Política MT
Ministro do STJ falou da função fiscalizadora do Legislativo
Foto: JLSIQUEIRA / ALMT
O ministro do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Ricardo Villas Bôas Cueva, esteve em Cuiabá para ministrar uma palestra sobre a função fiscalizadora do Poder Legislativo. A palestra foi dada durante a aplicação do Módulo-4 do curso de técnica e processo legislativo realizado pela Assembleia Legislativa a seus servidores.
Villas Bôas falou sobre a função de fiscalizar de todos os Poderes Legislativos (federal, estaduais e municipais). Segundo ele, o controle do agente público se dá no início da investidura daqueles que foram nomeados e eleitos para os cargos públicos. O ministro disse que os Legislativos têm a função e o dever de acompanhar o andamento das atividades administrativas.
“Isso se dá por meio de comissões que são criadas nos órgãos legislativos de acordo com a matéria que está sendo investigada. Entre os órgãos auxiliares responsáveis pela fiscalização estão os Tribunais de Contas tanto dos Estados quanto da União. Eles são que são órgãos de assessórias do Poder Legislativo”, destacou o ministro.
Villas Bôas disse que existe ainda o controle posterior que são realizadas pelas Comissões Parlamentares de Inquérito, mais conhecidas como CPIs. Elas, segundo o ministro, são instituídas para investigar um fato e por um período determinado. E que depois de concluídos os trabalhos, encaminham o relatório ao Ministério Público (federal ou estadual). “É o judiciário que vai encarregar de aprimorar e punir os eventuais crimes que foram ocorridos”, disse.
Questionado se o Legislativo tem as prerrogativas constitucionais de fiscalizar, Villas Bôas disse que “o Parlamento deve contar com uma equipe de assessores qualificados, que permita aos parlamentares se contraporem ao Poder Executivo em termos de sofisticação de uma análise contemporânea e efetiva do que acontece na administração pública”.
O 1º secretário da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (PSB), afirmou que o curso de técnica e processo legislativo é de fundamental importância para a qualificação dos servidores que estão ligados tanto a atendimentos dos parlamentares quanto da sociedade.
“O curso tem o objetivo de preparar o servidor para prestar serviços melhores à sociedade. É um investimento na qualificação profissional do servidor. Com isso, ele melhora o trabalho prestado aos parlamentares e à população de Mato Grosso. É o servidor mais qualificado na produção de proposições de interesse do Estado e da sociedade”, disse Russi.
Outro palestrante foi João Trindade, ele é consultor legislativo do Senado Federal. o tema abordado por ele foi o presente e o futuro das Comissões Parlamentares de Inquéritos (CPIs). Segundo Trindade, as CPIs podem ser melhores utilizadas e que já deram bons exemplos no passado.
“Mas elas precisam ser aperfeiçoadas. Nos últimos anos, as instalações da CPIs têm sido usadas para investigar temas que o Judiciário já vem analisando. Temas que a Polícia está investigando. Tudo isso acaba gerando uma disfuncionalidade ou de sobreposições de atuações. O ideal é de instaurar uma CPI que o Judiciário e nem a Polícia não estão investigando. É uma das formas de torná-las mais efetivas”, disse Trindade.
Para ele, a CPI é um instrumento desestabilizador da democracia. “Mas a democracia é feita disso. A democracia é feita de governo e oposição, de maioria e de minoria. Mas o papel da minoria é o de fiscalizar os atos da maioria parlamentar. Nesse caso a CPI pode ser utilizado como instrumento gerador de algum tipo de pressão ao governo. Isso não é ilegítimo. Faz parte do sistema constitucional e democrático”, afirmou Trindade.
Ele disse ainda que o papel da CPI é semelhante ao da Polícia que tem a função constitucional de investigar e de mandar o resultado apurado para o Ministério Público, seja ele federal o estadual, que depois vai tomar as medidas judiciais. “Na verdade o percentual de CPIs que gera condenação é até mais alto do que o percentual de investigações policiais de determinados crimes, que geram condenações no final do processo”, disse.
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho (DEM), afirmou que a atual Mesa Diretora tem investido na qualificação dos servidores para otimizar o atendimento aos parlamentares quanto à sociedade que precisa dos serviços do Legislativo estadual.
“O curso dá aos servidores experiências muito grande porque traz palestrantes gabaritados como ministros de estados e consultores legislativos do Senado Federal. É um curso de alto nível que está sendo proporcionado aos servidores do Parlamento. O objetivo é sempre qualificar e, com isso, melhorar o trabalho e o atendimento feito ao público que procura os serviços da Casa”, disse Botelho.
A consultora legislativa do Senado Federal, Juliana Magalhães Fernandes Oliveira, em sua palestra mostrou como é criado o cenário do processo de impeachment nas democracias presidencialistas tanto no Brasil quanto no mundo. Um dos exemplos citados por ela foi da abertura do processo de impeachment do presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump.
Oliveira falou também dos dois impeachments autorizados pela Câmara dos Deputados aos ex-presidentes Fernando Collor de Mello e Dilma Rousseff. Segundo ela, na realidade brasileira há um misto de processo político e jurídico. “Mas em todo mundo, e no Brasil não é diferente, essa característica política se acentua mais do ponto de vista que ela é feita. Naturalmente, por isso, é um processo muito mais político que jurídico”, explicou Fernandes Oliveira.
Segundo ela, os agentes públicos que podem sofrer o processo de impeachment são os chefes de Poderes: o presidente e o vice-presidente da República, os ministros do Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República, os ministros de Estados e depois da Emenda Constitucional 45/2004, os Ministros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Ministério Público Federal.
Política MT
Deputado Júlio Campos pede suspensão de privatização

O deputado Júlio Campos chamou atenção para a privatização de estradas abandonadas na região do Arinos e no Médio Norte de Mato Grosso, nesta quarta-feira (10), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
“Venho fazer um apelo e uma advertência ao senhor governador Otaviano Pivetta e ao senhor Secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, sobre o estado lamentável de duas rodovias importantíssimas. A MT-338, a Estrada da Baiana, aberta no meu governo (1983 a 87) quando priorizei a ligação de Juara com Sinop e Cuiabá, economizando 200 km do trajeto. Essa estrada foi pavimentada pelo governo Blairo Maggi, mas hoje encontra-se acabada e com buracos por todos lados. E mesmo nessa situação, segue sendo privatizada”, indagou Júlio Campos.
Segundo o parlamentar, o valor do pedágio a ser cobrado para cada trecho de 30 quilômetros será de R$12,75. A MT-338, interliga os municípios de Lucas do Rio Verde e Tapurah, a partir do entroncamento com a BR-163.
A estrada é um importante caminho de escoamento logístico da produção agrícola e pecuária em direção ao Vale do Arinos e ben eficia também cidades como Itanhangá, Porto dos Gaúchos, Juara e Juína, afetando mais de nove comunidades e 150 mil habitantes.
Júlio Campos também chamou atenção para a situação de outra estrada: a MT-220, no trevo Tabaporã, no Médio Norte de Mato Grosso, entre Vera e Sorriso.
Concessão assinada
O pedido de Júlio Campos é para que o governador adie a concessão em prol da redução dos custos do pedágio.
“Senhor secretário Marcelo Padeiro, que é um homem dinâmico, está na hora de sua equipe fazer uma fiscalizaçã o rigorosa para rever a privatização dessas duas rodovias. O estado atual é lamentável. Tem que restaurar as rodovias antes de ser privatizada, porque do contrário o pedágio ficará muito caro, pois a manutenção será repassado ao usuário. é por isso que tem estrada estadual na qual o custo do pedágio é o dobro do valor de uma estrada federal. Veja a BR-163, o pedágio custa quase a metade do valor de estradas estaduais e o motorista trafega de Rondonópolis e Sinop sem buracos e de forma segura”, afirmou Júlio Campos.
A concessão das duas estradas foi assinada em 01 de setembro de 2025 pelo secretário Marcelo Ol iveira, com o Consórcio Vale do Arinos, com o aval da Agência estadual de regulação Ager.
Política MT
Zé Medeiros quer proibir multas ambientais automáticas baseadas apenas em imagens de satélite

Foto-Assessoria
Multas ambientais, embargos e bloqueios de crédito rural baseados exclusivamente em imagens de satélite ou sistemas automatizados poderão ser proibidos no Brasil. A medida está prevista em um projeto de lei apresentado pelo deputado federal Zé Medeiros (PL) na Câmara dos Deputados.
A proposta cria a Lei Nacional de Garantia do Devido Processo Legal na Fiscalização Ambiental Rural e estabelece que nenhuma penalidade poderá ser aplicada sem vistoria presencial realizada por agente público competente, acompanhada de laudo técnico detalhado e identificação precisa da suposta infração.
“O avanço tecnológico deve servir ao interesse público, mas jamais pode substituir o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a verificação dos fatos. O satélite pode apontar indícios, mas não pode condenar ninguém. Hoje, muitos produtores enfrentam multas, embargos e até bloqueios de crédito sem que um fiscal tenha sequer visitado a propriedade. Isso gera insegurança jurídica e fere o direito de defesa”, argumentou o parlamentar.
O projeto prevê que imagens de satélite e sistemas de sensoriamento remoto tenham caráter apenas preliminar e informativo, impedindo que sejam utilizados como prova única para aplicação de sanções. Caso não haja vistoria presencial, multas, embargos e demais restrições poderão ser considerados nulos.
“O produtor rural não pode ser tratado como criminoso por um algoritmo. A fiscalização ambiental é necessária, mas precisa ocorrer dentro dos limites da lei e com respeito ao direito de defesa”, concluiu.
A proposta também proíbe o bloqueio automático de financiamentos e a inclusão de produtores em cadastros restritivos com base apenas em alertas gerados por sistemas remotos. As restrições só poderão ocorrer após decisão administrativa definitiva, com garantia do contraditório e da ampla defesa.
O texto ainda prevê mecanismos de transparência para os sistemas automatizados utilizados pelos órgãos ambientais. Segundo Medeiros, a medida busca evitar punições indevidas causadas por falhas na interpretação de imagens de satélite e algoritmos, conciliando a proteção ambiental com a segurança jurídica e o direito de defesa dos produtores rurais.
Política MT
Ex-governador Mauro Mendes rebate senador Wellington Fagundes sobre obras da MT-170

Ex-governador Mauro Mendes
O ex-governador Mauro Mendes voltou a criticar o senador Wellington Fagundes em meio às discussões sobre as obras da MT-170, antiga BR-174, no estado de Mato Grosso.
Em declarações recentes, Mauro rebateu as críticas feitas pelo senador sobre a qualidade das obras executadas na rodovia e afirmou que a estrada permaneceu abandonada durante anos sob responsabilidade do Governo Federal. Segundo ele, a estadualização da via ocorreu justamente para garantir a retomada das obras e melhorar a trafegabilidade da região.
Mauro Mendes também acusou Wellington Fagundes de “faltar com a verdade” ao questionar o andamento dos serviços e destacou que, antes da intervenção do Estado, motoristas enfrentavam sérios problemas estruturais na rodovia, incluindo longos períodos de atoleiros e dificuldades de deslocamento.
O embate ganhou força após Wellington cobrar investigações sobre possíveis falhas na execução das obras e defender acompanhamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) nos contratos relacionados à MT-170.
A discussão entre os dois líderes políticos amplia o clima de disputa política em Mato Grosso, principalmente diante das articulações visando as eleições de 2026.
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