Mato Grosso
Estado inaugura Complexo Regulador e Central de Regulação do Samu
O governador Pedro Taques inaugurou nesta segunda-feira (27), em Cuiabá, a reforma do Complexo Regulador Estadual e a Central de Urgências do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Mato Grosso. As unidades darão mais agilidade aos atendimentos para que a população não tenha que ficar muito tempo na lista de espera para realizar cirurgias de média e alta complexidade.
A estrutura não passava por reforma há 12 anos e as salas destinadas às centrais (1º e 2º andar) foram construídas em um prazo recorde de 40 dias. A reforma atende uma exigência do Ministério da Saúde e faz parte da conclusão do plano estadual de regulação do Sistema Único de Saúde (SUS) de Mato Grosso, previsto para dezembro de 2017.
“A Central de Regulação é importante. Aqui, vamos ter um tratamento mais digno, além do tratamento fora de domicílio. É uma ambiência laboral e profissional que também dá dignidade aos servidores da Secretaria de Saúde”, afirmou o governador Pedro Taques.
O prédio está dividido em salas, sanitários, área externa e auditório para treinamento e, foi mobiliado e equipado com recursos federais no valor de R$ 35 milhões. Os atendimentos serão realizados de forma interligada entre as 16 regionais e os 141 municípios do Estado.

No complexo, também irão funcionar os serviços de Tratamento Fora de Domicílio (TFD), Coordenação de Regulação e Gerência de Apoio ao Complexo Regulador, Coordenação de Transplante, Home Care, Central de Regulação de Exames de Alta Complexidade, Assessoria Técnica do Sistema Nacional de Regulação (Sisreg), com Núcleo de Educação Permanente e Central de Regulação de Leitos Hospitalares.
Os recursos restantes serão repassados pelo Ministério da Saúde após vistoria prevista para os próximos dias, conforme adiantou a secretária-adjunta de Regulação, Maria Gabriela Teixeira. Com a nova sede, será implantando o projeto “Samu 100%” em Mato Grosso, conforme os critérios estabelecidos pelo ministério.
“Este ano vamos retomar todo o projeto de implantação do SAMU 100% e dos complexos reguladores dentro do Estado. Dentro de 15 dias o Ministério deve fazer a visita técnica e liberar o recurso restante que é de aproximadamente R$15 milhões”, explicou.
Ainda segundo a secretária, a maior procura na Central de Regulação é por cirurgias oftalmológicas. “Neste sentido temos reforçado as campanhas durante a Caravana da Transformação, junto com o credenciamento de serviços de oftalmologia de média e alta complexidade dentro Estado inteiro. Neste mês abriremos uma licitação para o credenciamento de serviços de oftalmologia, cardiologia e Home Care, finalizando esta etapa da judicialização de serviços”, finalizou a secretária.

Os atendimento são feitos a cada 24h e são registrados em média 200 por mês. A regulação do Samu é feita pelo 192, onde é feito o registro dos dados da vítima, local e o que ocorreu. A ligação é atendida pelo tele atendente que transfere a ligação para o médico regulador destinar qual ambulância (básica ou avançada) deve ser utilizada, seguindo a classificação de risco.
A frota do Samu em Cuiabá é composta por três ambulâncias básicas e duas avançadas. Em Várzea Grande são duas básicas e uma avançada. Nos municípios de Poconé, Chapada, Brasnorte, Colniza, Cotriguaçu, Aripuanã há ambulâncias básicas e em Juína tem uma básica e uma avançada.
“Há 10 anos esperávamos essa concretização da inauguração da Central de Regulação das Urgências. Em termos de atendimento, vamos melhorar a questão do monitoramento das nossas ambulâncias, a capacitação da equipe e com essa adequação pretendemos ampliar a estrutura em termos de frota nova”, ressaltou a superintendente do Samu em Mato Grosso, Graziela Pacheco.
O Complexo Regulador Estadual e a Central de Urgências do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Mato Grosso estão situados na Rua Comandante Costa, na região Central de Cuiabá.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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