Mato Grosso
Fórum aborda efeitos das mudanças climáticas na agricultura
A 1ª Reunião Extraordinária do Fórum de Mudanças Climáticas que ocorreu na terça-feira (07) teve palestras relacionadas a impactos das mudanças climáticas na agricultura, emissões e remoções de gases de efeito estufa na agropecuária e monitoramento e vulnerabilidade às mudanças climáticas.
Também foi aberto um espaço para diálogos sobre ações que impactam no cotidiano da vida dos agricultores familiares, pequenos e médios agricultores, dos extrativistas e povos indígenas que vivem da floresta, estimulando reflexões sobre as políticas públicas atuais.
A reunião foi aberta pela secretaria adjunta de Gestão Ambiental, Luciane Bertinatto, que destacou que o objetivo é alinhar as políticas públicas, cada um no setor que é responsável. “Com a união de todos os setores teremos um resultado mais positivo e melhorias cada vez maior no sistema de políticas públicas. Para obter resultados é preciso a participação de todos”.
A palestra realizada pelo pesquisador do Embrapa Eduardo Assad explicou como as mudanças climáticas na agropecuária traz ameaças e oportunidades. O debate mostrou ligação da redução das emissões com o melhoramento genético, ganho de produtividade, ganho de qualidade, aumento de renda, além de melhoria de pastos e redução do tempo de abate.
Também foi abordado o sistema integrado para coleta de informações de campo e análise de dados e os benefícios que esta integração proporciona como, por exemplo, diminuição de área necessária para produção, diminuição no consumo de energia, queda na liberação de gases de efeito estufa, menor demanda de água e de geração de lixo e redução de custos.
A vulnerabilidade a mudança do clima foi abordada por Rhavena Santos e destacou a série de impactos que este efeito causa como sobre a saúde, ecossistemas, cultura, economia e infraestrutura. Também foi ressaltada como as mudanças climáticas estão relacionadas tanto a eventos extremos quanto a alterações na variedade natural do clima e como o Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima realiza uma gestão do risco associada a esse fenômeno.
O coordenador de Mudanças Climáticas e REDD+, Mauricio Philipp, afirmou que a redução das emissões pecuárias contribui para o trabalho de melhoramento. “As boas práticas no manejo de pastagem tem potencial para capturar carbono no solo e neutralizar as emissões de metano do gado”.
Mauricio também destaca a entrada de novas instituições no Fórum de Mudanças Climáticas: “É um espaço democrático para discussão e difusão de conhecimento e de encontrar solução para mitigação de riscos”. As instituições que entraram no Fórum foram Earth Innovation Institute (EII); Fundação Ecológica Cristalino (FEC); Associação de Pesquisa Xaraiés; Associação dos Remanescentes do Quilombo Urbano Capão de Negro Cristo Rei (Várzea Grande), Instituto Florestal de Pesquisa e Desenvolvimento Sustentável (IFPDS).
Construção da lei
A Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC) foi construída no âmbito do Fórum Mato-grossense de Mudanças Climáticas e formulada em consonância com todos os conceitos e princípios estabelecidos na Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e legislação federal e estadual vigente.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
Mato Grosso
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