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Quando o vício é a comida

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*Arnaldo Sérgio Patrício

O dicionário Aurélio traz dois significados para a palavra vício. O primeiro, é de “efeito ou imperfeição grave de pessoa ou coisa”. Já o segundo, “qualquer deformação que altere algo física ou emocionalmente”. Quando tratamos então de vício alimentar, o que podemos entender é que se trata de um sentimento, desejo pelo consumo de alimentos de uma maneira anormal e de forma compulsiva.

Qualquer vício traz riscos a integridade da pessoa que a sofre, mas quando tratamos dessa problemática na seara nutricional, é preciso mais sensibilidade na análise. Comer é uma necessidade de sobrevivência e mesmo uma pessoa que esteja habitando esse estado de compulsão, precisa se alimentar. A questão então é como então interromper o círculo vicioso e identificar o momento que isso se tornou um problema?

A irmandade Comedores Compulsivos Anônimos, grupo que reúne pessoas que sofrem dessa problemática, formulou um questionário que pode ajudar a identificar se o comer se tornou uma patologia. Entre as perguntas, estão algumas estratégicas, como “minha maneira de comer está afetando a minha saúde” e ainda “meus comportamentos alimentares fazem a mim ou aos outros infelizes”?

Esse reconhecimento pode tornar mais fácil o início da cura, visto que auxilia na identificação de que, de fato, há um problema a ser tratado. A ciência nos aponta que existem alimentos que desencadeiam reações no nosso organismo, que nos façam sentir dependência. A Yale Food Addiction Scale (YAFS) aponta alguns deles, como salgadinhos, doces, chocolate, biscoitos, massa, pão branco, sorvete e outros.

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Então, deve-se evitar comer esses alimentos que atuam como gatilho na compulsão alimentar.  Mesmo que a lista de itens que causam a perda de controle seja longa, há uma ainda muito maior daqueles que não sequestram a parte racional do cérebro, permitindo que a pessoa que sofra desse desiquilíbrio possa ter acesso a uma dieta saudável e prazerosa.

Um estudo recente realizado pelo instituto de psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), analisou dados de 190 mulheres que participam de um grupo de apoio para transtorno alimentar. Conforme os dados analisados com base na YAFS, mais de 95% delas tinham adição por comida. Na mesma análise, foi observado que quanto mais crítica uma pessoa com relação a seus hábitos alimentares, maior a noção de vício.

Outra pesquisa realizada pelo mesmo grupo da USP identificou fatores que aumentam a sensação de vício por comida. O mais significativo, de acordo com as respostas, foi a prática de dietas. Faz parte do ser humano desejar aquilo que não podemos ter, Freud explica. E quanto tratamos de comida, precisamos dela. Não é algo que pode ser retirado da nossa rotina, com em outros vícios.

Por isso, várias abordagens podem auxiliar quem quer se desprender da compulsão alimentar e sem dúvida, todas elas devem tratar do equilíbrio emocional de quem a sofre. O suporte profissional é essencial para ajudar a identificar a melhor abordagem que será utilizada a cada paciente, já que cada ser é único, possui problemas distintos e uma forma diferente de conseguir manipular a situação em seu favor.

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Esse não é um desafio que, quem o sofre, está destinado a enfrentar sozinho. Mas é possível, através de um tratamento acompanhado por pessoas treinadas e capacitadas, obter respostas sobre a dificuldade de parar de comer. O Hospital São Judas Tadeu conta com a Unidade de Emagrecimento e Longevidade, que reúne profissionais capacitados para auxiliar nessa busca. Para a cura, basta o primeiro passo.

* Arnaldo Sérgio Patrício é médico especialista em Medicina Interna e Radiologia do Hospital São Judas Tadeu. Também é diretor da Unidade de Emagrecimento e Longevidade (UEL). Instagram @arnaldosergio

 

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Testosterona: essencial para homens e mulheres

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Testosterona é um hormônio apenas masculino? Não, é produzido principalmente por homens, mas também por mulheres. Os homens têm níveis circulantes dele mais altos, no entanto, quantitativamente, é o esteróide sexual ativo mais abundante no corpo feminino ao longo da vida.

Testosterona é essencial para a saúde física, mental e para o bem-estar feminino, influenciando também diretamente na libido. A baixa dele, pode gerar sintomas como alteração de humor, ansiedade, irritabilidade, depressão, fadiga física, perda óssea e muscular, alterações na cognição, limitação de memória e insônia.

Além disso, em homens idosos e em mulheres na pré e pós-menopausa, períodos de vida em que sua produção diminui, é comum perceber ondas de calor, queixas reumatoides, dor nas mamas, incontinência e disfunção sexual. Isso porque, após os 50 anos existe uma atenuação na sua produção fisiológica.  Além da idade, contribui para a redução o consumo abusivo de bebidas alcoólicas, tabagismo, excesso de peso, diabetes, stress e problemas com o sono.

A testosterona, no homem, é responsável por características como crescimento da barba, engrossamento da voz ou aumento da massa muscular, produção de espermatozoides e manutenção da massa óssea. Nesse público, seu arrefecimento pode ocasionar ainda o aumento da gordura corporal, diminuição da barba e perda de pelos no geral.

Já nas mulheres, pode haver o aparecimento de alguns sintomas semelhantes como perda de massa muscular, acúmulo de gordura visceral e menor desejo sexual (libido).

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Para fazer o diagnóstico da sua falta, associamos os achados clínicos com exames laboratoriais. São solicitadas a dosagem da testosterona livre e da testosterona total. Antes de iniciarmos a reposição hormonal fazemos com que o paciente emagreça, controle a diabetes, reduza o stress, faça exercícios e se alimente melhor.

O tratamento deverá ser feito com a orientação de um profissional de saúde e o mesmo leva a excelentes resultados, com uma melhora evidente na qualidade de vida do paciente. Então fique atento aos sintomas e na dúvida procure um médico para fazer um acompanhamento e monitoramento deste hormônio.

* Arnaldo Sérgio Patrício é especialista em Medicina Interna e Radiologia. Também é diretor da Unidade de Emagrecimento e Longevidade (UEL). Instagram @arnaldosergio 

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O correspondente bancário será a agência do futuro

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Ney Pereira, da 3C Plus Foto: Felipe Bahls

No ano passado, o Banco Central divulgou que 43,4% (2.427) das cidades brasileiras não possuem agências bancárias. O movimento de redução de espaços físicos de bancos vem crescendo desde 2016 com o processo de digitalização do sistema financeiro, ganhando força em 2020 com a pandemia de Covid-19.

Com o distanciamento social e os cuidados contra o vírus, os clientes passaram a usar ainda mais os canais remotos dos bancos, disponíveis via aplicativos em celulares e tablets ou pelo internet banking, acesso pelo navegador do computador. Mas não foi somente isso que possibilitou aos bancos fecharem algumas portas.

Por mais que tenha diminuído a necessidade de contato 1×1, muitos clientes ainda precisam de atendimento presencial e é aí que entra o correspondente bancário. Por isso, podemos afirmar que o Corban será a agência do futuro. A oferta de serviços por correspondentes bancários foi a solução encontrada para evitar que muitos brasileiros não fiquem sem atendimento, seja para assistência presencial ou por não terem acesso à internet.

Além de empréstimos e financiamentos, os bancos disponibilizam por esse canal serviços básicos como abertura de conta, solicitação de cartão de crédito, pagamento de boletos e saques de benefícios disponibilizados pelo governo.

Ampla presença e novo modelo de empréstimo

Os correspondentes bancários estão presentes em 5.570 cidades segundo levantamento feito pelo Banco Central, o que representa ao menos um correspondente por município brasileiro. Acredito que o Corban tem uma grande oportunidade de crescimento, não só pelo aumento da demanda por seu atendimento, mas também pelo avanço do mercado.

Em termos de produto, o correspondente bancário movimentou cerca de 100 bilhões de reais em crédito no ano de 2021, o que representa 40% do mercado. Com a disponibilização do empréstimo de saque antecipado do FGTS, a previsão é que eles passem a movimentar mais de 400 bilhões de reais.

No final de 2021, o Banco do Brasil anunciou que firmou um acordo com a administradora de correspondentes bancários e passará a vender seguros por meio desse canal. Quanto aos bancos privados, Itaú e Bradesco são os que mais têm aumentado as ofertas de vendas por correspondentes bancários e fechado agências físicas.

Bancos digitais também miram no correspondente bancário

Alguns bancos digitais já consideram utilizar os canais de correspondente bancário para crescer e alcançar mais clientes. Um exemplo prático de sucesso é o Banco Pan, instituição financeira controlada pelo Banco BTG Pactual S.A. e pela Caixa Participações S.A., que oferece conta digital. O Banco Pan optou por serviços presenciais contando com mais de 700 correspondentes bancários distribuídos pelo Brasil, que além da abertura da conta digital também podem oferecer empréstimos e financiamentos.

Essa prática pode ser seguida por outros bancos que já têm experimentado parceria com lojas físicas como estratégia de crescimento. Um exemplo é o C6 Bank, que desde 2020 conta com uma parceria com a Tim, o que atraiu mais de 200 mil clientes ao banco digital em apenas três semanas. De um lado o banco oferece créditos extra para cada recarga efetuada via aplicativo, do outro a operadora indica em suas lojas a abertura da conta digital para parcelamento de smartphone sem juros e acesso a cartão sem anuidade.

Momento de qualificação e profissionalização

Para aproveitar as oportunidades, o correspondente bancário precisa estar atento às regras e buscar a melhor relação com os bancos contratantes. A partir de fevereiro de 2022 entrará em vigor a nova regulamentação sobre correspondentes no país, definida pelo Conselho Monetário Nacional.

O foco da instituição é reduzir problemas de conduta relacionados à empréstimos consignados e aprimorar a regulamentação para a função de débito em conta, o que deve garantir mais segurança aos usuários desse canal. Essa norma também possibilita aos correspondentes atuarem de forma digital, prática que tem crescido no setor nos últimos anos. Já para as instituições financeiras garante mais mecanismos de controle e monitoramento sobre a atuação dos correspondentes.

Já observamos um movimento voltado para a melhora no processo, agora é o momento do Corban buscar se qualificar e profissionalizar seu atendimento. Algo que pode contribuir para o sucesso do Corban é a contratação de ferramentas que auxiliam na gestão dos negócios e geram relatórios que podem ser compartilhados com os bancos, garantindo mais segurança e transparência em suas atividades.

* Ney Pereira é CFO e sócio da 3C Plus, sistema de telefonia que automatiza a discagem e apresenta relatórios que ajudam a melhorar a performance de operações de cobrança, vendas, SAC, e correspondentes bancários.

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De todos os meses, falemos do laranja! Maio Laranja

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Susana Ribeiro

O dia 18 de maio faz referência ao dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de crianças e adolescentes instituído pela Lei Federal 9.970/00. Essa data foi escolhida porque, em 18 de maio de 1973, em Vitória, no Espírito Santo, um crime, conhecido como Caso Araceli, chocou o país pela brutalidade. Araceli era uma criança de apenas oito anos de idade que foi raptada, estuprada e morta por jovens de classe média alta que não foram punidos, a não punição dos acusados justifica-se em muito pela ligação destes com a elite do local, o que gerou comoção popular nacional.

De acordo com o Ranking Mundial de Exploração Sexual de Crianças e Adolescente, o Brasil ocupa a 2ª posição entre os países. Os números seguem assustadores, os últimos levantamentos realizados, mostram que o Disque 100 teve 95,2 mil denúncias de violência contra crianças e adolescentes em 2020. Os registros corresponderam a 368.333 violações e incluem violência física, psicológica, abuso sexual físico, estupro e exploração sexual. Os dados são da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (ONDH).

Segundo um estudo realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Instituto Sou da Paz e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), referem -se ao fechamento das escolas como um dos principais vetores da diminuição de denúncias, nos últimos dois anos (anos de pandemia), já que os professores frequentemente conseguiam identificar a vítima, além de tomar providências, notam se tem marcas de agressão no corpo da criança, o comportamento entre os colegas e com os demais. É no chão da escola que surge a maioria das denúncias ao conselho tutelar. O relatório afirma também que 84% dos casos ocorrem dentro da residência das crianças, e 75% das denúncias de violência são de estupro.

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De acordo com o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), a família sem dúvida desempenha uma das mais importantes funções na infância e na adolescência de um ser humano, porque é com esta instituição que o indivíduo tem seus primeiros contatos, interação e assim atua no seu desenvolvimento inicial. Mas na realidade de muitas crianças esses direitos não passam de contos de fadas. E a cada dia meninos e meninas pagam preços absurdos por negligência daqueles que deveriam ser seus provedores.

Contudo, falar de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes, ainda é tabu em nossa sociedade, apesar de ser uma questão muito real e recorrente. Mesmo diante dos dados acima pontuados, é comum que a violência sexual contra crianças e adolescentes caia no arcabouço de coisas que “não aconteceriam na minha família”.

Vale pôr em evidência que, esse movimento ainda é pouco divulgado e pouco discutido em âmbitos sociais como escolas, cursinhos, igrejas, entre outros locais, educação sexual não é um assunto muito comum em rodas de conversas e pouco polemizado entre as famílias, essa falta de diálogo reflete na triste realidade que vivenciamos com as crianças e adolescentes que foram e são alvos de violência sexual, e se escondem por traz de suas cicatrizes doloridas para não serem descobertos (as), vezes por vergonha (se acham culpados pelo abuso), vezes por serem ameaçados pelos seus abusadores.

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O estatuto visa garantir junto com a Constituição a proteção total da criança e do adolescente, preservando a integridade e garantindo a dignidade dos menores, assim como alguns artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente dispõe:

Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.

Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende:

  1. a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;
  2. b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública;
  3. c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas;
  4. d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude.

Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. (BRASIL,1990)

A criança ou adolescente vítima de alguma forma de abuso sexual, transparece vestígios que alteram o comportamento no dia a dia, tornando-o mais vulnerável em relação ao desenvolvimento de problemas psicopatológicos, quais seriam em Síndromes Internalizantes e Externalizantes, ou seja, a Síndrome Internalizante do indivíduo possui um comportamento que expressa em relação a si próprio, como tristeza, medo, o que levará à depressão e a ansiedade, e a Síndrome Externalizante referem-se a comportamentos expressos a outras pessoas ou ao ambiente, como agressividade ou raiva (MARTINHO,2016).

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(…) altos níveis de ansiedade, distúrbios no sono, distúrbios na alimentação, distúrbios no aprendizado, comportamento agressivo, apatia ou isolamento, comportamento tenso (estado de alerta), regressão a comportamento infantil, tristeza, abatimento profundo, comportamento inadequado, faltas frequentes à escola, desconfiança de adultos, choro sem causa aparente, entre outros (apud MEICHENBAUM et al, 1994).

Este assunto pouquíssimo colocado em pauta nas nossas rodas de conversa, deve se tornar objeto de analise e observação diária, independente de nossas profissões, seja ela professor ou o motorista de ônibus que leva tantos jovens para lá e para cá.

Esse debate vem convidar você leitor (a) a se tornar sensível a esta causa, que tantas vezes acreditamos não acontecer na nossa realidade e despercebidamente não olhamos ao nosso redor. O mês laranja passa, só tem trinta e um dias, mas a luta por nossas crianças e adolescentes deve ser contínua.

Susana Ribeiro, 32 anos, Professora de história,Rondonópolis 2022

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ALMT – Campanha Fake News II

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