 
Quanto ao direito visual, também conhecido como visual law, Mariana Zonari explica que trata-se de uma técnica que usa elementos visuais para tornar um documento jurídico mais compreensível. “Na prática, é aquele ‘se não está entendendo, eu vou desenhar pra você’. Por exemplo: se num edital público, ao invés do texto eu posso colocar um fluxo, que fica muito mais visual, muito mais claro do que o texto, por que usar o texto? Se eu posso usar ícones para reforçar uma mensagem, por que não? A pegada do direito visual é essa. Usar elementos visuais, usar cores, que têm significado e geram sentimentos, para reforçar as mensagens e deixá-las mais claras ainda”, exemplifica.
 
Durante a palestra, Mariana Zonari compartilhou com o público diversos cases de sucesso alcançados pelo Íris LabGov, como editais públicos municipais, estaduais e federais, sentenças cíveis e criminais da Justiça federal, notificações extrajudiciais, entre outros documentos, todos escritos em linguagem simples e direito visual, e seus respectivos resultados metrificados, como, por exemplo, o aumento de arrecadação do Estado do Ceará a partir de notificações extrajudiciais de cobrança de dívida pública.
 
“A gente tem muitos desafios dentro de um campo restrito, avesso à inovação, tanto dentro do mundo jurídico e especialmente no setor público, mas, ultrapassados os desafios iniciais, é extremamente recompensador ver resultados metrificáveis e concretos quando a gente implementa documentos em linguagem simples e usando direito visual. A gente consegue perceber a melhoria da transparência, da comunicação e consegue que a mensagem chegue a quem ela precisa chegar e que, com isso, as pessoas consigam de fato exercer os seus direitos e deveres, exercer a sua cidadania”, comenta.
 
A programação matutina desta terça-feira (30), do E-Lab 65/66 cotou ainda com um debate com Mariana Zonari e com o procurador do Estado, Leonardo Vieira de Souza, mediado pelo juiz titular da 3ª Vara Cível de Cuiabá e juiz membro do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), Luiz Otávio Saboia Ribeiro. Um dos destaques do debate foi a apresentação do Manual de Linguagem Clara e Direito Visual e do Glossário de Termos Jurídicos do TJMT, ambos elaborados pelo Inovajus MT, no ano passado (CLIQUE AQUI para acessar o manual e o glossário). “Aqui no Tribunal de Justiça, a gente desenvolveu esse Manual de Linguagem Clara, que foi um dos grandes produtos que o laboratório de inovação fez. Eu tenho a honra de ter participado de todo esse projeto”, disse o magistrado.
 
Em relação a esse Manual de Linguagem Clara do TJMT, a coordenadora do Inovajus MT e juíza auxiliar da Presidência, Viviane Brito Rebello afirma que o objetivo da atual gestão é tornar esse instrumento cada vez mais presente no cotidiano de trabalho dos membros do Poder Judiciário. “Faz parte da continuidade do projeto nós criarmos modelos que possam ser utilizados por todas as unidades de maneira fácil. Nós temos à disposição no laboratório Inovajus MT uma pessoa que auxilia na montagem do modelo que o juiz, o gestor ou o servidor precisar”, disse.
 
Para a magistrada, essa inovação proporcionada pela linguagem simples e pelo direito visual vai ao encontro da visão da gestão da desembargadora Clarice Claudino da Silva para o Poder Judiciário de Mato Grosso, que é ser uma justiça inclusiva, moderna e resolutiva para toda a sociedade. “A inclusão vem justamente da pessoa conseguir, no nosso caso, entender o que está sendo falado, principalmente o que ela precisa fazer pra cumprir as determinações judiciais”, diz.
 
Em meio à palestra e ao debate sobre linguagem simples e direito visual, o público (tanto o presente no auditório Gervásio Leite quanto o que acompanhava pelo canal do TJMT no YouTube) se mostrou empolgado com o assunto, elaborando perguntas e até mesmo compartilhando experiências entre diferentes órgãos públicos.
 
Maria Auxiliadora Campos, que trabalha no setor de desenvolvimento organizacional do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT), conta que faz parte da equipe que está elaborando a normativa sobre linguagem simples para ser aplicada no Estado e que, para ela, a palestra foi esclarecedora. “Ela trouxe experiências, cases de sucesso lá do Ceará. Então é mudança de paradigma, mudança de cultura e é um norte para que a gente possa estar trabalhando dentro do Estado essa temática da inovação. E tudo converge para a linguagem simples”, comenta.
 
A servidora pública cita que muitos termos técnicos utilizados pelo órgão público não são familiares para a maioria das pessoas e por isso “é muito importante fazer essa mudança e se aproximar mais do cidadão, que se sente distante da realidade do serviço público justamente por essa dificuldade de entender tantos termos técnicos e jurídicos”.
 
Para o fiscal de tributos da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), Fábio Augusto dos Santos, apesar de esbarrar em dificuldades para sua implementação, a linguagem simples no setor público é possível e pode trazer benefícios para a população. “A maior dificuldade é quebrar algumas barreiras internas porque muita gente ainda é preso a alguns layouts de documentos, a alguns jargões. Mas notificações de contribuintes, por exemplo, eu acredito que dê pra gente melhorar bastante. A própria comunicação com o público na hora de pagar IPVA, ITCD dá para melhorar bastante mudando o formato para esse modelo mais visual”. O servidor público destaca ainda a questão da empatia na busca por uma melhor comunicação com os usuários dos serviços públicos. “Eu acho importante até porque nós também somos contribuintes e precisamos ter sempre aquela empatia de se colocar no lugar do outro”.
 
O servidor do TRE-MT, Rodrigo de Oliveira e Silva, que atua no cartório eleitoral de Vera, elogiou a palestra e pontuou o que espera para utilização dos conceitos abordados na prática. “Eu gostei muito da palestra, mas ainda não consegui vislumbrar como vou aplicar isso no cartório porque ainda é muito burocrática a forma como trabalhamos. Então a gente espera que venha uma diretriz para que a gente possa começar a exercer esse trabalho na ponta, aplicar diretamente com o usuário, que é o mais importante”, afirma.
 
E-Lab 65/66 – O Encontro de Laboratórios de Inovação é uma realização do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), do Ministério Público Estadual e do Governo do Estado.
 
O evento segue até esta quarta-feira (31), com palestras no período da manhã e oficinas no período vespertino. No primeiro caso, o evento será híbrido, podendo ser acompanhado pelo canal do TJMT no YouTube. Já as oficinas são totalmente presenciais.
 
O resultado almejado com essa aproximação entre os laboratórios de inovação das diversas instituições públicas é o aprimoramento nas melhores práticas e ferramentas de inovação disponíveis para acelerar os processos de trabalho, além do debate sobre soluções inovadoras para os desafios enfrentados pelo setor público, que contemplem a agenda 2030 da ONU e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável-ODS.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Primeira imagem: Foto em plano aberto mostrando o auditório Gervásio Leite a partir dos fundos. Na imagem, é possível ver a plateia sentada, de costas, e, no palco, a palestrante falando ao microfone e um telão com um slide onde se lê: “E-Lab 65/66”. Segunda imagem: Palestrante Mariana Zonari falando ao microfone, no palco do auditório Gervásio Leite. Ela é uma jovem branca, de cabelo castanho escuro, comprido e preso em rabo-de-cavalo, usa camiseta e tênis branco, paletó e calça laranjados e relógio de pulso preto. No palco, há pufs brancos com iluminação em LED verde e um telão onde aparece a logo do evento E-Lab 65/66. Terceira imagem: Juíza Viviane Rebello concede entrevista ao Portal do TJMT. Ela está em pé, usando uma camisa com estampa em tons de azul e o crachá do evento. Ela é uma mulher branca, com cabelo curto, cacheado e grisalho. Quarta imagem: Procurador do Estado, Leonardo Vieira de Souza, juiz Luiz Otávio Saboia Ribeiro e Mariana Zonari estão participam de debate, no palco do auditório. Eles estão sentados em pufs e quem está com a palavra é Luiz Otávio Saboia, que está ao centro.
 
Nos links a seguir você tem acesso a outras matérias sobre este assunto:

E-Lab 65/66 – Órgãos públicos discutem como a inovação pode melhorar a prestação dos serviços

Veja Mais:  MTI apoia primeiro evento de blockchain de Mato Grosso

 
Celly Silva/Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Mato Grosso

Circuito do Varejo promove capacitação sobre atendimento e vendas digitais em Lucas do Rio Verde, Alta Floresta, Colíder e Água Boa

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Empresários e equipes do comércio poderão participar de palestras práticas voltadas à experiência do cliente e estratégias de conversão
O Circuito do Varejo segue ampliando sua agenda de capacitações em Mato Grosso e desembarca, no mês de junho, nos municípios de Lucas do Rio Verde, Alta Floresta, Colíder e Água Boa. A iniciativa reúne empresários, gestores e equipes do comércio para uma programação voltada à melhoria do atendimento e ao fortalecimento das vendas presenciais e digitais.
Realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial em Mato Grosso (Senac-MT), em parceria com o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de Mato Grosso (Sebrae-MT), o projeto percorre diferentes regiões do estado levando conteúdos estratégicos sobre comportamento do consumidor, experiência de compra e relacionamento com clientes.
A primeira parada será em Lucas do Rio Verde, no dia 3 de junho. Depois, o circuito segue para Alta Floresta, em 9 de junho, Colíder, no dia 11, e encerra a programação do mês em Água Boa, no dia 23. Em todas as cidades, a recepção ao público começa às 18h.
A partir das 19h30, o especialista em experiência do cliente Manoel Carlos Junior ministra a palestra “Atendimento que vende: como encantar o cliente dentro da loja”. O conteúdo apresenta estratégias para transformar o atendimento em diferencial competitivo, criando conexões com o consumidor e aumentando as oportunidades de fidelização e vendas.
Manoel Carlos Junior é curador e especialista em Customer Experience, além de autor dos livros “Experiencialize: os sete passos para transformar produtos e serviços em experiências” e “Experiencializando o Mundo: 40 histórias reais baseadas no método experiencialize”.
Na sequência, às 20h15, a empresária e business coach Uliana Ferreira conduz a palestra “Do direct ao Whatsapp: como atender e vender nos canais digitais”. A apresentação aborda técnicas para estruturar o atendimento online, fortalecer a comunicação digital e converter interações em vendas por meio das redes sociais e aplicativos de mensagens.
Uliana Ferreira é CEO do Grupo Dona, fundador do Instituto A Dona do Negócio e autora do livro best-seller “A Dona do Negócio”. A especialista atua com consultoria e aceleração de resultados para empresas e projetos de empreendedorismo feminino.
As inscrições são limitadas e podem ser feitas pela internet, na plataforma Sympla. Para participar, os interessados devem doar 5 quilos de alimentos não perecíveis no dia do evento. As arrecadações serão destinadas ao programa Sesc Mesa Brasil.
Serviço:
 
Evento Circuito do Varejo 2026
 
Inscrições: Ingresso solidário de 5 kg de alimentos não perecíveis
Lucas do Rio Verde
Data: 3 de junho, a partir das 18h
Local: Auditório Sebrae em Lucas do Rio Verde, Avenida Pará, 484-s –
Alvorada, Lucas do Rio Verde
Inscrições:  via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/circuito-do-varejo-2026—–edicao-lucas-do-rioverde/3412816)
Alta Floresta
Data: 9 de junho, a partir das 18h
Local: Teatro Agostinho Bizinotto – Centro Cultural, Travessa C-A, Alta Floresta
Inscrições: via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/circuito-do-varejo-2026—–edicao-altafloresta/3405873)
Colíder
Data: 11 de junho, a partir das 18h
Local: Auditório Amazonia ACIC – R. Luiz Aldori Neves Fernandes, 745 – Centro, Colíder
Inscrições: via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/circuito-do-varejo-2026—–edicaocolIder/3405768)
Água Boa
Data: 23 de junho, a partir das 18h
Local: Auditório da Associação Comercial de Água Boa (Aceab) – R. Nove, 338 – Centro, Água Boa
Inscrições: via Sympla (https://www.sympla.com.br/evento/circuito-do-varejo-2026—–edicao-aguaboa/3405939)
O Sistema S do Comércio é presidido pelo empresário José Wenceslau de Souza Júnior. A entidade é filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que está sob o comando de José Roberto Tadros.
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Mato Grosso

Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

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Foto- Assessoria

Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.

Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.

As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.

Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.

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Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.

Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.

Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.

Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.

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A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.

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Mato Grosso

Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres

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A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.

A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.

Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.

De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.

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As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.

“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.

Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.

Foto: Reprodução. 

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