Mato Grosso
Missão do Programa REM elogia integração dos órgãos do executivo de MT
A segunda missão de monitoramento do Programa REM Mato Grosso destacou a integração e a cooperação entre os órgãos do Poder Executivo Estadual na execução das ações que visam complementar as ações já desenvolvidas por Mato Grosso para combate ao desmatamento ilegal e valorização da floresta em pé.
“Todas as secretarias estão realmente trabalhando juntas. Quando chegamos aqui em 2016 isso não acontecia muito e agora vemos que esse processo está muito mais natural. Foi muito gratificante ver o compromisso de gerar resultados de implementação”, elogiou a coordenadora do Programa REM, Christiane Ehringhaus. Durante a visita, a líder da delegação também enfatizou a decisão da nova gestão, sob o comando do governador Mauro Mendes, em assumir o programa mantendo a mesma equipe gestora: “Também percebemos o comprometimento com a qualidade técnica e entrega de resultados diretos para a população que está na base”.
Para avaliar o avanço e implementação do programa REM Mato Grosso (REDD+ para pioneiros) e acordar as prioridades para sua efetivação, representantes do Governo de Mato Grosso, Instituto Produzir, Conservar e Incluir (PCI), banco Alemão KfW, Departamento de Negócios, Energia e Estratégia Industrial (BEIS) e Fundo Brasileiro da Biodiversidade (Funbio) se reuniram em Cuiabá entre os dias 25 e 30 de maio, semana que antecede as comemorações do Dia Mundial do Meio Ambiente.
A partir das reuniões, foi elaborado e assinado documento que contém os elogios e orientações para melhoria na execução do Programa REM Mato Grosso. Dentre as considerações, a missão apontou a necessidade de definição de regiões geográficas prioritárias, preferencialmente duas na Amazônia e uma no Cerrado. O relatório também aponta para a importância de que as ações tenham convergência estratégica para que os resultados esperados de combate ao desmatamento ilegal e valorização da floresta em pé sejam atingidos.
Tecnologia
Durante a visita, a missão de monitoramento esteve na Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT), que coordena o programa REM Mato Grosso ao lado do Instituto Produzir, Conservar e Incluir, para conhecer na prática o trabalho da Superintendência de Fiscalização (SUF) e Superintendência de Regularização e Monitoramento Ambiental (SRMA). Por meio do programa de fortalecimento institucional previsto no projeto, a Sema pretende investir ainda mais em tecnologia, por meio de aquisição de imagens de satélite de alta resolução, para aumentar a eficiência do monitoramento em tempo real.

Servidora da Sema explica para a delegação como são feitas as análises e validações do Cadastro Ambiental Rural (CAR)
“Estamos criando um modelo de fiscalização para o combate do desmatamento ilegal que pode se tornar referência em todo País. Com a tecnologia que temos hoje já é possível agirmos mais rapidamente ao identificar os focos do desmatamento irregular”, destacou o secretário adjunto Executivo da Sema, Alex Marega, durante a ronda. A delegação também teve a oportunidade de conhecer a infraestrutura tecnológica que a Sema vem preparando para automatizar os processos de gestão ambiental e atualizar as bases de referência cartográficas.
A delegação da segunda missão de monitoramento do Programa REM foi liderada pelo banco KfW representado pela coordenadora do Programa REM, Christiane Ehringhaus, pelo gerente de Licitações e Compras, Klaus Kohnlein, o gerente de projetos, Florian Arneth e o assessor técnico de REDD+, Bojan Auhagen. Para representar o Reino Unido, estiveram em Mato Grosso Helen Humford do BEIS e Katerina Trosmann da Embaixada Britânica.

Secretaria vem preparando infraestrutura tecnológica para digitalização e automação dos sistemas de gestão ambiental
Estado pioneiro
Desde 2004, Mato Grosso obteve uma redução de 89% no desmatamento das suas florestas, mantendo 63% do seu território intacto. Portanto, Mato Grosso é campeão na redução do desmatamento, marca que o credenciou para recebimento dos recursos do Programa REM – projeto internacional que premia as jurisdições pioneiras na Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+).
Em 2017, durante a Conferência do Clima realizada na cidade alemã de Bonn, foi assinado o acordo entre Mato Grosso e os governos da Alemanha e do Reino Unido possibilitando a destinação ao Estado de até 22 milhões de libras e 17 milhões de euros, cerca de R$ 180 milhões na moeda atual, em um período de cinco anos. Para receber os valores, que são gerenciados pelo Fundo Brasileiro da Biodiversidade, o estado de comprometeu a manter o desmatamento abaixo de 1788km².
Outra frente de atuação mato-grossense para conter o desmatamento e valorizar a floresta em pé é o desenvolvimento de estratégias integradas para o Desenvolvimento Rural de Baixa Emissão (DBRE). De acordo com o Instituto Earth Innovation, de 39 jurisdições que abrigam florestas tropicais em seu território, Mato Grosso é a única que mantém uma ampla gama de iniciativas mais avançadas que abordam a produção agropecuária sustentável para propriedades de grande e pequeno porte.
Essas iniciativas estão todas elencadas dentro da Estratégia Produzir, Conservar e Incluir (PCI), lançada na COP 21 em Paris, que inclui 21 metas claras para aliar produção com conservação ambiental e inclusão social. Os marcos foram desenvolvidos por meio de processos participativos que incluíram atores de setores públicos, privados e sem fins lucrativos e buscam o desmatamento líquido zero em todo o estado e zerar emissões líquidas de carbono florestal até 2030, mantendo aproximadamente 6 gigatoneladas de CO2 fora da atmosfera, além de manter no mínimo 60% da cobertura vegetal nativa.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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