Mato Grosso
Procon Estadual lança campanha orientativa “Autista também é consumidor”

Em alusão ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, comemorado no dia 2 de abril, o Procon-MT, órgão vinculado à Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Setasc), lança a campanha “Autista também é consumidor”.
A secretária adjunta do Procon-MT, Cristiane Vaz, salienta que a intenção é chamar a atenção da população e dos fornecedores para os direitos dos consumidores autistas.
“Por isso, durante todo o mês de abril o Procon e a Setasc estarão produzindo e publicando material em seus canais de comunicação, como sites e redes sociais, para divulgar esses direitos”, informa Cristiane.
Entre esses direitos está o atendimento prioritário, garantido pela legislação federal (Lei Nº 14.626). A lei estabelece que pessoas autistas tenham atendimento prioritário em serviços públicos e privados, nas áreas de saúde, educação, assistência social, concessionárias de serviços públicos e em instituições financeiras.
Em Mato Grosso, a legislação estadual (Lei nº 11.909/2022) estabelece o atendimento prioritário à pessoa com autismo também em estabelecimentos privados que prestem atividades comerciais ou de serviços, como supermercados, bancos, farmácias, restaurantes, lojas em geral e similares.
“Nesses locais, as placas com avisos sobre o atendimento preferencial devem incluir o símbolo mundial da conscientização em relação ao Transtorno do Espectro Autista”, alerta a secretária adjunta do Procon-MT.
A advogada Vanessa Caetano da Rosa, de 37 anos, que é autista, explica que ambientes públicos podem ser sobrecarregados de estímulos e causar estresse e desconforto, pois as pessoas com o transtorno frequentemente têm dificuldades de percepção e processamento de informações sensoriais.
Para autistas, esperas prolongadas, luzes intensas, sons altos, multidões ou mudanças inesperadas na rotina podem levar a uma sensação de perda de controle e desespero, que pode desencadear crises e até comportamentos extremos, como gritos, choro, acessos de raiva e agressividade. Daí a importância de se respeitar o atendimento prioritário.
Para Vanessa, ir ao mercado, por exemplo, exige um planejamento cuidadoso: antes de sair de casa, ela precisa ensaiar mentalmente o que irá fazer, tomar medicação para ansiedade e colocar na bolsa itens que ajudam a manter o conforto – como uma toalha, água, fones de ouvido – e elaborar uma lista de compras organizada alfabeticamente. No supermercado, mesmo sabendo exatamente o que precisa comprar, Vanessa percorre todas as prateleiras.
“No momento do pagamento, mesmo possuindo a Carteira de Identificação do Autista, ainda prefiro usar a fila comum em vez do atendimento preferencial, mesmo que isso acabe me causando sofrimento físico e mental, como dores de cabeça, crises de ansiedade e cansaço extremo”, explica.
Vanessa ainda não se sente segura o suficiente para exercer seu direito ao atendimento preferencial e prefere enfrentar as consequências de permanecer na fila convencional – lidando com a espera, o barulho e os odores – a ir ao caixa preferencial.
“O simples fato de imaginar que precisarei explicar que sou autista, justificar meu nível de suporte ou esclarecer minha presença naquele espaço me causa grande desconforto. Sei que esse processo faz parte da minha adaptação e autoconhecimento. Aos poucos, estou aprendendo a me respeitar. Mais do que isso, quero exercer plenamente meus direitos como autista, sem medo ou receio de ser quem eu sou”, relata Vanessa.
Carteira de identificação do autista
Para ter acesso a muitos dos direitos garantidos em lei, a pessoa com autismo precisa apresentar a Carteira de Identificação do Autista (CIA). O documento é emitido de forma gratuita pela Setasc e contém informações específicas e qualificadas da pessoa com o transtorno, o contato de emergência e, se for o caso, informações de seu representante legal/cuidador. Para solicitar o documento, basta acessar o aplicativo MT Cidadão.
Para saber outras informações sobre o documento, acesse o site da Setasc.
Campanha “Autista também é consumidor”
Durante todo o mês de abril, o Procon Estadual irá disponibilizar posts, vídeos educativos, cartilha digital e cartazes sobre os direitos dos consumidores autistas. O ‘Abril Azul’ foi estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de conscientizar a população sobre o autismo, envolver a comunidade, trazer visibilidade e buscar uma sociedade mais consciente, menos preconceituosa e mais inclusiva.
Confira AQUI a Cartilha Digital elaborada pelo Procon-MT com os direitos da pessoa autista.
E curta e compartilhe o nosso post no Instagram da Setasc.
Fonte: Governo MT – MT
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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