Mato Grosso
Estado propõe cafeicultura para gerar renda em áreas indígenas
As famílias indígenas da Aldeia Chapada Azul, lideradas pela cacique Paresí Dejanira Quezo se preparam para receber 40 mil estacas de café clonal que darão início a produção das mudas para o plantio da cultura em Campo Novo do Parecis. Uma iniciativa bastante ousada que pretende unir os moldes de produção tradicional indígena à abertura de novas alternativas de renda às famílias. A estratégia tem levado o Governo de Mato Grosso a repensar as perspectivas de atendimento e inclusão das comunidades tradicionais, dando oportunidade para que as famílias decidam pela inserção no plantio de novas culturas e novos formatos de trabalho.
A estratégia para o desenvolvimento sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais faz parte do Programa MT Produtivo – Café, que tem entre suas metas a revitalização e expansão da cafeicultura em Mato Grosso.
O programa é desenvolvido pela Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) e Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), com a parceria dos municípios. Além de inovador, o projeto em parceria com a Comunidade Paresí também servirá como modelo para as demais etnias, garantindo renda aos indígenas.
Foi realizado na última sexta-feira, 08.11, um dia de campo na comunidade com o objetivo de acompanhar o avanço dos trabalhos para instalação do viveiro de mudas. A atividade teve a participação do secretário de Estado de Agricultura Familiar, Silvano Amaral, acompanhado por técnicos e engenheiros agrônomos da Empaer, responsáveis pela execução do projeto, que conta com o apoio da Prefeitura Municipal.
“É uma proposta bastante ousada, que vem revolucionar todo o processo produtivo já desenvolvido pelo Estado em termos de produção indígena. Estamos bastante otimistas, principalmente pelo empenho e disposição das famílias, com grande ênfase na liderança exercida pela cacique Dejanira que nos procurou trazendo o interesse da aldeia em diversificar as fontes de produção e renda das famílias”, afirmou Silvano Amaral.
O projeto consiste na implantação de 10 hectares de café clonal, sendo um hectare por família. A primeira visita técnica à aldeia foi realizada há cerca de 90 dias, quando os indígenas receberam as primeiras orientações para a implantação da cultura. Nesta fase, as mulheres indígenas estão responsáveis pela condução de todo o projeto de montagem do viveiro, preparo do substrato e enchimento das sacolas que receberão as estacas.
O espaço possui 300 metros quadrados, e está projetado para produzir 40 mil mudas de café clonal com estacas trazidas do município de Colniza, referência na produção do grão no Estado. As famílias também receberam orientações sobre o sistema de irrigação mais apropriado para ser utilizado dentro do viveiro. Os indígenas também foram instruídos quanto aos cuidados fitossanitários envolvendo a prevenção e o combate de possíveis pragas e doenças, que possam ameaçar o desenvolvimento das mudas.
O processo de desenvolvimento das mudas leva cerca de 100 dias até o plantio no campo. O ideal é que as mudas alcancem a formação de dois a quatro pares de folhas definitivas, quando estarão resistentes para o plantio na lavoura.
Além do secretário Silvano Amaral, também participaram da atividade técnica na aldeia Chapada Azul, o superintendente de Agricultura Familiar da Seaf, George Lima, os engenheiros agrônomos da Empaer, Inês Roeder Nogueira Mendes – responsável técnica pela execução do projeto, Leonardo Diogo Ehle Dias e Wellington Procópio, ambos da Empaer de Tangará da Serra, além do técnico da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e de Meio Ambiente, Ivan Luiz Biezus, entre outros.
Inventivo à cafeícultura
O Governo do Estado se prepara para disponibilizar 500 mil mudas de café clonal para a implantação de 125 unidades demonstrativas. A meta do Programa MT Produtivo – Café é estimular o plantio de cultivares geneticamente mais resistentes e mais produtivos, saindo de uma produtividade média de 14 sacas por hectare para até 70 sacas.
Hoje, Mato Grosso está entre os 10 maiores produtores do país, produzindo cerca de 121,5 mil sacas de café, em uma área de 8,5 mil hectares. A proposta do programa é garantir o incremento de 10,5 mil novas sacas de café.
Mato Grosso
Empresários do setor da construção visitam o mais moderno centro de segurança do trabalho da América Latina

Foto-Assessoria
Na tarde desta quinta-feira (13/08), um grupo de empresários associados ao Sindicato das Indústrias da Construção da Região Sul do Estado de Mato Grosso (Sinduscon Sul MT) realizou uma visita técnica e de imersão no recém-inaugurado Sesi Experience – Centro Avançado de Segurança do Trabalho, localizado em anexo às dependências da sede do Serviço Social da Indústria de Rondonópolis.
Antes do tour técnico, os associados participaram de uma breve palestra sobre os detalhes e o potencial de aprendizado do CT, que recebeu um investimento total de 12 milhões de reais. Na sequência, eles seguiram para o centro, onde passaram por experiências que simulam situações reais de acidentes de trabalho e momentos críticos.
Para o gestor regional de Saúde e Segurança do Trabalho do Sesi Mato Grosso, Márcio Alves, este foi o primeiro grupo de empresários a realizar a imersão no centro avançado. “Eles puderam presenciar toda a tecnologia voltada para a segurança do trabalho. Os equipamentos proporcionam uma imersão do trabalhador ao utilizar de forma correta tanto os equipamentos de proteção coletiva quanto os de proteção individual”, explicou.
Ainda segundo Márcio Alves, esses cenários e equipamentos fazem com que se mude o formato e a abordagem do trabalhador quanto à importância de prevenir a sua saúde e a sua segurança. “Aqui o foco é trazer essa experiência, onde o trabalhador vai poder fazer a utilização de forma correta do equipamento de segurança individual e voltar para sua rotina, na qual ele vai conseguir utilizar da melhor forma possível esse equipamento, fazendo uma imersão nesse ambiente saudável e seguro”, finalizou.
O engenheiro civil e proprietário da empresa Plano Sul, Rafael Francisco Lopes Machado, foi um dos associados que fizeram a visita técnica ao Sesi Experience. “Foi uma experiência incrível, acredito que fora do normal. Nunca vi algo parecido, porque existe de fato uma imersão e é possível vivenciar situações em que sentimos estar passando pelo risco e aprendemos como não passar por eles na vida cotidiana e na operação da obra”, destacou.
Sesi Experience — O maior centro de treinamento em Saúde e Segurança do Trabalho da América Latina e o primeiro do Brasil, o Sesi Experience, fica em Rondonópolis. O complexo tem a missão de transformar a forma como as empresas capacitam seus trabalhadores, reunindo treinamentos que vão desde instalações elétricas e espaços confinados até o trabalho em altura. Para isso, utiliza tecnologia coreana imersiva para reproduzir situações reais de risco sem expor os participantes ao perigo. Idealizado pelo Sesi MT, a estrutura permite que o colaborador vivencie cenários críticos, aprenda a identificar riscos e adote os procedimentos corretos de segurança em um ambiente totalmente controlado.
Mato Grosso
Lei Maria da Penha completa 20 anos ainda com entraves para ser colocada em prática
A coordenadora do Nudem, Rosana Leite, participou de uma entrevista especial para analisar as duas décadas da lei além dos altos índices de feminicídio em Mato Grosso
Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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