Mato Grosso
Plano aborda melhor estratégia para divulgação do Pantanal
O Plano de Marketing do Pantanal foi apresentado à população em uma audiência pública, realizada nesta terça-feira (18.06) em Várzea Grande, que reuniu cerca de 40 integrantes do setor de Turismo, entre gestores públicos, operadores e empresários dos ramos hoteleiro e gastronômico. O trabalho mostrou dados importantes de diagnóstico, elaborados a partir de uma pesquisa de campo e avaliou como o destino está sendo vendido hoje e qual a melhor forma de inseri-lo com mais eficiência nos mercados nacional e internacional.
Conforme a especialista em marketing e diretora da empresa contratada para a confecção do plano, Jeanine Pires, o evento é a última etapa do processo de elaboração antes da entrega oficial. Agora, será realizada mais uma revisão, bem como a inserção das considerações realizadas pelos participantes.
“O Pantanal de Mato Grosso é uma das regiões com a maior diversidade de recursos naturais que existe no Brasil e na América Latina, e fazer um planejamento de longo prazo para promover essa região foi uma experiência extremamente positiva para nossa empresa. Ficamos muito felizes em saber que agora a região tem um planejamento para que possa, em longo prazo, reposicionar a imagem do Mato Groso no Brasil e no mercado internacional”, afirma.
Para o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, o trabalho dará condições do turismo na região ser ainda mais profissional. Na audiência, ele assegurou que o governador Mauro Mendes está comprometido com o desenvolvimento do setor e, paralelamente a execução do plano, existe uma série de obras de infraestrutura previstas.
“Nos próximos meses iremos inaugurar quatro pontes na transpantaneira e temos outras ações previstas para melhoria do acesso. Além deste trabalho, queremos trabalhar junto com os empresários e gestores municipais. Afinal de contas, o resultado só virá se houver uma parceria forte”, explica Miranda.
O plano
Uma pesquisa realizada pela empresa que elaborou o plano mostra que, antes de chegar aos destinos, os visitantes pesquisam pela internet e também ligam para os operadores para pedirem orientação. Isto aponta para a necessidade constante de qualificação dos operadores, seja com cursos ou tours pela região. “Este comportamento é comum em todos os destinos que saem fora do tradicional. Lembrando que sair fora do tradicional é uma tendência”, contextualiza Jeanine.
A especialista relata que existe uma tendência mundial de se afastar dos destinos concorridos, onde para conseguir comer e chegar a um atrativo é preciso passar por filas e ambientes lotados.
Dentro dessa perspectiva, houve o aumento dos destinos definidos como ecoturismo. Neles, a pessoa consegue ter uma atmosfera sossegada, além do apelo saudável e sustentável, que tem conduzido a atual geração de viajantes.
Na tentativa de atrais mais turistas, o plano prevê ações que incluem a criação de um site para o turismo de Mato Grosso, bem como a realização de tours para operadores, jornalistas e influenciadores digitais. Outra estratégia é focar nos mercados internacionais do Reino Unido, Estados Unidos e Alemanha, onde estão concentrados os turistas estrangeiros que já vieram ao Pantanal e os que estão mais propensos a fazer ou refazer a viagem.
Com relação ao Brasil e Mato Grosso, foi falado em uma ação efetiva para trazer o turista local e do Brasil para o Pantanal e atuar em uma propaganda que desmistifique a ideia de que o Pantanal tem um período certo para visitação. A ideia é mostrar que para cada período, existe uma atividade diferente a ser feita, reduzindo assim a sazonalidade.
Assim que todos os ajustes forem concluídos, o plano será disponibilizado para toda a sociedade. Vale lembrar que o trabalho foi custeado pelo Ministério do Turismo em parceria com o governo do Estado de Mato Grosso.
Mato Grosso
Circuito do Varejo promove capacitação sobre atendimento e vendas digitais em Lucas do Rio Verde, Alta Floresta, Colíder e Água Boa

Mato Grosso
Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

Foto- Assessoria
Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.
Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.
As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.
Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.
Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.
Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.
Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.
Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.
A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.
Mato Grosso
Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres
A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.
A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.
Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.
De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.
As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.
“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.
Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.
Foto: Reprodução.
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