Mato Grosso
Prefeito de Rondolândia-MT tem mandato cassado
Por 7 votos favoráveis e 2 contrários os vereadores cassaram na madrugada desta quarta-feira (15), o mandato do prefeito de Rondolândia/MT Agnaldo Rodrigues (PP). O município fica a 1.200 quilômetros da capital de Mato Grosso, Cuiabá. Também nesta quarta, em sessão extraordinária, os parlamentares aprovaram a Convocação plenária nesta quinta-feira (16), às 08h00, para posse do vice-prefeito Ronaldo Garcia de Bessa (PSB).
A sessão que cassou Aguinaldo foi bastante extensa, com início às 14 horas do dia 14, e só terminada às 02h30 da madrugada desta quarta-feira.
De acordo com a presidente da Comissão Processante (CP), vereadora Adriana Oliveira Barroso (PR), o pedido pelo afastamento do prefeito teve como base, a conclusão dos trabalhos de 287 páginas, todas lidas na íntegra pela Comissão, que investigou o prefeito Agnaldo, acusado de cometer inúmeras irregularidades administrativas, que fragilizou o sistema financeiro da Prefeitura.
Votaram a favor da cassação: as vereadoras Adriana de Oliveira Barroso (PR), Lígia Neiva (PTB), e Dorizete Quirino (Solidariedade), além dos vereadores, Diones Miranda de Carvalho (PSB) Romilson da Luz nogueira (PRB), Joaquim Cruz Nogueira (Solidariedade) e Gilberto Aguiar Peixoto do MDB.
Votaram contra, os vereadores Lindomar Ferreira da Costa (PP) e Manoel Amaral Neto (PT).
As denúncias se referem a inúmeros requerimentos não respondidos à Câmara de Vereadores sobre suspeitas de lista de contratações duvidosas, licitações e irregularidades no INSS dos servidores municipais. Com base na Resolução da Mesa Diretora para investigar o prefeito, a Comissão que tinha prazo de 90 dias para concluir os trabalhos, aprovou a cassação do prefeito em 72 dias. A Comissão também seguiu as normativas do decreto 201/67, artigo 4 inciso III, a Constituição Federal, Orgânica e o Regimento Interno da Casa de Leis do município para atuar sobre as denúncias.
Conforme a vereadora, que também é presidente da Comissão Processante, o prefeito Agnaldo Rodrigues Carvalho foi denunciado por um dos eleitores da cidade, que protocolou denúncias em processos licitatórios para a compra de pneus, no valor de R$ 2 milhões para a Secretaria Municipal de Educação.
Além disso, a Comissão mantém investigação sobre uma Ação Civil Pública do Ministério Público Estadual (MPE), referente a uma “pedalada” do prefeito que utilizou recursos públicos para aquisição de material de consumo, sem autorização dos vereadores.
Segundo a vereadora, diante dos desmandos municipais, diversos setores foram atingidos, como a educação. A merenda escolar e o transporte de alunos estão prejudicados, além de outros setores. “A situação do município está precária. O prefeito não respondia aos questionamentos dos vereadores e passou a utilizar os recursos públicos de forma duvidosa”, afirmou Adriana de Oliveira.
Desde que passou a ser denunciado, o prefeito tentou recorrer à Justiça, nas Comarcas de Comodoro e de Cuiabá pedindo a suspensão da Comissão Processante. Mas não teve êxito, uma vez que os órgãos alegaram não terem competência sobre as prerrogativas do legislativo de Rondolândia.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Leis aprovadas por Câmaras são declaradas inconstitucionais em MT

Foto- Assessoria
Leis aprovadas em câmaras municipais que avançam sobre atribuições típicas do Poder Executivo continuam sendo alvo de questionamentos no Judiciário, com reiterado reconhecimento de inconstitucionalidade por vícios formais. Em decisões recentes envolvendo municípios mato-grossenses, a exemplo de Sinop e Rondonópolis, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) reafirmou os parâmetros que delimitam a atuação do Legislativo local.
Nesse contexto, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) tem se manifestado em ações diretas de inconstitucionalidade apontando irregularidades em leis de iniciativa parlamentar que tratam da execução de políticas públicas. Foi o que ocorreu nos casos das Leis Municipais nº 3.599/2025, que instituiu a denominada Escola Ambiental, e nº 3.641/2026, que criou o Programa Oftalmologia nas Escolas, ambas no município de Sinop.
As análises jurídicas indicam que essas normas apresentaram vício formal de iniciativa, uma vez que trataram de matérias cuja proposição é reservada ao chefe do Poder Executivo. A Constituição Federal e a Constituição do Estado de Mato Grosso estabelecem que cabe privativamente ao Executivo propor leis que disponham sobre organização administrativa, funcionamento de órgãos públicos e implementação de políticas governamentais, entendimento que se aplica aos municípios por simetria constitucional.
Nos casos analisados, as leis não se limitaram à criação de diretrizes gerais, mas passaram a disciplinar a execução das políticas públicas. Entre os pontos identificados estão a definição de periodicidade de serviços, a imposição de atividades específicas por secretarias e a vinculação direta de ações à estrutura administrativa do município. Esse tipo de previsão normativa caracteriza ingerência indevida na esfera do Executivo, ao restringir a margem de decisão administrativa quanto à conveniência, oportunidade e viabilidade das medidas.
Situação semelhante foi verificada em Rondonópolis, onde a Lei Municipal nº 14.224/2025 instituiu o projeto “Bem-Estar Rural”, determinando a realização de atividades físicas e de lazer para a população, com frequência mínima semanal e execução a cargo de secretaria municipal. O entendimento consolidado foi de que a norma, também de iniciativa parlamentar, impôs obrigações concretas ao Executivo, interferindo na gestão administrativa, no planejamento de políticas públicas e na alocação de recursos humanos, além de exigir contratação de profissionais.
Nessa hipótese, assim como em Sinop, o Ministério Público apontou que, embora a iniciativa legislativa tenha sido orientada por finalidade social relevante, a forma adotada acabou por invadir a esfera de competência do Executivo, comprometendo o equilíbrio entre os poderes e retirando do gestor público a possibilidade de avaliar a melhor forma de execução da política pública.
Outro ponto comum nos casos analisados é a violação ao princípio da separação dos poderes. Embora o Legislativo tenha papel essencial na formulação de normas e na representação da sociedade, sua atuação encontra limites constitucionais. Quando a lei estabelece comandos operacionais específicos, substitui a discricionariedade administrativa por obrigações previamente definidas, caracterizando interferência indevida na gestão pública.
Além disso, foi constatada a ausência de estimativa de impacto orçamentário e financeiro em leis que criavam despesas públicas obrigatórias e continuadas. A exigência constitucional de apresentação desse estudo busca garantir o equilíbrio das contas públicas e a compatibilidade com o planejamento orçamentário. A inobservância desse requisito tem sido considerada vício suficiente para invalidar as normas.
A atuação do Ministério Público nesses casos busca assegurar que o processo legislativo observe os parâmetros constitucionais, contribuindo para a produção de normas eficazes e juridicamente válidas, sempre reconhecendo o importante papel das câmaras municipais na elaboração de leis que estabeleçam diretrizes gerais e políticas públicas em sentido amplo.
Mato Grosso
Estado é condenado a reformar Cadeia Pública feminina de Cáceres
A pedido da 1ª Promotoria de Justiça Cível de Cáceres (a 225 km de Cuiabá), a Justiça determinou que o Estado de Mato Grosso apresente, no prazo de até 90 dias, um plano completo para sanar irregularidades estruturais, sanitárias e de segurança na Cadeia Pública Feminina de Cáceres, sob pena de multa diária em caso de descumprimento. A 4ª Vara Cível da comarca julgou procedente a Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público de Mato Grosso. A sentença foi proferida em 21 de maio.
A decisão judicial estabelece que o Estado deve elaborar, apresentar e implementar um Plano de Adequação Estrutural e Funcional, no qual deverão constar, de forma detalhada, todas as intervenções necessárias para a regularização da unidade, incluindo obras, reparos e medidas voltadas ao cumprimento das normas de segurança contra incêndio, das condições sanitárias e das exigências estruturais. O cronograma deverá indicar, ainda, os prazos de início e conclusão de cada etapa, a estimativa de custos, as fontes de financiamento e os órgãos responsáveis pela execução.
Além disso, o Estado deverá comprovar periodicamente o andamento das ações por meio da apresentação de relatórios técnicos e registros fotográficos a cada 60 dias, evidenciando a evolução das medidas adotadas. Na sentença, o juízo também fixou multa diária de R$ 2 mil, limitada inicialmente a R$ 100 mil, em caso de descumprimento dos prazos estabelecidos.
De acordo com a ação, a investigação teve início após a 1ª Promotoria de Justiça Criminal identificar irregularidades relevantes na unidade durante fiscalizações de rotina, especialmente relacionadas à estrutura física, à segurança e ao funcionamento, com risco à integridade de custodiadas e servidores. Diante desse cenário, a 1ª Promotoria de Justiça Cível instaurou procedimento para acompanhar a situação e cobrar providências do Estado, responsável pela gestão do sistema prisional.
As apurações revelaram um quadro crônico de precariedade estrutural, com edificações deterioradas, problemas nas instalações elétricas, ausência de sistemas adequados de prevenção a incêndios e falhas nas condições sanitárias. Relatórios técnicos e vistorias realizadas por órgãos como o Corpo de Bombeiros, a Vigilância Sanitária e o Centro de Apoio Operacional do Ministério Público (CAO-MP) confirmaram os riscos. Na cadeia feminina, foram registrados, entre outros problemas, fiação exposta e sobrecarga elétrica, fatores que motivaram, inclusive, pedido de interdição parcial.
“As irregularidades estruturais constatadas pelo Centro de Apoio Operacional do Ministério Público expõem de forma permanente pessoas privadas de liberdade, servidores e demais usuários das unidades prisionais a riscos concretos à vida e à integridade física, especialmente em razão da precariedade das edificações, da ausência de manutenção preventiva e da deficiência das instalações elétricas e estruturais.”, narra a ação.
Segundo o MPMT, as medidas adotadas pelo Estado ao longo da investigação foram pontuais e insuficientes para solucionar as irregularidades. O Ministério Público também buscou uma solução extrajudicial, por meio da proposta de celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), mas não obteve resposta do poder público.
Foto: Reprodução.
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