Mato Grosso
Governador confirma que não irá reeditar Fethab 2
O governador Pedro Taques confirmou, nesta sexta-feira (14.12), em Cuiabá, que não irá prorrogar a contribuição adicional do Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab 2), criada por meio da Lei 10.480/2016. O anúncio oficial foi feito durante reunião ordinária do Conselho Diretor do Fethab que congrega as principais entidades do setor produtivo de Mato Grosso.
“Eu não apresentarei o projeto do Fethab 2. Primeiro porque nós não temos tempo hábil para debater a questão. O projeto eu não recebi ainda. Eu não tenho como, razoavelmente, apresentar o projeto na Assembleia Legislativa sem ler o projeto”, declarou o governador Pedro Taques, que também se posicionou contrário à taxação do agronegócio.
Com a decisão da atual gestão do Governo do Estado, a contribuição Fethab 2 vai ser encerrada em 31 de dezembro de 2018, conforme o governador havia se comprometido com o setor produtivo na ocasião da criação do fundo adicional. Nos últimos dois anos, o Fethab 2 arrecadou R$ 900 milhões que foram destinados para o pagamento de operações de créditos e para execução de obras de infraestrutura.
Durante o encontro, o secretário de Infraestrutura e Logística, Marcelo Duarte, apresentou um balanço das ações realizadas para melhorar a situação das rodovias estaduais, que contou com apoio dos recursos do Fethab. Segundo o secretário, o Estado de Mato Grosso concluiu mais de 2.700 quilômetros de asfalto, considerando as obras de construção e reconstrução. “Estamos finalizando quatro anos de trabalho com resultados de obras importantes entregues à população. Deixamos a administração ao final do ano cumprindo a nossa palavra com a sociedade e com o setor produtivo, de fazermos mais obras com recursos enxutos”, afirmou.
Duarte lembrou que, ao decidir não renovar o Fethab 2, o governador Pedro Taques cumprirá o acordo celebrado em 2016 entre as entidades do setor produtivo e o Governo do Estado. Conforme explicou o secretário, ao enviar a mensagem à Assembleia Legislativa com a reforma da Lei 10.480, o governador se comprometeu com os representantes do agronegócio em manter a contribuição – que incide sobre as commodities de soja, algodão e gado -, tão somente por dois anos com encerramento em 31 de dezembro 2018.
O secretário explicou, ainda, que outros fatores externos, que impactam economicamente o setor produtivo, também reforçam a necessidade de não renovação do Fethab 2. “Tem a tabela do frete que foi uma trapalhada gigante do governo federal, que encareceu o custo de transporte em Mato Grosso. Hoje temos a situação do Funrural que também encareceu a produção. E tem essa briga comercial entre Brasil e China que está causando um alvoroço muito grande no mercado internacional e colocando em risco a nossa produção”, comentou o secretário.
Os representantes do setor produtivo que estiveram na reunião no Palácio Paiaguás parabenizaram a decisão do governador Pedro Taques. “Ele cumpriu com a palavra dele e entendeu a atual situação do setor produtivo. Na infraestrutura, vimos uma evolução grande com a realização de obras e uma maior transparência feita pelo secretário Marcelo e sua equipe. Nesta semana, tivemos uma reunião com os nossos associados e a maioria se posicionou contra a renovação. Agora, vamos discutir com o próximo Governo o futuro do Fethab”, afirmou o presidente da Associação de Produtores de Soja, Antonio Galvan.
O presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Alexandre Schenkel, valorizou os resultados obtidos pela atual gestão na área de infraestrutura e elogiou a decisão de não reeditar o Fethab 2. “Tudo que foi combinado com o senhor neste governo está sendo cumprido. Isso é muito importante para o setor produtivo, para gerar uma estabilidade que precisamos para trabalhar. Só queríamos agradecer porque o que foi combinado foi acordado”.
Já o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso, Normando Coral, destacou a lisura da atual gestão e o bom trato com a coisa pública. “Eu sei que este Governo fez tudo o que podia, mas não tudo que realmente gostaria. A não renovação do Fethab comprova mais uma vez o compromisso deste governo”, declarou.
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
Mato Grosso
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