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Ministério da Agricultura e FNDE querem ampliar a presença de produtos orgânicos na alimentação escolar

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O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), quer expandir ainda este ano a presença dos orgânicos nas unidades escolares do país. Atualmente, o programa alcança 160 mil escolas de ensino fundamental e médio no Brasil e 41 milhões de estudantes. 

“O nosso trabalho é para que a gente consiga ofertar cada vez menos alimentos ultraprocessados e ofertar cada vez mais alimentos in natura minimamente processados, aumentando essa venda de orgânicos dentro do espaço escolar. Temos um orçamento para este ano de mais de R$ 4 bilhões. Então, é um nicho para que possamos desenvolver a oferta de orgânicos no ambiente escolar”, explica Karine Silva, coordenadora-geral do PNAE.

Desde 2009, o Programa estabelece o percentual mínimo de 30% para produtos da agricultura familiar nas aquisições das escolas municipais e estaduais do país. Atualmente, cerca de 43% dos municípios brasileiros não cumprem essa a previsão do PNAE.

Segundo o FNDE, responsável pelo programa, em 2017 a média nacional de aquisição dos produtos da agricultura familiar para a alimentação escolar por meio do PNAE era de 24%. Quando se leva em conta os produtos orgânicos, o percentual é ainda menor. A média nacional gira em torno de 3,5% dentro das aquisições da agricultura familiar. 

“Isso é muito pouco, se a gente pensar que o alimento orgânico é mais saudável e que deveria prevalecer no espaço de comercialização e oferta do ambiente escolar”, comenta Karine. A legislação também prevê que se os produtos forem orgânicos, o gestor municipal ou estadual pode pagar preços até 30% maiores em relação aos não orgânicos.

A coordenadora alerta que o município ou estado que não compra o mínimo de 30% de produtos da agricultura familiar conforme previsto no Plano fica com ressalvas na prestação de contas que deve ser entregue ao Tribunal de Contas da União (TCU). São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul são os estados que mais compram alimentos da agricultura familiar para as escolas, enquanto que Rondônia aparece com o percentual mais baixo de aquisição desses produtos.

Os alimentos mais adquiridos pelas escolas são as frutas banana, melancia e laranja, seguidas de leguminosas e verduras, como alface, tomate e cenoura. O arroz também é um dos produtos mais comprados diretamente da agricultura familiar.

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“É uma política bastante sólida que dá condições para o agente público acessar recursos para levar o produto mais fresco para as crianças nas escolas e sair do círculo vicioso do processo licitatório que acaba levando, pelo menor preço, para aqueles produtos ultraprocessados”, comenta Virgínia Lira, coordenadora da produção orgânica do Ministério da Agricultura.

Plantação de alimentos orgânicos

Desafios

A coordenadora-geral do PNAE explica que um dos desafios que impedem a maior participação dos alimentos da agricultura familiar e dos orgânicos no PNAE no Brasil é a falta de organização produtiva entre os produtores locais. “Os agricultores precisam se organizar, em termos de cooperativas e associações, para conseguir fornecer para a alimentação escolar. Sabemos que essa organização produtiva não é tão simples, então, precisa de assistência técnica e um trabalho coletivo e intersetorial”, recomenda Karine.

Outro empecilho é a dificuldade que muitos agricultores familiares têm para se adequar à legislação. Uma das exigências para que o produtor rural possa vender para o PNAE é que ele tenha a Declaração de Aptidão (DAP) ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Segundo o Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 3 milhões de agricultores brasileiros não possuem a DAP, o que corresponde a quase 60% do total de produtores do país.

Se o produtor quiser vender o produto como orgânico, ele ainda deve atender a outros requisitos, como ser cadastrado junto ao Ministério da Agricultura e ter a certificação de qualidade orgânica.

“Os produtores da agricultura familiar vêm buscando se organizar para conseguir se regularizar no cadastro nacional e acessar essa política (PNAE). Isso tem transformado muitas famílias, muitos produtores no país todo”, explicou Virgínia Lira.

Merenda pedagógica

Escola Classe do SRIA, em Brasília, serve apenas alimentos da agricultura familiar na merenda

A Escola Classe do SRIA, situada no Setor de Áreas Públicas de Brasília, próxima a regiões carentes da capital federal, é uma das unidades que serve apenas alimentos da agricultura familiar na merenda. E 90% dos produtos entregues pelo fornecedor da escola são orgânicos

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No momento tão esperado do lanche, a fila se forma com meninos e meninas ansiosos para ver o cardápio do dia. Na mesa, o prato preferido das crianças: galinhada. E também tem verduras, legumes e frutas, todos comprados da agricultura familiar.

Com 245 alunos da educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental (até o 5º ano), a escola tem tomado iniciativas de educação alimentar para melhorar a avaliação nutricional dos estudantes e promover hábitos mais saudáveis.

Segundo a nutricionista responsável, Lívia Lima, em todas as escolas é feita uma avaliação antropométrica dos alunos para saber o peso de cada um. Se aparece algum caso mais grave de obesidade ou outro problema, a criança é encaminhada para a rede pública de saúde ou o conselho tutelar.

“O principal problema hoje é a obesidade e o sobrepeso. Antes era o contrário. Tivemos uma mudança epidemiológica, uma transição nutricional. Aí uma alimentação mais saudável, com menos alimentos processados, ultraprocessados também vai ajudar as crianças para incluir mais verdura e fruta na alimentação deles em casa, porque comendo aqui, eles vão replicar em casa”.

A vice-diretora da escola, Cárita Alessandra Moura Sá, comenta que ainda há casos em que a criança não tem acesso à alimentação em casa.  “Eles são de áreas de vulnerabilidade, para mais ou menos 45% deles, às vezes, a principal refeição é a da escola. A gente percebe que essas crianças comem de duas a três vezes, e não é comer por comer, mas por necessidade”.

A entrega dos produtos in natura é feita toda segunda-feira. Tudo é higienizado e preparado com muito cuidado pela merendeira. As receitas são feitas por um grupo de nutricionistas. Outro time de profissionais da nutrição se reveza no acompanhamento da execução dos cardápios diretamente nas escolas. O esforço tem resultado em benefícios. Os familiares ficam menos preocupados com a alimentação de seus filhos e hoje muitas crianças já conhecem melhor os alimentos naturais.

Este ano, a escola começou a enviar o cardápio para os pais. Ao ver o que os filhos vão comer, se sentem mais seguros e as crianças ficam mais motivadas. “As crianças elogiam muito o lanche, falam pra Maria [a merendeira] que é gostoso, que é diferente. Muitos deles não conhecem esses alimentos que vêm pra escola”.

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Ainda tem algumas crianças que levam para a escola alimentos industrializados, como salgadinhos, biscoitos, doces e bebidas de caixinha e resistem em comer a merenda servida na escola. Mas, com a ajuda dos professores, muitas já mudaram o comportamento. 

Para incrementar o momento do lanche e estimular ainda mais as crianças, toda sexta-feira a professora Débora Meirelles coloca bandejas, estende toalhas coloridas nas mesinhas e incentiva que os alunos experimentem sabores diferentes,

“Os professores também têm um papel fundamental no estímulo das crianças para comerem bem. Principalmente quando são pequenos assim pra quando eles cheguem na fase adulta, eles já têm uma noção do que é uma alimentação saudável. Eles absorvem tudo, e isso é muito interessante, porque só com conhecimento é que eles vão ter a capacidade de fazer as escolhas mais saudáveis e apropriadas”.

Para ajudar os pais e educadores na mudança de comportamento das crianças, a nutricionista recomenda seguir os 10 passos para uma alimentação saudável do guia alimentar. Entre as dicas do guia, está a ideia de compartilhar habilidades culinárias com os pequenos desde cedo.

“Eu preciso fazer com que meu filho, minha criança saiba cozinhar, porque ele não vai abrir um pacotinho, ele vai descascar. Então, a gente precisa fazer com que eles fiquem mais íntimos do processo de compras, ir no supermercado, levar numa horta para eles começarem a entender o processo, fazer com que a criança seja parte da alimentação”, disse Lívia.

Escola Classe do SRIA, Brasília, serve apenas alimentos da agricultura familiar na merenda.

Campanha

O Ministério da Agricultura lançará nas próximas semanas a 15ª Edição da campanha “Produto Orgânico – Melhor para a Vida”. Realizada anualmente na última semana de maio, a campanha deste ano tem como tema “Qualidade e saúde: do plantio ao prato”.

Um dos principais objetivos da campanha deste ano é informar ao consumidor como reconhecer o produto orgânico nos diversos espaços de comercialização. A mobilização também busca promover o produto orgânico e a conscientizar os consumidores sobre os princípios agroecológicos da produção de alimentos de forma mais sustentável.

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“A Carne do Futuro” será tema de simpósio nas principais cidades de Mato Grosso

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Evento reunirá mais de 2 mil produtores, pesquisadores e especialistas em Cuiabá e Rondonópolis

Foto- Assessoria

Com o tema “A Carne do Futuro”, o 12º Simpósio Nutripura, um dos mais importantes encontros da pecuária brasileira, acontecerá entre os dias 19 e 21 de março de 2026, com um dia de campo no Centro de Pesquisa Nutripura (CPN), em Rondonópolis, e outros dois dias de palestras e painéis em Cuiabá, no Buffet Leila Malouf, espaço referência em eventos no estado.

O simpósio reunirá mais de 2 mil participantes, entre produtores, técnicos, pesquisadores e empresas do agronegócio, em uma programação voltada à inovação, sustentabilidade e tendências nos principais mercados globais da carne brasileira.
Entre os nomes confirmados estão José Luiz Tejon, referência em marketing agro e comportamento do consumidor, Alexandre Mendonça de Barros, economista e especialista em cenários agropecuários, além de Moacyr Corsi, Flávio Portela e Luiz Nussio, professores da Esalq/USP reconhecidos por suas contribuições em nutrição, manejo e produção animal.

O Dia de Campo abrirá a programação com demonstrações práticas de tecnologias aplicadas à nutrição, manejo e bem-estar animal. Já os painéis técnicos e debates em Cuiabá contarão com especialistas para discutir os avanços da pecuária brasileira em inovação, sustentabilidade e rastreabilidade. O encerramento contará com o tradicional churrasco oferecido pela Nutripura, momento de networking e celebração da cultura da carne.
As inscrições já estão disponíveis no site www.nutripura.com.br/simposio.

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Exportação de carne suína de Mato Grosso bate recorde histórico em 2024

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China, Vietnã e Angola são principais destinos da proteína suína produzida em MT

Foto- Assessoria

O bom ano da suinocultura mato-grossense refletiu também nas exportações da proteína suína. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) Mato Grosso bateu recorde histórico de exportação de carne suína em 2024, atingindo 1,306 mil toneladas exportadas. O número é 9% maior que o exportado em 2023, antigo recorde com 1,199 mil toneladas.
No cenário nacional o resultado de 2024 também foi positivo, a exportação brasileira de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) atingiu 1,352 milhão de toneladas, estabelecendo novo recorde para o setor. O número supera em 10% o total exportado em 2023 (com 1,229 milhão de toneladas), segundo levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).
Para o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho, a expectativa de 2025 é positiva para o setor, principalmente pelo histórico dos últimos quatro meses.
“A expectativa é que 2025 seja um bom ano, visto o recorde de exportações nos últimos meses de 2024. A Acrismat vai continuar realizando o trabalho de manutenção sanitárias que promovem a qualidade da nossa carne, para manter nossas exportações e abrir novos mercados para nossos produtos”, pontuou.
Os principais destinos da carne suína de Mato Grosso foram Hong Kong, Vietnã, Angola e Uruguai. Dos produtos exportados, 80% foram In Natura, 18% miúdos e apenas 2% industrializados.
Na última semana o governo do Peru, por meio do Serviço Nacional de Sanidade Agrária (Senasa), autorizou que nove novas plantas frigoríficas no Brasil exportem produtos para o país.
Desde janeiro de 2023, o país vizinho importa carne suína do estado do Acre. Agora, com as novas habilitações, unidades em Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná e São Paulo também poderão vender.
“A abertura do mercado peruano é mais uma boa oportunidade para a suinocultura de Mato Grosso, e reflete que o ano de 2025 para a atividade será de grandes oportunidades”, afirmou Frederico.
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Dia do Agricultor (28/7): produção de grãos deverá atingir 330 milhões de toneladas na próxima década

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Ministério da Agricultura prevê crescimento de 27% no setor até 2031; soja, milho, algodão e trigo puxam a evolução do setor

Foto: Assessoria

Enquanto outros setores produtivos mostraram dificuldades para crescer durante a pandemia, o agronegócio brasileiro “puxou para cima” o PIB nacional em 2020 – e deve continuar o bom desempenho também na próxima década. Segundo o estudo Projeções do Agronegócio, Brasil 2020/21 a 2030/31, realizado pela Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, a produção de grãos no Brasil deverá atingir mais de 330 milhões de toneladas nos próximos dez anos, uma evolução de 27%, a uma taxa anual de 2,4%. Soja, milho, algodão e trigo deverão se manter como os grandes protagonistas no campo.

O levantamento concluiu ainda que o consumo do mercado interno, o crescimento das exportações e os ganhos de produtividade, aliados às novas tecnologias, deverão ser os principais fatores de expansão do agronegócio brasileiro, que representou, no ano passado, mais de 26% de todo o produto interno bruto do país.

Na contramão

O setor de farinha de trigo, por exemplo, foi fortemente impactado pelo aumento no consumo de pães e massas no mercado interno durante a pandemia, e teve um crescimento de 9% no faturamento do ano passado, segundo estudo da Abimapi (Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados).

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E a tendência seguiu assim no primeiro trimestre de 2021. A Herança Holandesa – linha de farinhas de trigo da Unium, marca institucional das indústrias das cooperativas paranaenses Frísia, Castrolanda e Capal – registrou no período, uma produção de 36,6 mil toneladas de farinha de trigo, e um faturamento que ultrapassou os R$ 67 milhões, números robustos para o setor no estado. “Os primeiros meses do ano foram muito positivos para o moinho da Unium. Nossa estimativa de produção para 2021 é de 140 mil toneladas, mesmo com um segundo semestre mais desafiador, com o preço do dólar influenciando no custo da matéria-prima”, explica o coordenador de negócios do moinho de trigo da Unium, Cleonir Ongaratto.

Dividida entre farinha e farelo de trigo, a produção da Unium não foi interrompida durante o período mais crítico do isolamento social, e a companhia conseguiu ainda investir R$ 756 mil em seus produtos em 2020. Ongaratto afirma que o principal objetivo foi garantir que todos os clientes fossem atendidos e que os supermercados estivessem abastecidos. “E a tendência é que continuemos dessa  forma. Temos um estudo para uma duplicação da moagem no moinho da Herança Holandesa, que deve ser aprovado pela diretoria da Unium ainda este ano, pois acreditamos que o setor continuará crescendo no futuro”, finaliza o coordenador.

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