Mato Grosso
Mapa socioeconômico guiará projetos de desenvolvimento de MT
O mapa socioeconômico de Mato Grosso foi apresentado, nesta quinta-feira (24), ao secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Cesár Miranda, na sede da pasta e os dados irão subsidiar ações planejadas e consonantes com as demandas dos municípios, reduzindo assim as desigualdades.
A explanação, elaborada pela Secretaria de Estado de Planejamento (Seplan), mostrou na primeira etapa um diagnóstico sobre as atividades importantes em cada município e depois, comparou estes dados com as relativas cadeias, apontando assim as aptidões a serem trabalhadas em cada região.
Conforme Miranda, os projetos de fomento de cadeias e de concessão de incentivos terão a partir de agora como alicerce os dados estatísticos. “O trabalho de pesquisa é feito há muito tempo pelo Estado e precisa ser usado porque custou dinheiro público. É um arquivo riquíssimo, mas precisa de um uso prático”.
A pesquisadora e secretária-adjunta de Informações Socioeconômicas, Geográficas e Indicadores da Seplan, Elaine Corsini, conduziu a apresentação. Ela explicou que o material foi baseado em dados da Secretaria de Estado de Fazenda. Como a pasta demora um período para compilação dos números, foram trabalhados os de 2015, quando o faturamento estadual foi de R$ 311.231.9283409,45 em todos os segmentos.
Foram considerados 34 segmentos dos setores primários e secundários no estudo. No rol, estão a Agricultura Tecnificada (soja, milho e demais produções em larga escala), Pecuária de Corte, Agricultura Familiar, Indústria Sucroalcoleira, Indústria de Madeira entre outros. De acordo com análise, 34,93% das riquezas de Mato Grosso veem do Atacado, 13,45% da Agricultura Tecnificada e 12,75% do Varejo.
Como será na prática
O secretário explica que são cruzados os dados dos pólos de produção com o da indústria. Assim, é possível se fazer uma relação de regiões que conseguem ter destaque na matéria-prima, mas precisa de uma empresa para beneficiar ou tem que andar grandes distância para isto. “Com este mapa, podemos criar uma lista de empreendimentos viáveis e tentar capitar investidores. Não ficar esperando o empresário nos procurar”.
Outro fator importante é a identificação de aptidões e potenciais a serem desenvolvidos, seja por políticas públicas, seja pela concessão de benefícios. “Temos que saber o que o estado quer e ter argumentos para convencer o empresário a mudar o local do investimento, quando for do interesse da gestão desenvolver uma determinada região”.
Também entrou na lista de discussões a necessidade de se trabalhar com a diversidade de atividades. Entre os municípios, algumas cidades como Araguaina, por exemplo, desenvolve apenas uma atividade comercial. Já Alta Floresta é a líder em opções com 14.
Vale ressaltar que quanto mais segmentos, melhor para o município, uma vez que qualquer problema que aconteça na cadeia, não vai quebrar totalmente as finanças das famílias, que podem migrar para outros trabalhos.
Próximos passos
Após a apresentação, Miranda propôs que o setor de estatística forme um grupo permanente, que inclua funcionários da Sedec, e possa identificar oportunidades para o estado com mais celeridade. Participaram da reunião os secretários-adjuntos Walter Valverde e Lucas Barros, o superintendente Leandro Reyes, bem como o assessor de gabinete Gustavo Correa da Costa.
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
Mato Grosso
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