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Setor elétrico é essencial para garantirmos a sustentabilidade no país
O Setor Elétrico Brasileiro tem como pilar garantir e fortalecer a autonomia e soberania nacional, a segurança, qualidade de vida e prosperidade. Ao longo dos anos, pressionado pela globalização, tecnologia e agendas ambientais, o setor tem sofrido mutações aceleradas. Agora, é urgente um compromisso dos três poderes pela sustentabilidade dessa força motriz pelo bem do nosso desenvolvimento.
A guerra entre Rússia e Ucrânia nos mostra como a segurança energética é essencial. Vários países da Europa dependem do fornecimento de gás russo. Um país soberano não pode abrir mão de formular e implementar políticas que visem assegurar o planejamento e funcionamento da energia elétrica em seu território.
A transição energética impõe mudanças que envolvem a geração limpa, redução de emissões, investimentos em ativos estratégicos na busca de um selo ESG. Mas é preciso entender esses movimentos e analisar as reais necessidades e motivações para políticas públicas.
A matriz elétrica brasileira envolve mais de 80% de fontes limpas, o dobro da média mundial, o que nos faz refletir sobre os impactos de políticas que visam estimular geração de fontes limpas com altos subsídios. O Brasil escolheu doses excessivas de subsídios que acabam impactando sobremaneira a conta de luz e trazendo riscos operacionais ao setor.
Nesse aspecto, duas questões são vitais. A sustentação e segurança que as fontes de energia – firmes e intermitentes – devem prover ao sistema. E o custo dessa energia, que deve ser rateado isonomicamente entre os usuários do serviço. Isso não ocorre hoje, e, normalmente, o mais pobre paga pelo benefício do mais rico.
Um sistema elétrico ancorado em energia intermitente pode levar a instabilidades e custos excessivos. O Operador Nacional do Sistema já indica risco de apagão em função do crescimento abrupto da fonte solar por geração distribuída fora do planejamento setorial.
Além disso, há um subsídio que alcançará mais de R$ 100 bilhões ao longo dos próximos 23 anos (até 2045) na forma da lei 14.300/2022, que confere descontos na conta a quem instala painéis solares.
É preciso avaliar sob diversas perspectivas as políticas que afetam a operação de energia elétrica. A tributação é a primeira delas. A conta de luz é um instrumento de fácil arrecadação, que alcança quase toda a população e é vista muitas vezes como um instrumento de uso público e político para ancorar as necessidades da sociedade. Hoje, 30% da sua conta de luz é resultado de tributação.
Estudos do IPEA indicam que 10% de redução na conta de luz geram um impacto positivo de 0,45% no PIB. É inadmissível, portanto, uma carga tributária alta num insumo essencial e estratégico.
Os Encargos Setoriais já custam algo como 13% da sua conta de luz, somando R$ 35 bilhões/ano, e se traduzem em políticas públicas aprovadas na lei 10.438/2002. Para referência, 10 anos atrás, custavam R$ 10 bilhões. E chegarão a R$ 50 bilhões nos próximos dois ou três anos, se nada for feito.
Outro ponto essencial é o combate ao furto de energia, crime tipificado no código penal. Os furtos somam mais de R$ 10 bilhões anuais, oneram a conta dos consumidores e as distribuidoras, além de gerar riscos de segurança à sociedade.
Os furtos são um problema que vai além do setor elétrico, mas que tem tido pouco espaço e engajamento das instituições. O Judiciário tem uma tendência “consumerista”, as polícias não têm estrutura adequada frente a outras prioridades e há ausência de políticas de Estado. Sem uma política pública firme e estruturada dificilmente teremos êxito no combate ao furto de energia.
Se mantivermos o caminho atual, sem discussões sistêmicas, em pouco tempo teremos um cenário de tarifas impagáveis e um risco de descontinuidade maior de todo o sistema elétrico, que levará o nosso País a um retrocesso vital ao desenvolvimento. O funcionamento adequado do setor elétrico brasileiro é um ativo de todos, para todos, especialmente daqueles que mais precisam dele. Não dá mais para perdermos tempo. E o que fazer? É preciso colocar a sustentabilidade da energia elétrica em todos os debates estruturantes do País.
Informações sobre o autor: Wagner Ferreira, 43 anos, é pós-graduado em direito tributário (Instituto Brasileiro de Estudos Tributários), MBA em Gestão Empresarial pela FGV , liderança pela Fundação Dom Cabral. Há 17 anos atuando no setor elétrico na parte legal, regulatória e institucional. É professor convidado em cursos voltados ao direito de energia, árbitro pela Câmara de Mediação e arbitragem da FGV, integrante do Comitê de Energia da Camarb (Câmara de Arbitragem Empresarial Brasil), membro do Conselho Fiscal do Fórum do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Setor Elétrico, membro do comite técnico da plataforma Consumidor Gov do Ministério da Justiça e diretor institucional e jurídico da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica).
Por Wagner Ferreira, diretor institucional e jurídico da Abradee (Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica)
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Infraestrutura se constrói com pessoas: o desafio estratégico de formar quem vai transformar o Brasil

* Por Paulo Bittar
Diante da escassez crescente de profissionais qualificados, o setor de engenharia precisa assumir protagonismo na formação de talentos — condição essencial para garantir a continuidade de serviços essenciais e o desenvolvimento sustentável do país.
Quando assumi a posição de CEO da Passarelli, uma das prioridades que identifiquei de forma imediata foi o fortalecimento do pilar Pessoas. Não como um discurso institucional, mas como uma agenda estratégica de longo prazo. Afinal, garantir a longevidade de um negócio que se aproxima de um século passa, inevitavelmente, por investir em quem vai construir os próximos 100 anos dessa história.
No setor de infraestrutura, essa reflexão ganha ainda mais urgência. O Brasil vive um momento decisivo para avançar em competitividade, qualidade de vida e sustentabilidade — e isso depende diretamente da nossa capacidade de executar projetos estruturantes. No entanto, convivemos com um cenário desafiador: a escassez de mão de obra qualificada, especialmente na engenharia. Dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) indicam que o país pode enfrentar, em breve, um déficit de cerca de 400 mil profissionais.
Esse movimento já se reflete na base. O número de formandos em engenharia vem diminuindo de forma consistente nos últimos anos. Em 2018, eram pouco mais de 128 mil concluintes. Em 2023, esse número caiu para aproximadamente 95 mil, segundo levantamento do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP), com base no Censo da Educação Superior. Mais do que uma estatística, esse dado acende um alerta sobre o futuro da nossa capacidade produtiva.
Parte desse desafio passa pela forma como a engenharia é percebida pelas novas gerações. Em um cenário de múltiplas possibilidades de carreira, é natural que jovens busquem caminhos que ofereçam reconhecimento, desenvolvimento e propósito. E aqui está um ponto central: a infraestrutura precisa comunicar melhor o seu valor.
Poucas áreas têm um impacto tão direto e transformador na vida das pessoas. É a engenharia que viabiliza o acesso à água tratada, que conecta cidades, que sustenta o crescimento das indústrias e que melhora, de forma concreta, o cotidiano da população. Existe um legado tangível naquilo que construímos — e ele precisa ser mais evidente para quem está escolhendo seu caminho profissional.
Diante desse contexto, formar jovens deixa de ser apenas uma iniciativa de recursos humanos e passa a ser uma escolha estratégica — quase um compromisso com o país. É papel das empresas reduzir a distância entre teoria e prática, aproximar universidades do mercado e oferecer experiências que permitam aos estudantes enxergar, na prática, o impacto da profissão.
Na Passarelli, temos avançado com consistência nessa agenda. Investimos em parcerias com universidades, programas estruturados de estágio, mentorias e trilhas de desenvolvimento que combinam capacitação técnica e comportamental. Mais recentemente, proporcionamos a estudantes de engenharia civil uma imersão em uma de nossas obras, permitindo que vivenciassem o dia a dia de um projeto de infraestrutura e entendessem, de forma concreta, como a engenharia se materializa.
Essa conexão com a realidade é fundamental. O futuro da engenharia começa antes da formação — ele se constrói a partir das experiências que despertam interesse, desenvolvem habilidades e reforçam o propósito.
Ao mesmo tempo, aprendemos que não basta atrair talentos: é preciso desenvolvê-los e retê-los. Isso passa por ambientes que estimulem aprendizado contínuo, pela convivência entre diferentes gerações e pela valorização de quem escolhe construir carreira no setor.
O desafio da mão de obra qualificada não será resolvido de forma isolada. Ele exige uma mudança de mentalidade coletiva — de empresas, instituições de ensino e lideranças. Mais do que disputar talentos, precisamos formar talentos.
Infraestrutura é, em essência, um projeto de futuro. E não existe futuro possível sem pessoas preparadas para transformá-lo em realidade.
* Paulo Bittar é CEO da Passarelli Engenharia e Construção
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