Mato Grosso
Governo realiza desfile de moda inclusiva para pessoas com deficiência
Com o objetivo de dar visibilidade e promover uma reflexão sobre as dificuldades enfrentadas pelas pessoas com deficiência, o Governo de Mato Grosso, sob os cuidados da primeira-dama Virginia Mendes, e em parceria com diferentes entidades públicas e empresas privadas, realizou no Shopping Estação Cuiabá, o 1º Desfile de Moda Inclusiva e Acessível, na noite deste sábado (21.09).
“A primeira-dama Virginia Mendes realizou bem mais que um sonho. Eu sempre tive vontade de levar para as passarelas pessoas com deficiência para mostrar que não estamos em busca apenas de valorização, mas de oportunidade dentro da moda inclusiva e acessível. Queremos mostrar ao público que essas pessoas com deficiências são consumidoras e que os lojistas devem ter um olhar diferenciado para que nós sejamos bem recebidos, pois gostamos e temos vaidade”, explicou a superintendente estadual de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência, Tais Augusta de Paula.

O segundo andar do shopping pôde conferir de perto na passarela as 33 pessoas com todos os tipos de deficiência, que deram um show na hora de mostrar aos convidados e à plateia, que se formou ao redor do palco, looks dos mais diversos estilos, variadas cores, versatilidade, conforto, com estilos de roupa para os públicos masculino e feminino.

Com um look tradicional, que inclui camiseta e calça jeans – uma combinação comum ao guarda-roupas da maioria das pessoas –, Eva Santana, de 39 anos, portadora de nanismo e com 90 centímetros de estatura, desfilou na passarela e transbordou de felicidade ao exibir um belo sorriso no rosto.
Antes do desfile, Eva relatou uma das principais dificuldades enfrentadas na hora de comprar suas peças de roupas. “É difícil encontrar roupas pra gente, pois quando encontramos não serve na largura, temos que tirar um pedaço do comprimento. Minha seção de roupas é a infanto-juvenil”. Na oportunidade, Eva aproveitou para dizer que a sociedade precisa estar atenta às necessidades das pessoas com deficiência: “Tem que olhar mais para nós, rever essa questão dos acessos. Acho muito importante este tipo evento, estou muito feliz que a primeira-dama Virginia Mendes abraçou nossa causa, pois é difícil encontrar pessoas que tenham um olhar de atenção para nosso público”.

A secretária adjunta de Direitos Humanos da Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), Salete Morockoski, disse que “é uma alegria muito grande estar participando deste primeiro desfile inclusivo e mostrar para a sociedade a importância de se incluir as pessoas com deficiência, e despertar nos lojistas a importância de confeccionar roupas adequadas para essas pessoas”.

O secretário da Casa Civil em exercício, Tony Rachid, destacou que nesta gestão, o Governo de Mato Grosso vai sempre ter este olhar sensível e atuante em prol de todos os públicos, em especial aos que carecem de uma atenção maior. Ele citou a recente instalação do elevador para pessoas com deficiência nas dependências do Palácio Paiaguás. “A sede do poder executivo estadual existe há 40 anos e neste tempo nunca teve um elevador para o público com deficiência. E assim que assumiu, o governador Mauro Mendes determinou que instalássemos este elevador. Isto parece simples, mas para quem não tinha como transitar pelas dependências do Palácio representa inclusão. Estamos atuando em outras frentes, sempre pensando nas melhorias para a população mato-grossense”, afirmou Rachid.

O cadeirante e servidor público federal, Paulo Barth, de 36 anos, destacou que os deficientes também são consumidores de moda, porém, de acordo com a vivência dele, raras são as lojas que oferecem uma estrutura adequada para receber pessoas com limitações físicas. “A gente encontra alguns provadores que não tem acessibilidade. Algumas lojas que eu frequento possuem um provador grande, isso mostra que as pessoas com deficiência são consumidoras”, relatou Paulo.
Outra importante visão observada pelo cadeirante é o fato de se pensar em acessibilidade não apenas para quem tem deficiência, mas também para atender aos idosos, pois essa parcela da sociedade necessita de locais adaptados com rampas, barras de apoio e espaço nos provadores, devido às dificuldades de locomoção.
“A cada momento, a sociedade brasileira vai se tornando mais idosa, a dificuldade de locomoção vai ser mais presente. Essas pessoas vão precisar usar uma cadeira de rodas em algum momento, entrar em um provador que tenha adaptação; ninguém deixa de ser consumidor. O mercado da moda tem que promover iniciativas como esses desfiles, isso mostra que somos consumidores. Quero agradecer nossa primeira-dama Virginia Mendes e a superintendente de Pessoas com Deficiência, Tais, por realizar essa parceria público-privada e promover este importante evento”, finalizou Paulo.

O desfile inclusivo integra a 5ª Semana Estadual da Pessoa com Deficiência, realizada em consonância com Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado no dia 21 de setembro. Neste período, o Governo de Mato Grosso promoveu diversas ações para conscientizar sobre a importância do desenvolvimento de meios de inclusão das pessoas com deficiência na sociedade.

A ideia de produzir um desfile de pessoas com deficiência foi apresentada à primeira-dama no início de agosto, pela superintendente estadual de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência, Tais Augusta de Paula, e pelo presidente do Conselho Estadual de Defesa das Pessoas com Deficiência (Conede), Luiz Carlos Grassi. Este projeto foi incluído no programa “SER Inclusivo”, coordenado pela primeira-dama Virginia Mendes e cujo foco é atuar em ações voltadas à superação, à esperança e na busca pelo respeito às diferenças.

Para realizar este importante evento, o Governo contou com apoio dos seguintes parceiros: Edson Guilherme Produção de Moda, Shopping Estação Cuiabá, Buffet Leila Maluf, Dia de Festa, La Renovence, Stamp, Lebrinha, TMF Construtora, Pié Locação para Festas, Cerimonial Izis Dorilêo, Soluçao Cosmeticos, Estância 3J, Dj Lucas Fetter, Lojas Hering, Havaianas, Pernambucanas, Tommy Hilfiger, Colcci, Clube Morena Rosa, Richards, Nill Acessorios, servidores voluntários da Unidade de Atenção à Família (UNAF), da Casa Civil, da Setasc, da Adjunta de Direitos Humanos, da Saúde, da Superintendência de Política Públicas para Pessoas com Deficiência, do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Mato Grosso
Circuito do Varejo promove capacitação sobre atendimento e vendas digitais em Lucas do Rio Verde, Alta Floresta, Colíder e Água Boa

Mato Grosso
Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

Foto- Assessoria
Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.
Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.
As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.
Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.
Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.
Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.
Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.
Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.
A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.
Mato Grosso
Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres
A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.
A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.
Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.
De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.
As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.
“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.
Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.
Foto: Reprodução.
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