Mato Grosso
MTI discute parcerias estratégicas para assegurar a viabilidade da empresa
A Diretoria Executiva da Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI) deu início às discussões sobre a possibilidade de implantação de parcerias estratégicas entre a empresa e entidades privadas a fim de fechar novos contratos de fornecimento de serviços e tecnologias e, por consequência, assegurar a viabilidade econômico-financeiro da MTI.
A possibilidade está prevista na Lei das Estatais (n° 13.303/2016) – e foi discutida durante reunião nesta terça-feira (19.03) entre a MTI, Governo do Estado, órgãos de controle como Ministério Público do Estado e Controladoria do Estado, além de membros da Google Brasil.
A lei aponta a possibilidade de formalização de parcerias, nos casos em que a escolha do parceiro esteja associada a suas características particulares e vinculada a oportunidades de negócio definidas e específicas, sem a necessidade de procedimento competitivo.
Com isso, de acordo com o presidente da MTI, Kleber Geraldino, a lei possibilitará parcerias estratégicas que podem trazer benefícios à empresa, como o aumento da capacidade de investimento em Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC), intercâmbio tecnológico, novas frentes de valor, além do fortalecimento da governança corporativa.
Atualmente, a MTI mantém 200 sistemas de Tecnologia da Informação (TI), atende a cerca de 4 mil demandas de software por ano, de um total de 52 órgãos do Poder Executivo, 113 instituições municipais e 5 instituições estaduais.
“É fundamental que todos tenham conhecimento dessa lei, para que a MTI possa fornecer serviços para outros estados e construir um modelo mais sólido de negócio, de forma a solucionar os problemas que hoje a empresa possui. Estamos nos reestruturando e queremos aderir a um modelo que, ao invés de desenvolver tecnologia, possa prover soluções através dessas parcerias estratégicas”, disse.
O vice-presidente da MTI, Cleberson Gomes, explicou que hoje a empresa possui baixa capacidade de investimento e uma demanda represada. E com as parcerias, vai conseguir trazer novas receitas e assegurar sua própria sustentabilidade, sem a dependência financeira exclusiva do Poder Público.
Ele lembrou ainda que essas parcerias já foram formalizadas por empresas com atuação em âmbito nacional, como o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev) e até a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
“Queremos envolver a todos nesse modelo. A MTI vai pensar no Estado, ao invés de deixar que haja soluções setoriais. Vamos conseguir garantir economia e eficiência na área de TI no Estado. Essa parceria é fundamental para a MTI se fazer viável”, afirmou.
Durante a reunião, o subprocurador-geral de Aquisições e Contratos, da Procuradoria Geral do Estado, Felipe da Rocha Florêncio, afirmou que a lei é uma ferramenta que veio dar oportunidade de as estatais competirem no mercado. E, por se tratar de medida inovadora no Estado, merece atenção da PGE quanto à legalidade e constitucionalidade de todo o processo, a fim de evitar questionamentos futuros.
“A Lei das Estatais vai favorecer a empresa em um ambiente de negócios mais propício de fazer parcerias com entidades privadas de grande porte, como Google e Amazon. Tem que se aproveitar dessa inovação, que é uma norma que veio para desburocratizar essas empresas estatais e esse é o caminho que a MTI tem que seguir para se manter sustentável no mercado e demonstrar para o Estado que tem plenas condições de entregar o serviço ”, disse.
Já o secretário adjunto de Controle Preventivo e Auditoria da Controladoria Geral do Estado, José Alves Pereira Filho, apontou que é importante discutir as inovações da lei e destacou que a CGE vai acompanhar todo o processo, de modo a observar os possíveis riscos e contribuir, como parceiro, para a melhoria dos serviços de TI em todo o Estado.
“A CGE está pronta para contribuir. Sempre fomos parceiros da MTI nessa questão das inovações. Temos histórico grande de gasto com tecnologia que precisamos buscar resultado. A MTI sai na frente nessa proposta de buscar as inovações da lei para aperfeiçoar os seus processos e a CGE vai contribuir e estar próximo acompanhando os processos, para que a MTI consiga avançar na nova forma de tocar a empresa”, afirmou.
Essa foi a primeira de uma série de reuniões, que envolverá também demais entidades e a sociedade, que devem ocorrer para discutir futuras parcerias.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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