Mato Grosso
Fisco recupera máquina agrícola roubada
A equipe de fiscalização da Secretaria de Fazenda (Sefaz) recuperou uma pá carregadeira, modelo W20F, durante uma operação de fiscalização volante no município de Brasnorte (a 585 km de Cuiabá). O caminhão transportava o equipamento coberto totalmente por uma lona, o que levantou a suspeita dos agentes de tributos. A ação aconteceu na manhã desta terça-feira (09.07).
De acordo com a fiscalização da Sefaz, ao fazer a abordagem do veículo, o motorista informou que estava transportando um trator da cidade de Campo Novo do Parecis para Juara, porém não tinha nota fiscal. Diante da situação e como procedimento padrão, a carga foi inspecionada e o fisco constatou que se tratava de uma pá carregadeira fabricada em março de 2019.
“Diante da divergência de informações e considerando que não é comum um equipamento de fabricação recente ser transportado sem a devida documentação fiscal de compra, a equipe de fiscalização fez uma pesquisa mais aprofundada, em conjunto com o Batalhão Fazendário, e verificou que havia um boletim de ocorrência para o maquinário transportado”, explica o coordenador de Fiscalização Móvel de Trânsito, Gilson Pregely.
No boletim de ocorrência constava o chassi da pá carregadeira que estava sendo transportada. De acordo com o BO a máquina foi roubada por uma quadrilha armada, quando estava sendo transportada para o município de Sorriso. O roubo aconteceu em Nobres, no mês de abril de 2019.
Tendo sido constatado o crime, o Batalhão Fazendário, que é composto por policiais militares, registrou o boletim de ocorrência e encaminhou o caso para a Delegacia da Polícia Civil para investigação.
O coordenador de Fiscalização Móvel de Trânsito, Gilson Pregely, ressalta que as ações de fiscalização da Sefaz têm por objetivo combater a sonegação do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICMS) e que os agentes de tributos estão sempre atentos a qualquer operação suspeita. “A fiscalização anda ao lado dos bons contribuintes. É parceira daqueles que cumprem a lei, sua ação visa tão somente o desenvolvimento da sociedade mato-grossense”.
A fiscalização da Sefaz é realizada nos postos fiscais e nas principais rodovias do Estado visando coibir a prática de irregularidades fiscais, combatendo a sonegação e reduzindo a concorrência desleal. Dentre as irregularidades, as mais recorrentes correspondem a mercadorias sem documento fiscal ou com documentação inidônea e até mesmo a falta de apresentação de documentação devida, além de fraudes no recolhimento do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Batalhão Fazendário
O Batalhão Fazendário é uma unidade criada em parceria com o Comando Geral da Policia Militar, da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), e iniciou as atividades no mês de fevereiro. Ela compõe da estrutura da Sefaz, na Unidade Militar de Operações Conjuntas, e tem o objetivo dar suporte e garantir a integridade de agentes e fiscais durante as fiscalizações. Dessa forma, o fisco intensifica o combate à sonegação fiscal e reduz a concorrência desleal, além de incrementar a receita estadual.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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