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Guerra comercial do Trump se intensifica e ameaça impactar o agronegócio brasileiro

A escalada das tensões comerciais entre os Estados Unidos e seus principais parceiros comerciais atingiu um novo patamar com as recentes medidas anunciadas pela China. O governo chinês impôs tarifas adicionais sobre diversos produtos agrícolas americanos, incluindo frango, trigo, milho, algodão e soja, como resposta às sanções tarifárias impostas pelos Estados Unidos. Outras nações, como Canadá e México, também adotaram medidas retaliatórias, ampliando o cenário de incertezas no comércio global.
A nova rodada de tarifas por parte da China prevê alíquotas de 15% sobre as importações de proteínas e grãos dos EUA e de 10% sobre outros alimentos. Além disso, o Ministério do Comércio chinês restringiu a compra de produtos de 15 empresas americanas, incluindo importantes fornecedoras do setor de tecnologia e segurança. O impacto imediato recai sobre os agricultores do Meio-Oeste dos Estados Unidos, tradicionalmente dependentes do mercado chinês para escoamento de sua produção.
O governo americano justificou as sanções alegando a necessidade de proteger setores estratégicos e conter o fluxo de fentanil para os Estados Unidos. No entanto, analistas avaliam que a política tarifária adotada amplia as tensões com economias relevantes, afetando o equilíbrio das cadeias produtivas globais e elevando a volatilidade dos mercados agrícolas.
A disputa comercial já provoca mudanças no fluxo de exportações. O Brasil, um dos maiores produtores de soja e proteína animal, pode se beneficiar no curto prazo do redirecionamento da demanda chinesa. Dados do Insper Agro Global mostram que, durante a primeira gestão de Donald Trump, o Brasil ultrapassou os Estados Unidos na exportação de produtos agropecuários para a China. Em 2024, as exportações brasileiras do agronegócio ao país asiático somaram US$ 45,3 bilhões, representando 33% do total embarcado pelo setor.
A indústria de óleos vegetais e proteínas animais já monitora os desdobramentos das novas tarifas chinesas. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) destacam que o Brasil tem canais de exportação bem estabelecidos com a China e pode ampliar sua participação no mercado asiático, sobretudo no fornecimento de soja, milho, carne de frango e carne suína.

Imagem: assessoria
Especialistas, no entanto, alertam para os riscos envolvidos. O aumento da competitividade sul-americana pode provocar retaliações futuras por parte dos Estados Unidos, que já investigam a importação de produtos brasileiros, como madeira e móveis, por supostas ameaças à segurança nacional. Além disso, a ampliação do protecionismo global pode dificultar negociações comerciais e elevar os custos logísticos para exportadores brasileiros.
A guerra tarifária também impacta os preços das commodities. Com o aumento dos estoques internos nos Estados Unidos, a pressão sobre as cotações de soja, milho e trigo na bolsa de Chicago deve se intensificar. O presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto), avalia que os mercados devem apresentar forte volatilidade, com oscilações nos prêmios de exportação e nos custos logísticos internacionais.
“O agravamento da guerra comercial entre Estados Unidos e China coloca o Brasil em uma posição delicada. Embora, a princípio, possamos nos beneficiar com o aumento da demanda chinesa por nossos produtos agropecuários, precisamos ter cautela. A instabilidade nos mercados internacionais pode gerar volatilidade nos preços e afetar diretamente os produtores brasileiros, principalmente os que dependem de exportação para esses países”, comentou Rezende.
Para Isan, “se essa disputa comercial se intensificar, há o risco de os Estados Unidos buscarem novos mercados para seus produtos, aumentando a concorrência com o Brasil em destinos estratégicos, como Europa e Oriente Médio. Além disso, a China pode adotar políticas mais restritivas para equilibrar suas importações, o que pode limitar as oportunidades que parecem surgir agora. O impacto sobre os preços e o fluxo de exportações deve ser monitorado de perto para evitar surpresas negativas”.
“Para proteger nosso setor agropecuário, é fundamental diversificar mercados, reduzir a dependência de qualquer país e investir em acordos comerciais estratégicos. Também precisamos fortalecer a infraestrutura logística para garantir maior competitividade no comércio internacional. O Brasil tem um enorme potencial agrícola, mas a previsibilidade e a segurança comercial são essenciais para manter nossa posição de destaque no mercado global”, recomendou Isan Rezende, lembrando que outro ponto de atenção para os exportadores brasileiros é a possibilidade de a China aplicar embargos às operações de tradings americanas. “Como muitas dessas empresas operam no Brasil, um bloqueio comercial poderia comprometer a logística de escoamento da produção nacional e gerar incertezas para os produtores”.
Apesar das oportunidades que a guerra comercial pode trazer ao agronegócio brasileiro, analistas recomendam cautela. A instabilidade global pode alterar fluxos comerciais de forma abrupta, exigindo estratégias bem planejadas para evitar impactos negativos no longo prazo.
O Brasil, maior fornecedor de soja e carne para a China, deve acompanhar de perto os desdobramentos da disputa entre as duas maiores economias do mundo e buscar garantir relações comerciais equilibradas para manter a estabilidade do setor agroexportador.
Fonte: Pensar Agro
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Carnes e soja fazem exportações do agro somar R$ 80 bilhões em maio

Impulsionado pelo avanço das exportações de soja e proteínas animais, o agronegócio brasileiro movimentou cerca de R$ 80 bilhões em maio de 2026, registrando o segundo maior faturamento da história para o mês. Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pela Consultoria Agro do Itaú BBA, as vendas externas do setor alcançaram aproximadamente R$ 80 bilhões, resultado 8,2% superior ao registrado em maio do ano passado.
O desempenho reforça o papel do agronegócio como principal sustentáculo da balança comercial brasileira. Mesmo em um cenário de volatilidade nos mercados internacionais, o setor conseguiu compensar a retração observada no complexo sucroenergético com embarques robustos de grãos e proteínas, mantendo o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos.
A soja continuou liderando a pauta exportadora nacional. Em maio, os embarques do grão alcançaram 14,8 milhões de toneladas, alta de 5% em relação ao mesmo período de 2025. A receita gerada pelo produto somou aproximadamente R$ 31,5 bilhões, sustentada pela combinação entre grande oferta e preços internacionais mais favoráveis. O farelo de soja também apresentou crescimento expressivo, com exportações de 2,5 milhões de toneladas, enquanto o óleo de soja registrou uma das maiores altas do mês, avançando 34% em volume.
As proteínas animais também tiveram papel decisivo no resultado. As exportações de carne bovina in natura atingiram 262 mil toneladas em maio, crescimento de 20% sobre o mesmo mês do ano passado. O faturamento do segmento chegou a cerca de R$ 8,5 bilhões, beneficiado pela valorização dos preços internacionais e pela forte demanda dos mercados asiáticos.
A carne de frango apresentou um dos melhores desempenhos do período. Os embarques alcançaram 442 mil toneladas, alta de 32% na comparação anual. Já a carne suína manteve a trajetória positiva observada ao longo de 2026, com exportações de 111 mil toneladas, crescimento próximo de 5%.
Entre os demais produtos, o milho registrou a maior variação percentual. As exportações cresceram mais de 570% em relação a maio de 2025, embora os volumes ainda sejam considerados modestos devido ao início da colheita da segunda safra. O algodão também manteve forte ritmo de expansão, com avanço superior a 50% nos embarques, enquanto o suco de laranja apresentou crescimento de 17%, reforçando a liderança brasileira no mercado global da bebida.
Na contramão, o complexo sucroenergético enfrentou um cenário mais desafiador. As exportações de açúcar bruto recuaram 10%, pressionadas pela queda dos preços internacionais. O etanol sofreu retração ainda mais intensa, com redução de 79% nos embarques, refletindo a menor competitividade do produto brasileiro no mercado externo.
Além das questões de mercado, o setor acompanha com atenção as discussões comerciais nos Estados Unidos. Propostas de novas tarifas sobre determinados produtos brasileiros estão em análise pelas autoridades norte-americanas, embora boa parte dos principais itens do agronegócio — como carnes, café, frutas, cereais e suco de laranja — tenha permanecido fora das listas de sobretaxação.
Apesar das incertezas geopolíticas e da oscilação dos preços internacionais, os resultados de maio demonstram a resiliência do agro brasileiro. Com uma safra recorde e demanda firme por alimentos, fibras e proteínas, o setor continua ampliando sua participação no comércio mundial e reforçando sua importância para a geração de divisas e para o crescimento da economia nacional.
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Fundação Mato Grosso anuncia novos eventos para algodão e milho
Para o segundo semestre deste ano serão realizados encontros técnicos abrangendo as culturas do algodão e milho, além de um dia de campo, em junho, voltado exclusivamente para o algodão

Após três dias de uma intensa programação e difusão de informação, o 26º Encontro Técnico de Soja da Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso (Fundação MT), evento ocorrido em Cuiabá, se posiciona mais uma vez na vanguarda como o primeiro canal de validação para os produtores rurais e todo mercado, reunindo toda a cadeia produtiva de grãos, trazendo inovação em diferentes áreas de conhecimento e fortalecendo vínculos com o ecossistema da cadeia sojicultura.
Para o Head Corporativo e Comercial da Fundação Mato Grosso, Flávio Garcia, o 26º Encontro Técnico de Soja superou mais uma vez todas as expectativas de entrega ao público e na difusão de conhecimento por meio dos painéis e de networks aos produtores participantes e entre os principais players técnicos e gestores do agronegócio.
“O tema ‘Cada grão importa’, resume bem a realidade atual em tempos de margens muito apertadas, onde o produtor precisa cada vez mais estar com todo o posicionamento técnico-científico em mãos para a melhor tomada de decisão. O que nós da Fundação Mato Grosso entregamos são dados validados por nossa área de pesquisa com referência, posicionamento, qualidade e inovações no que há de melhor no mercado e para que o produtor tenha todas essas ferramentas em mãos para aplicar, seja na área de entomologia, fitopatologia, nas escolhas de cultivares, na genética, como na questão dos nematóides, matologia , mecanização e na área de solos buscando sempre a maior eficiência e resultado. No ponto de vista estratégico, a Fundação Mato Grosso por meio do seu Conselho Curador, se reuniu com várias das maiores companhias agrícolas parceiras e desenvolvedoras de P & D em um Lounge Business, visando alinhamentos na busca da perenidade, confiança, credibilidade e imparcialidade na entrega e posicionamento para o produtor. Além do fortalecimento de relacionamento, para que nós da Fundação MT sempre estejamos em “primeira mão” apresentando essas soluções inovadoras ao mercado”, destacou Garcia.
Assim que ocorreu o fechamento do Encontro Técnico de Soja, que contou com a participação de 300 pessoas nos dois dias de evento e 150 participantes de forma on-line, a Fundação Mato Grosso já anunciou mais dois grandes encontros para o segundo semestre deste ano, desta vez abrangendo as culturas do algodão e milho, nos meses de agosto e novembro respectivamente. Além de um dia de campo, nos dias 10 e 11 de junho, voltado exclusivamente para o algodão, trará para os participantes uma prévia dos resultados em campo da estação da Fundação Mato Grosso, na Fazenda Tucunaré, do Grupo Amaggi, em Sapezal.
Para o gerente de Pesquisas Serviços e Operações da Fundação Mato Grosso, Luís Carlos de Oliveira, na área técnica-científica, a atual edição do Encontro Técnico de Soja, cumpriu o seu papel, com informação de qualidade e com a validação de muitas horas de pesquisas em painéis técnicos em paralelo estudos de campo, que trazem um cenário abrangente, em assunto sensíveis como o caruru e a mosca-branca, para que produtor possa tomar a melhor decisão no dia a dia de operação na fazenda. “Em resumo para nós, o encontro cumpriu o papel dele nestes 26 anos que é levar informação confiável para o produtor, então estamos cumprindo a nossa missão é a nossa satisfação maior é o legado que nós estamos deixando que foi o Encontro Técnico de Soja”, apontou o gerente.
Sobre a FMT:
A Fundação MT é uma instituição privada sem fins lucrativos, referência nacional em pesquisa e difusão de tecnologias para o agronegócio. Com foco em culturas como soja, milho e algodão, atua no desenvolvimento de soluções que aumentam a produtividade e a sustentabilidade no campo, promovendo a integração entre pesquisa científica e aplicação prática junto aos produtores rurais.
Conta ainda com cinco estações de pesquisa distribuídas estrategicamente pelo estado de Mato Grosso, ampliando sua capacidade de geração e validação de tecnologias em diferentes condições de cultivo. Entre seus pilares institucionais, destaca-se a imparcialidade, garantindo credibilidade e isenção na geração e disseminação de informações técnicas.
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Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), 




