Mato Grosso
Gestão Eficaz em Juína debate desafios do gestor diante da crise econômica e fiscal
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Cerca de 150 servidores públicos de Juína e região compareceram à abertura do Programa Gestão Eficaz, que acontece nesta quinta e sexta-feira (8 e 9/08) no auditório do Sicredi, em Juína. Coordenado pela Consultoria Técnica do TCE, o Gestão Eficaz tratou, durante a abertura, de temas e dificuldades comuns a todos os gestores, como o equilíbrio da receita e da despesa, gastos com folha de pagamento e cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, além da responsabilização de agentes públicos. Ao longo do evento serão realizadas quatro oficinas, cujos temas são: arrecadação própria, prestação de contas via Sistema Aplic, Programa Radar (Módulo Compras Públicas), Contratações Públicas e Gestão e Controle de RPPS.
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| Conselheiro interino Moises Maciel |
O conselheiro interino Moises Maciel discorreu sobre os entraves que hoje impedem os gestores de alcançarem melhores resultados. Um dos problemas levantados pelo conselheiro para reflexão dos participantes do Gestão Eficaz é a questão dos gastos com a folha de pagamento, assim como o aumento das despesas com a Previdência.
O conselheiro também falou da sonegação fiscal e da incapacidade dos gestores de cobrarem dívidas. Moises Maciel destacou que em 2016 foi feito um ajuste na dívida pública do Estado e foram retirados da conta R$ 16 bilhões, considerados créditos podres, ou seja, impossível de receber, seja porque o prazo para cobrança prescreveu ou por outros motivos. No entanto, ainda há R$ 33 bi para serem cobrados. O conselheiro ainda reforçou que os gestores devem fazer a gestão dos riscos, internos e externos, e que é preciso investir em planejamento e treinamento dos servidores para que a gestão se torne mais eficaz.
Os gastos com folha de pagamento também foram abordados pelo coordenador do Programa Gestão Eficaz, o secretário chefe da Consultoria Técnica, Gabriel Liberato. Ele lembrou que a despesa do Poder Executivo do Governo do Estado com folha era preocupante desde 2014, quando foram implementadas leis com vantagens a diversas categorias de profissionais existentes no Executivo Estadual. Naquele ano, a folha de pagamento representava 55,01% do total das despesas do Governo do Estado, já somando-se os encargos sociais. Em 2015 subiu para 61,5% e, em 2016, chegou a 62,2%.
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Na sequência, o auditor público externo Natel Laudo da Silva tratou da Responsabilização de Agentes Públicos e Pessoas Jurídicas pelo Tribunal de Contas. Ele explicou que, principalmente, a responsabilização tem a função social de mostrar para a sociedade que gestores que não usam os recursos públicos com responsabilidade são penalizados. Mas tem também outras funções, como a pedagógica, de tentar evitar que o gestor recaia no mesmo erro, e a de transparência.
Natel da Silva explicou ainda que o Tribunal de Contas atua na esfera administrativa, não cabendo à instituição a solução de conflitos nas áreas cível ou penal. Discorreu sobre as penalidades impostas, como restituição de valores ao erário, aplicação de multas (pedagógica ou sobre o valor do ano), inscrição em cadastro de inadimplente, inabilitação para exercício de cargo de comissão, inabilitação para participar de licitação, recomendações, determinações, e medidas cautelares. Demonstrou ainda conceitos utilizados pelo TCE-MT, como o de responsabilidade solidária, quando um servidor ou empresário é responsabilizado pelo dano ao erário juntamento com o gestor.
À tarde será realizada oficina sobre Estratégias para incremento de arrecadação de receitas próprias, ministrada pelos auditores Joel Bino do Nascimento Júnior e Alisson Francis Vicente de Moraes. Simultaneamente será realizada a oficina sobre Prestação de Contas via Sistema Aplic e Sistema Radar, pelos servidores Francisco Evaldo Ferreira Leal e Wilson Fernandes Nazário.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
Mato Grosso
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