Mato Grosso
Quadrilha que enviava celulares para presídios é presa em Rondonópolis
Cinco integrantes de uma associação criminosa envolvida em crimes de roubo de veículos, tráfico de drogas e de celulares foram presos em flagrante pela Polícia Judiciária Civil, na quarta-feira (13.02), em ação da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) de Rondonópolis (212 km ao sul de Cuiabá). Com o grupo, foram apreendidos vários celulares que seriam enviados para líderes da facção dentro de presídio, drogas, armas de fogo e duas caminhonetes, uma delas roubada no dia anterior.
V.M.D., 48, E.H.S.M., 20, A.R.S.B., 24, e A.S.M., 22, responderão pelos crimes de associação criminosa, receptação, adulteração de sinal de veículo automotor e corrupção de menores. O adolescente, J.V.S.M., 16 responderá pelo ato infracional análogo ao tráfico de drogas e associação criminosa.
A ação teve início, quando durante diligências, os policiais da Derf-Rondonópolis levantaram suspeitas de uma caminhonete Toyota Hilux, com cinco pessoas dentro. Devido a série de roubos de caminhonetes no município, os investigadores acompanharam um veículo até uma residência no bairro Vila Mineira, onde foi realizada a abordagem de três suspeitos.
Em buscas na casa em que os suspeitos estavam, foram apreendidos diversos celulares, que segundo os suspeitos seriam levados por drones para dentro do Presídio Major Eldo Sá (Mata Grande), para serem entregues aos líderes da facção. No quarto de E.H.S.M., foram apreendidos dois drones que seriam utilizados na ação, além de uma pedra de cocaína e um simulacro de pistola.
A outra equipe que continuou acompanhando a caminhonete realizou a abordagem do condutor V.M.D., que retornou residência no bairro Vila Mineira. No interior do veículo, foi apreendido uma arma de fogo calibre 38, com cinco munições intactas e chaves de outra caminhonete, uma Chevrolet S-10.
Questionado, o suspeito confessou que era dono da arma e disse que as chaves eram de um veículo que estava guardado em sua residência a pedido de E.H.S.M. Os policiais seguiram até a casa do suspeito no mesmo bairro, onde encontraram a caminhonete, que após checagem foi constato se tratar de produto de roubo, ocorrido no município de Água Boa, na terça-feira (12).
O veículo já estava com as placas trocadas e com documento falso. Os suspeitos A.R.S.B. e A.S.M. receberam a caminhonete e a trouxeram até Rondonólis ocultando o veículo. O menor J.V.S.E. que possui passagem anterior pela Polícia, seria o responsável por levar a caminhonete roubada para o Paraguai.
Diante da situação, os cinco suspeitos foram conduzidos a Derf-Rondonópolis, onde após serem interrogados foi lavrado o flagrante. Segundo o delegado, Vinícius Franciscon Prezoto, os suspeitos fazem parte de uma quadrilha envolvida em crimes de roubos de veículos, tráfico de drogas e entrega de celulares dentro de presídios.
“E.H.S.M. é o responsável pelo tráfico de drogas dentro do presídio, utilizando drones para repassar entorpecentes e celulares por cima dos muros da penitenciária. O grupo também encontrava casas para esconder veículos de roubos feito pela quadrilha e fazia a adulteração dos automóveis antes de serem encaminhados ao Paraguai”, disse o delegado.
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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