Mato Grosso
Museu de História Natural reabre ao público com nova ala que exibe máscaras sagradas do povo waurá
“Quem não valoriza o passado e o presente não constrói bases solidas para o futuro”. Com essa frase, o governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, resumiu a solenidade de reinauguração do Museu de História Natural Casa Dom Aquino, na manhã desta segunda-feira (07).
Após alguns meses fechado para visitação, o Museu Casa Dom Aquino reabre as portas com importantes mudanças, tanto na parte estrutural da edificação quanto no acervo, que agora conta com uma nova ala da exposição permanente e uma reserva técnica novinha.
Entre as mudanças estruturais, destaque para reparos e substituição parcial do telhado, esquadrias, substituição de toda a parte elétrica e banheiros com acessibilidade. Sobre o acervo, à exposição permanente do Museu soma-se a ala de mascaras sagradas dos povos waurá e uma reserva técnica que segue os padrões internacionais de museologia.
“Até pouco tempo atrás, todo material arqueológico e paleontológico descoberto em Mato Grosso seguia para outras regiões do país ou mesmo para o exterior, com a desculpa de que aqui em Mato Grosso não tínhamos um espaço adequado para acondicionamento. Com a nova reserva técnica, isso não voltará a acontecer. Agora temos um espaço tão bom quanto o de qualquer outro museu do mundo”, garante Suzana Hirooka, presidente no Instituto Ecoss e coordenadora do Museu de História Natural Casa Dom Aquino.
A reinauguração contou ainda com uma exibição de dança do povo waurá, apresentado à sociedade, por assim dizer, as máscaras sagradas que agora fazem parte da exposição permanente da Casa Dom Aquino.
“Não é qualquer pessoa que tem acesso às mascaras sagradas do povo waurá. Além da França, aqui na Casa Dom Aquino é o único lugar que o não índio poderá prestigiá-las. Essas máscaras são muito sagradas para nossa cultura. Suzana [Hirooka] tem toda nossa confiança. Gostaria de fazer um apelo aos líderes e autoridades políticas do Estado, que preservem sempre os nossos museus, tão importantes para toda a sociedade”, alerta Yapatsiyama Waurá, cacique da aldeia Piyulaga, central do povo waurá, no alto Xingu.
De portas abertas novamente, o Museu de História Natural Casa Dom Aquino está acessível à visitação de terça-feira a sábado, sempre das 8h às 18h. Domingos das 8h ao meio dia. “A apreciação das máscaras sagradas do povo waurá é um grande privilégio. Colocamos Mato Grosso no mapa turístico etnológico”, completa Hirooka.
Museus de Mato Grosso
Após aproximadamente três anos de portas fechadas, os museus sob a responsabilidade do Governo de Mato Grosso, em dez meses de gestão Mauro Mendes, já estão quase todos em pleno funcionamento, recebendo visitantes diariamente.
“A Casa Dom Aquino já é o terceiro museu que reestruturamos, em 2019. Começamos com o Museu de Arte Sacra de Mato Grosso, no início do ano, depois reorganizamos o Museu Residência dos Governadores e agora estamos aqui na Casa Dom Aquino. Isso sem contar as três exposições que a Galeria de Artes Lava Pés já recebeu em 2019. Vejo como muito importante essa valorização da nossa história e da nossa cultura”, comemora o governador Mauro Mendes.
Para o secretário de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso, Allan Kardec, reaberturas, reestruturações e programações dos museus do Estado fazem parte de um cronograma seguido à risca.
“Uma das determinações do governador Muro Mendes quando assumi a secretaria é que déssemos atenção aos museus fechados. Estamos criteriosamente dentro de um planejamento de reabertura e reestruturação desses museus. O plano é que ainda este ano reinauguremos o Museu Histórico, no centro de Cuiabá. Nossa expectativa é que em 2020 todos os museus, de responsabilidade do Governo do Estado, estejam de portas abertas”, adianta Kardec.
Sobre o empenho da Secel em reativar, estruturar e reorganizar os museus do Estado, o governador Mauro Mendes conclui: “A Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, sob a liderança do secretário Allan Kardec, tem feito um belo trabalho, retomando as atividades nesses espaços museológicos que estavam com dificuldades, já há algum tempo. Estamos dando uma atenção especial para essa área do poder público. Precisamos preservar e criar novas oportunidades para os museus de Mato Grosso. Estou disposto a me empenhar ainda mais em fazer com que esses espaços sejam cada vez mais aptos a contar a história do nosso Estado”.
Com um amplo acervo distribuído entre a exposição aberta ao público e itens salvaguardados cuidadosamente na Reserva Técnica, o Museu de História Natural Casa Dom Aquino é gerenciado pelo Instituto Ecossistemas e Populações Tradicionais (ECOSS) juntamente com a Secretaria de Cultura do Estado de Mato Grosso e tem como parceiros o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Ministério da Cultura, Grupo Terna e as Usinas Hidrelétricas (UHE) Sinop e São Manoel.
Serviço
Casa Dom Aquino reinaugura com nova ala de máscaras indígenas waurá
Horário de funcionamento: de terça-feira a sábado, das 8h às 18h, domingo das 8h às 12h
Endereço: O Museu Casa Dom Aquino está localizado na Avenida Beira Rio, nº 2000, bairro Dom Aquino, Cuiabá (MT).
Informações: (65) 3634-4858 ou (65) 99316-3301
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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