Mato Grosso
Iniciativa é referência no enfrentamento à violência contra a mulher
A ideia surgiu em uma audiência criminal há 10 anos, em um diálogo entre uma promotora de Justiça, uma defensora pública e um juiz. A ideia foi se aprimorando, tornou-se um projeto e hoje é referência no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher de Barra do Garças e Pontal do Araguaia. Na sexta-feira (12), um evento realizado na Câmara de Vereadores de Barra do Garças marcou o início das comemorações pela década de atuação.
De acordo com a promotora de Justiça Luciana Rocha Abraão, uma das idealizadoras do projeto, a iniciativa surgiu a partir da constatação de que as vítimas se mantinham presas a um ciclo de violência do qual a esmagadora maioria não conseguia sair somente com a tutela repressiva. Era imprescindível uma atuação preventiva e com apoio psicossocial de uma Rede de atendimento planejada para o enfrentamento desta violência.
“A Rede de Frente está alicerçada em cinco eixos de atuação que a norteiam desde a sua criação: Rede de atenção/proteção social na violência doméstica; Aplicação humanizada do procedimento legal; Educação permanente dos agentes sociais; Núcleo acadêmico de pesquisa; e Prevenção e sensibilização social. Estes eixos da Rede tiveram como fonte de inspiração os nove incisos do art. 8° da Lei 11.340/2006”, explicou a promotora de Justiça.
A Rede de Frente tornou-se Associação em março de 2017. Entre os avanços obtidos, foram destacados o estabelecimento de um protocolo de atendimento humanizado às vítimas desde o recebimento da notícia do fato na Delegacia de Polícia e encaminhamentos preestabelecidos em um fluxograma; a implementação da primeira patrulha do estado, denominada Patrulha Rede de Frente- Mulher Protegida; a inserção dos autores de violência no Grupo Reflexivo de Homens, também pioneiro em nosso estado, no qual há um olhar para o acolhimento das vítimas e suas filhas/filhos e o trabalho psicológico com os agressores, buscando de forma efetiva o enfrentamento à violência.
A Rede de Frente também contribuiu para a criação e implementação de outras Redes de Enfrentamento, com o lançamento do Manual Rede de Frente.
PALESTRA – Durante o evento realizado na Câmara Municipal, a presidente da Associação Brasileira das Mulheres de Carreira Jurídica, Manoela Gonçalves, falou sobre a “A importância das Redes de Atendimento e Enfrentamento à Violência Doméstica contra as Mulheres”.
O evento contou com a participação de diversas autoridades, entre elas, o prefeito municipal, Adilson Gonçalves de Macedo, e o presidente da Câmara Municipal, Gabriel Pereira Lopes
Fonte: Ministério Público MT – MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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