Mato Grosso
Secretária discute com povo Xavante melhorias e fortalecimento da educação indígena
A secretária de Estado de Educação, Marioneide Kliemaschewsk, recebeu, na tarde desta quarta-feira (06.02), representantes da etnia Xavante para discutir assuntos referentes à educação escolar indígena de unidades dos municípios de Paranatinga (a 373 quilômetros de Cuiabá), Campinápolis (658 quilômetros de Cuiabá), Barra do Garças (a 509 quilômetros de Cuiabá) e General Carneiro (a 442 quilômetros de Cuiabá).
Entre os assuntos tratados estavam a formação continuada para professores, reforma e ampliação de escolas, prestação de contas, além da solicitação para implantação do Núcleo de Educação Escolar Indígena Xavante.
Conforme explicou a secretária, a Secretaria de Educação (Seduc) quer fortalecer a discussão sobre a política educacional indígena. “Vamos formar uma comissão, com representações de vários segmentos ligados à educação indígena, incluindo os conselhos de educação, para discutir as especificidades da educação indígena, incluindo a cultura e os costumes de cada etnia. Nosso objetivo é fazer com que as políticas sejam discutidas com quem está no chão da escola e que vivencia essa realidade no dia a dia”.
O presidente do Conselho Estadual de Educação Escolar Indígena, Filadelfo de Oliveira Neto, disse estar confiante de que nos próximos quatro anos a educação indígena na rede estadual de Mato Grosso avance muito. “Saímos muito satisfeito dessa reunião, principalmente por a secretária nos receber e ouvir os anseios do povo indígena do Estado”.
O professor Xisto Xavante, da Escola Estadual Indígena Hambe, localizada no município de General Carneiro, falou da importância da implantação do núcleo escolar xavante para a comunidade escolar indígena. “Mato Grosso tem muitas etnias, sendo a Xavante uma das maiores. Não queremos ser tratados como se fossemos um povo só, pois cada povo tem sua cultura. Queremos que as políticas públicas para a educação sejam construídas levando isso em consideração”.
Para a diretora da Escola Aldeiona, professora Marcelina Xavante, a participação dela nas discussões sobre políticas educacionais é um avanço muito grande para as mulheres da aldeia, pois na etnia elas são submissas aos homens e raramente participam dessas discussões.
Também participaram da reunião representantes das escolas indígenas dos municípios de Campinápolis, Aldeiona, Wa’Omora, Rãi’Rãte, Estrela, Xavante, Luz Rudzane’Edi Orebwe, David Ai’Rero, Constantino Tsererowêe Butse Wawe e de Paranatinga, Paihitwara; o cacique Pedro, da Aldeia Uirapuru; a assessora pedagógica de Campinápolis Mírian de Fátima; a representante do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público do Estado de Mato Grosso (Sintep) Guelda Oliveira; os secretários adjuntos Executivo, Alan Porto, de Gestão Educacional, Rosa Maria Luzardo, de Administração Sistêmica, Ane Cristina dos Santos, além de técnicos da Seduc.
Educação Escolar Indígena
A rede estadual conta com 71 escolas indígenas distribuídas em todas as regiões do Estado, atendendo 11.600 alunos em todas as fases da educação básica.
A Educação Escolar Indígena é voltada às escolas localizadas em terras habitadas pelas comunidades indígenas, com a garantia do atendimento de ser diferenciada, específica, intercultural e de acordo com a realidade sociolinguística de cada povo.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
Mato Grosso
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