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Saúde mental como pilar do emagrecimento saudável

Dr. Arnaldo Sérgio Patrício
Corpo e mente não funcionam separados. Quando cuidamos da saúde mental, criamos as bases para mudanças de comportamento duradouras e, acima de tudo, saudáveis. Não é raro que pacientes que enfrentam dificuldades com o peso também relatem quadros de ansiedade, estresse crônico, compulsão alimentar ou mesmo sintomas depressivos. Ignorar esses fatores emocionais é tratar apenas a superfície do problema.
A compulsão por alimentos ultraprocessados ou a falta de motivação para a atividade física, são frequentemente manifestações de desequilíbrios emocionais. A saúde mental deve ser vista como parte de um conjunto de estratégias que envolvem acompanhamento médico, mudanças de estilo de vida, apoio psicológico e educação em saúde.
A medicalização isolada, como os mounjaros, sem uma abordagem integrada a saúde mental, corre o risco de repetir erros do passado e não agir de forma eficaz no emagrecimento.Nos últimos anos, temos observado um avanço significativo na forma como a medicina e a nutrição abordam o processo de emagrecimento.
A ciência, felizmente, vem abandonando a visão puramente matemática das calorias e incorporando uma compreensão mais humana e integrada do corpo e da mente. Nesse novo cenário, a saúde mental emerge como um verdadeiro pilar para o emagrecimento saudável.
É justamente por isso que devemos adotar uma abordagem interdisciplinar, que inclui apoio psicológico ou até acompanhamento psiquiátrico. Essas ferramentas não apenas reduzem os níveis de estresse e cortisol, hormônio diretamente ligado ao acúmulo de gordura abdominal, como também devolvem ao paciente a sensação de controle sobre suas escolhas.
É fundamental entender que o emagrecimento tem que deixar de ser encarado como um projeto especificamente estético e passe a ser entendido como um processo de autoconhecimento e reequilíbrio integral. O peso ideal, afinal, não se alcança apenas com dieta, mas com equilíbrio, acolhimento e propósito.
Em suma, um plano de emagrecimento verdadeiramente eficaz e duradouro deve contemplar não apenas o aspecto físico, mas também o emocional. Investir no bem-estar psicológico é investir em um emagrecimento consciente, saudável e, acima de tudo, sustentável.
Dr. Arnaldo Sérgio Patrício é Especialista em Medicina Interna e Radiologia e atende como médico responsável pela Unidade de Nutrição do Hospital São Judas em Cuiabá Instagram @arnaldosergio
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Um estado que produz tanto não pode falhar com sua juventude
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A seca é um teste de gestão

Por Aluísio Metelo Junior*
A seca é um evento previsível e recorrente em todas as regiões produtoras do país. Ainda assim, muitos produtores chegam ao período crítico sem aceiros revisados, divisas limpas, estradas internas operacionais, equipes treinadas ou um plano estruturado de prevenção. Embora seja frequentemente tratada apenas como um problema climático, a seca é, na prática, um teste de gestão. Existe uma máxima que deveria orientar toda propriedade rural: na seca não se planeja, na seca se executa. O planejamento precisa ocorrer meses antes, pois quando os primeiros incêndios surgem, já é tarde para definir estratégias.
A principal barreira contra o fogo não é o caminhão-pipa, mas a manutenção preventiva da fazenda. As Resoluções nº 02 e nº 03 do COMIF reforçam que a prevenção deve fazer parte da rotina de gestão antes do período crítico, e não ser uma resposta emergencial à crise. Entre as medidas mais importantes estão os aceiros, que não podem ser vistos como mera exigência burocrática. Eles constituem a principal barreira física contra a propagação do fogo e devem ser dimensionados de acordo com a vegetação e o relevo, permanecendo limpos, contínuos e estrategicamente posicionados em divisas, reservas, florestas plantadas, lavouras e áreas de infraestrutura. Aceiros mal conservados oferecem apenas uma falsa sensação de segurança.
A segunda linha de defesa é formada pelas pessoas. Equipamentos sem operadores capacitados pouco contribuem para o combate aos incêndios e podem até aumentar os riscos. Ainda é comum a crença de que possuir um caminhão-pipa ou reservatório de água seja suficiente, mas a eficiência da resposta depende do preparo da equipe. As resoluções do COMIF destacam a importância da capacitação operacional, especialmente porque os primeiros minutos de um incêndio costumam ser decisivos para o controle das chamas.
É importante compreender que o fogo destrói aquilo que a seca apenas castiga. Enquanto a estiagem reduz a produtividade, o incêndio pode eliminar completamente os recursos necessários para a recuperação da propriedade. Pastagens, cercas, máquinas, áreas de preservação, florestas plantadas e a própria fertilidade do solo podem ser severamente comprometidos. Em muitos casos, os prejuízos de um único incêndio superam amplamente o investimento necessário para implantar medidas preventivas.
Nesse cenário, o Plano de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (PPCIF) assume papel central. O documento funciona como um verdadeiro plano de voo da propriedade durante a seca, identificando riscos, áreas sensíveis, rotas de acesso, pontos de abastecimento de água, estruturas de apoio e protocolos de atuação.
Por sua complexidade técnica e legal, o PPCIF não deve ser tratado como mera formalidade. Sua elaboração exige acompanhamento de profissional qualificado, capaz de adequar o plano à legislação vigente, dimensionar corretamente recursos e orientar ações preventivas. Mais do que um documento, o PPCIF é uma ferramenta de gestão de risco que protege o patrimônio, reduz a exposição a multas e fortalece a capacidade de resposta da propriedade.
Quando a umidade cai, os ventos aumentam e os primeiros focos aparecem, não há espaço para improviso. A seca apenas revela quais propriedades se prepararam adequadamente. Aceiros revisados, equipes treinadas, equipamentos inspecionados, estradas operacionais e um PPCIF atualizado são os elementos que definem se a propriedade estará protegida ou vulnerável diante do fogo.
Aluísio Metelo Junior é Coronel Veterano do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, engenheiro de incêndio e especialista com mais de 30 anos de experiência em Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, ex-Presidente do Comitê Nacional de Gestão de Incêndios Florestais (CONAGIF/LIGABOM) e ex-membro do Comitê Nacional de Manejo Integrado do Fogo (COMIF), CEO da Ellos Soluções Contra Incêndios Florestais.
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