Mato Grosso
Poluição sonora provoca interdições, prisão e notificações em Várzea Grande
Três dos seis estabelecimentos fiscalizados no sábado (15.06), durante a operação Sossego Público em Várzea Grande, foram interditados. Parte integrante do planejamento da Câmara Temática do Meio Ambiente Urbano da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), a iniciativa visa combater ocorrências relacionadas à perturbação do sossego alheio, com foco na poluição sonora.
As interdições foram realizadas pela Gestão Fazendária do município, sendo que em uma delas a proprietária foi conduzida à delegacia pela Guarda Municipal. A operação, realizada de forma integrada, também apreendeu um equipamento de som. As notificações foram feitas pelo Corpo de Bombeiros Militar (6); Gestão Fazendária de Várzea Grande (6); Secretaria Municipal de Meio Ambiente (4); e Coordenadoria de Postura do município (4).
Durante a operação também foram notificados 26 (mesmo número de Autos de Infração de Trânsito – AITs) dos 45 veículos abordados e seis foram apreendidos. Foi realizado um teste de alcoolemia e foram recolhidas três Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs).
O secretário adjunto de Integração Operacional da Sesp-MT, coronel PM Victor Fortes, ressaltou que as operações têm apresentado resultados positivos e servem como base para aprimorar cada vez mais as ações. “Esta Câmara foi criada recentemente e está aprimorando a atuação a cada operação realizada, e isso é fruto do empenho dos envolvidos de todas as instituições que a compõem”.
A operação contou ainda com a participação do 25º Batalhão da Polícia Militar (PM-MT). O comandante do 2º Comando Regional, coronel PM Marcos Roberto Sovinsk, frisou a importância do trabalho conjunto. “A integração entre os órgãos de segurança e também de fiscalização do município é fundamental para alcançar o objetivo proposto de melhorar a qualidade de vida da população de Várzea Grande”.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
Mato Grosso
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