Mato Grosso
Sistema Socioeducativo é tema de reunião entre MPMT e Sesp
Reforçando o compromisso de tratar a infância e a juventude como prioridade na gestão 2023-2025, a primeira reunião de trabalho do procurador-geral de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso, Deosdete Cruz Junior, teve como pauta o Sistema Socioeducativo no Estado. Na sexta-feira (10), ele recebeu o secretário de Estado de Segurança Pública, coronel PM César Augusto de Camargo Roveri, para tratar da atualização de um acordo judicial firmado entre as instituições sobre o Socioeducativo e definir um novo cronograma.
A reunião contou com a participação do procurador de Justiça Paulo Roberto Jorge do Prado, titular da Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente, e dos promotores de Justiça da área da infância e juventude de Cuiabá, Rogério Bravin de Souza, e de Várzea Grande, Douglas Lingiardi Strachicini e Silvio Rodrigues Alessi Júnior. Também participaram o secretário-adjunto de Segurança Pública, coronel PM Héverton Mourett de Oliveira, a secretária-adjunta de Justiça, Lenice Silva dos Santos Barbosa, e o diretor de Execuções Estratégicas da Polícia Judiciária Civil, Mário Dermeval Aravéchia de Resende.
Durante a reunião, Deosdete Cruz Junior reforçou o compromisso de tratar a criança e o adolescente como prioridade absoluta em sua administração. No encontro, ficou acertado que nos próximos 60 dias serão inaugurados dois Centros Socioeducativos em Mato Grosso, com 60 vagas cada, sendo um em Sinop e outro em Barra do Garças. Eles deverão atender as regiões Médio-Norte e do Araguaia. As vagas são para internação de adolescentes que praticam ato infracional de natureza grave.
Para o segundo semestre, será priorizada a construção das unidades de Cáceres e Tangará da Serra. A comitiva da Sesp-MT informou que já está em andamento a ampliação do Complexo Pomeri, em Cuiabá, para oferta de 60 novas vagas destinadas prioritariamente a Várzea Grande, em razão do aumento significativo dos atos infracionais praticados por adolescentes, inclusive, sob influência de organizações criminosas. E que há previsão de revitalização de todo o complexo para melhor atender os internos.
Na reunião ficou definida também a implantação da medida de semiliberdade em Cuiabá e em Lucas do Rio Verde nos próximos meses, bem como a realização de reuniões periódicas entre os atores envolvidos. O encontro contribuiu para o fortalecimento da parceria entre o MPMT e a Sesp-MT no combate ao crime organizado, especialmente no que se refere ao sistema prisional.
Fonte: MP MT
Mato Grosso
Júri é remarcado depois que defesa abandona plenário em julgamento de filho de ex-deputado

A sessão de julgamento de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado pelo feminicídio de Thays Machado e pelo homicídio qualificado de Willian Cesar Moreno, foi remarcada para o dia 31 de julho, às 9h, após a defesa abandonar o plenário nesta terça-feira (21). Mais uma vez, os advogados tentaram o adiamento do julgamento, o que foi indeferido pela juíza Monica Catarina Perri Siqueira, presidente da sessão, sob o argumento de que não havia justificativa plausível para a redesignação da data.
Segundo a magistrada, os advogados tiveram um prazo de 15 dias para analisar os documentos juntados aos autos. Ela ressaltou que a maior parte dessas informações já constava no processo e que a alegada falta de acesso a um despacho específico sobre prisão domiciliar não acarretaria prejuízo real, uma vez que a decisão sobre o tema também integra os autos.
“O advogado, quando assume a substituição no processo, o recebe no estágio em que ele se encontra. O processo não recua, ele tem que andar para a frente”, afirmou Monica Perri. Após anunciar a nova data do júri, a magistrada determinou que, caso não haja um advogado constituído apto para atuar na sessão, a Defensoria Pública deverá estar preparada para assumir a defesa na data prevista. Todos os presentes saíram intimados do plenário.
A acusação seria conduzida pelos promotores de Justiça Vinicius Gahyva Martins e Élide Manzini de Campos, integrantes do Núcleo de Defesa da Vida do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT). O réu era defendido pelos advogados Elson Marcelino da Silva Júnior, Larice Cristine, Melissa de Oliveira Machado e Gabriel Gouvea Neno Reiff.
Manobra – Ainda no plenário, o promotor de Justiça Vinicius Gahyva Martins sustentou que o acesso a processos externos é responsabilidade da defesa e que as questões relacionadas ao habeas corpus e à prisão domiciliar já foram resolvidas, não havendo justificativa para o adiamento do júri. Ele destacou o papel do Ministério Público como fiscal da lei, com a missão de assegurar direitos e preservar a imagem das vítimas perante a coletividade. Também se posicionou contra o abandono do plenário, ressaltando que a realização de um Tribunal do Júri exige o empenho e a presença de diversos envolvidos, inclusive pessoas que se deslocaram de outros estados, e que a “ritualística do tribunal” deve ser respeitada em busca da verdade.
Vinicius Gahyva disse ainda que o abandono do plenário é uma estratégia que acaba por arranhar a imagem do Tribunal do Júri. “Isso tem se tornado, de certo modo, frequente nos julgamentos do Tribunal do Júri, especialmente naqueles que afligem de forma intensa o interesse da coletividade, como é o caso concreto de um feminicídio e de um homicídio de dois jovens. São duas pessoas que, efetivamente, traduzem a necessidade de reafirmarmos o nosso papel social de não banalização da vida humana. Nós sabemos que o Tribunal do Júri envolve uma série de providências que devem ser adotadas para que o ato processual seja realizado, e lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada”, afirmou.
A promotora de Justiça Élide Manzini de Campos lembrou que o julgamento já deveria ter ocorrido no dia 7 de julho. Segundo ela, naquela ocasião, a defesa solicitou o adiamento para análise de provas, pedido que foi deferido pela magistrada responsável pelo caso, com a remarcação da sessão para 21 de julho. “É um absurdo uma medida protelatória após mais de três anos do fato, com a família aguardando o julgamento. A defesa admite alegações de nulidades que não existem e que já foram completamente afastadas. É uma estratégia utilizada para tentar postergar, prorrogar e até abrir outro incidente de sanidade, ou qualquer outra medida, para que esse julgamento não ocorra. Tudo isso já foi afastado, e não há motivo algum para que esse julgamento não aconteça”, afirmou.
Sobre o caso de feminicídio, a promotora destacou que a reação da sociedade demonstra uma rejeição cada vez mais firme a esse tipo de crime. Segundo ela, a população tem se posicionado de forma clara contra a violência de gênero e em defesa do enfrentamento aos feminicídios, cobrando respostas efetivas do sistema de Justiça para coibir esse tipo de violência.
Fotos: Josi Dias | TJMT
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