Mato Grosso
Jucemat disponibiliza informações para investigações da Polícia Federal
Os dados de empresas registradas na Junta Comercial de Mato Grosso (Jucemat) poderão ser acessados, de forma rápida, para subsidiar investigações da Polícia Federal em Mato Grosso. Um Termo de Cooperação que possibilita a parceria foi assinado na tarde desta segunda-feira (15.07), na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal, na Capital.
“A Junta Comercial mantém um banco de dados completo das pessoas jurídicas do Estado totalmente digital, um grande avanço da nossa equipe que deve colaborar com o cruzamento de dados e possibilitar um trabalho em conjunto entre as instituições”, ressalta a presidente da autarquia, Gercimira Rezende.
A cooperação possibilita um canal de intercâmbio de informação e compartilhamento de tecnologia, que deverão aprimorar o processo de investigação de possíveis fraudes. O acordo prevê ainda o fornecimento dos dados de titulares e sócios de empresas, dos registros e atos constitutivos, atos de alteração, e ainda, procurações específicas de ato mercantil.
Conforme o superintendente da Polícia Federal em exercício, delegado Carlos Eduardo Andrade, a principal vantagem da parceria é o acesso de forma rápida e eficiente às informações. Ele aponta que, a cada dia, mais informações são necessárias para o trabalho de investigação traga resultado.
“Por exemplo, no caso das quebras de sigilo bancário, em que há cerca de 10 anos recebíamos essas informações em papel. Então, de posse das informações, ainda tínhamos que analisar, passar para o meio digital, cruzar os dados. Hoje em dia as informações bancárias já chegam por via digital facilitando o trabalho das informações. A expectativa é que a mesma revolução se dê com os dados da Jucemat”, pontua.

Presidente da Jucemat, Gercimira Rezende, e o superintendente da PF, Carlos Eduardo Andrade, durante formalização da parceria.
Jucemat 100% digital
A Junta Comercial permite ao usuário realizar todas as suas operações como o registro mercantil, a abertura e baixas de empresas, as alterações de dados e cadastros, as assinaturas digitais, dentre outros serviços, por meio da internet.
Além dos processos digitais, o que permite um acesso imediato a todos os documentos da Jucemat, o registro automático implantado recentemente trouxe mais agilidade, com a abertura e fechamento de empresas, que antes demoravam até 60 dias, sendo feitos em minutos.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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