Mato Grosso
Governo proíbe a caça do Javali no Brasil, Acrismat divulga nota de repúdio contra decisão

Foto- Reprodução
A Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (ACRISMAT) vem a público manifestar a preocupação da cadeia produtiva com a suspensão das autorizações de manejo de caça de espécies exóticas (como o javali), conforme publicado em boletim de 18 de agosto de 2023, no Sistema de Informação de Manejo e Fauna (Simaf). A medida ocorreu em decorrência do Decreto nº 11.615, de 21 de julho de 2023, que determina que a caça para o controle de fauna invasora somente será autorizada pelo Comando do Exército.
O javali (Sus scrofa) é uma espécie exótica que provoca desequilíbrio ambiental, desencadeiam o assoreamento de corpos d’água e processos de erosão do solo, causam danos à fauna e à flora, prejuízos a lavouras de pequeno e médio porte, além de ameaçar a saúde e a segurança de pessoas e animais (silvestres e domésticos). Sem predadores naturais no país, as populações do animal crescem de forma rápida, é considerada uma das cem piores espécies invasoras no mundo. Em 2013, o javali (e seus híbridos em vida livre, suídeos asselvajados) foi declarado como espécie nociva no país e o controle populacional foi normatizado (IN nº 3 31/01/2013, Ibama).
Além de representarem um grave risco sanitário para a atividade pecuária, pois os javalis são suscetíveis a algumas doenças importantes, como a febre aftosa, a raiva, a leptospirose, a brucelose, a tuberculose; e principalmente para a suinocultura, visto que pode ocorrer cruzamentos de javalis com suínos domésticos sem ação humana.
A preocupação da cadeia produtiva comercial da suinocultura se dá no caso de haver contato com animal doente da espécie invasora, o rebanho suinícola pode ser acometido por Doença de Aujeszky, Peste Suína Clássica (PSC) e Peste Suína Africana (PSA), a ocorrência das duas últimas enfermidades é altamente transmissível, apresenta grande poder de difusão e especial gravidade, acarreta severas consequências ao bem-estar animal, à produção suinícola, que pode estender-se além das fronteiras nacionais, trazendo prejuízos socioeconômicos e às exportações de animais e seus produtos, dificultando ou impossibilitando o comércio internacional de animais e produtos de origem animal.
A medida publicada na última semana é um retrocesso ao PLANO NACIONAL DE PREVENÇÃO, CONTROLE E MONITORAMENTO DO JAVALI (Sus scrofa) NO BRASIL (Portaria nº 232/2017, MMA e Mapa), cujo objetivo é conter a expansão territorial e demográfica da espécie exótica invasora no país e reduzir seus impactos, principalmente em áreas prioritárias de interesse ambiental, social e econômico, abrangendo ações relativas ao manejo populacional, vigilância e monitoramento sanitário do javali no Brasil. O plano estabelece ações de controle do javali em todas as suas formas, linhagens, raças e diferentes graus de cruzamento com o porco doméstico.
Levando em conta o cenário acima, a ACRISMAT clama ao Ministério da Agricultura e outras autoridades sanitárias para que seja resolvido com urgência o impasse para o controle destas espécies invasoras. A burocracia e a inoperância não podem colocar em risco o status sanitário do país, no caso da suinocultura, em que Mato Grosso e vários Estados são certificados oficialmente pela Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA, antiga OIE) como Zona Livre de Peste Suína Clássica (PSC), em que todos trabalham arduamente para evitar a disseminação da PSC para as áreas livres e na prevenção da ocorrência da PSA no Brasil.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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