Política MT
Comissão de Segurança discute o fechamento de delegacias em MT; parlamentares não concordam e cobram o Estado
Foto: Karen Malagoli
A falta de pessoal, as péssimas condições de infraestrutura e de trabalho podem levar o governo de Mato Grosso a fechar mais de uma dezena de delegacias no interior do Estado. Essa possibilidade, de o Executivo fechar as portas das unidades policiais, levou a Assembleia Legislativa, por meio da Comissão de Segurança Pública e Comunitária, a realizar audiência pública na manhã desta sexta-feira (15), no auditório Milton Figueiredo.
O delegado-geral da Polícia Civil de Mato Grosso, Mário Resende, disse que as delegacias não serão fechadas, mas suspensas. Para isso, em 2017, foi feito um estudo e otimizado em 2018. Já no início de 2019, segundo o delegado, foram definidas tratativas junto à Secretaria de Segurança Pública para a suspensão dessas unidades.
“O pedido para a suspensão está nas aposentadorias e na inexistência de concurso público em andamento. Para os próximos dois há possibilidade de pelo menos 200 policiais civis se aposentarem. Hoje, não há policiais civis para manter as delegacias abertas. Por isso, o motivo principal é à falta de efetivo”, disse Mário Resende.
O delegado descartou a possibilidade de fechamento das delegacias por falta de recursos financeiros. Segundo Mário Resende, o maior problema é de efetivo de policiais civis. “Por mais que as prefeituras disponham de seus servidores, eles não são policiais. A função do policial é de investigação, é de inquérito, não de policiamento ostensivo. Não há meios de dois policiais civis realizarem uma investigação. Para essas 16 delegacias não há efetivos”, disse Mário Resende.
A presidente do Sindicato dos Investigadores de Polícia Civil de Mato Grosso (Sinpol-MT), Edleusa Mesquita, disse que o fechamento das 16 delegacias não vai prejudicar apenas a população, mas também os policiais que moram nesses municípios. Hoje, um levantamento feito em 21 municípios, aponta apenas um investigador para registrar uma ocorrência. A demanda é de oito mil pessoas para cada policial civil”, afirmou Mesquita.
“O Sinpol não concorda com o fechamento, mas existe a falta de efetivo e é preciso que se encontre uma solução. Acredito na parceria dos municípios com o Estado para chegar a um entendimento. Acho drástico falar em fechamento. O ideal seria o estado fechar parcerias com os municípios. A população não pode padecer com a imposição do governo em fechar as delegacias”, disse Mesquita.
Para manter as portas abertas, Mesquita disse que o “mínimo ideal é de 15 policiais. Mas se fosse realizar a escala de serviço de 40 horas semanais seriam necessários quatro policiais cumprindo uma escala de 24 horas de trabalho por 72 horas de descanso. Nos 21 municípios que realizamos o levantamento é de um a dois policiais para atender a demanda. Muitos trabalham de 24 a 24 horas. Eles trabalham mais de 75 horas semanais”.
O deputado João Batista (PROS) afirmou que apesar de o governo dizer que o fechamento das delegacias deve ocorrer por falta de pessoal, o caminho do governo é de realizar concurso público, mesmo que esteja no limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. Mas para isso, é preciso que o Estado assine um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com o Ministério Público do Estado (MPE) e o Tribunal de Justiça.
“Fechar as delegacias é tirar a segurança pública da mão do cidadão e diminuir a prestação do serviço público. O governo tem uma proposta de recursos do FEX e, com isso, injeta quase R$ 1 bilhão nos cofres públicos. Se é assim, vai ter diminuição do déficit orçamentário, nos próximos seis meses, e manter as delegacias abertas, garantindo o serviço investigativo nessas cidades”, explicou João Batista.
Durante a audiência pública, o presidente da Comissão Segurança Pública, deputado Elizeu Nascimento leu um projeto de emenda parlamentar, que altera uma emenda constitucional impositiva parlamentar, acrescentando na PEC a Secretaria de Segurança Pública no rateio das emendas parlamentares. O percentual sugerido é de 10%. Hoje, a atual PEC não trata desse assunto.
Elizeu Nascimento disse que o fechamento das delegacias é uma decisão que desrespeita a população dessas cidades e que a decisão tomada foi feita de forma precipitada. Para ele, faltou ao governo dialogo com os deputados, com a população de cada uma das cidades e os movimentos comunitários. “Vejo que é uma decisão precipitada e tomada por um verdadeiro imperador que governa Mato Grosso. Não concordo com fechamento das delegacias. Se isso acontecer vai gerar o caos e o aumento da criminalidade”, disse Nascimento.
O prefeito de Nova Lacerda, Uilson José da Silva (DEM), afirmou que o fechamento da delegacia no município vai gerar pânico e prejuízo à população local. Segundo ele, antes de haver delegacia na cidade ocorria muitos assaltos a bancos, correios e lotéricas por falta da segurança.
“Hoje, o índice de roubo, de assaltou e de homicídios diminuiu bastante na cidade. Não é porque o índice de violência caiu no município, o governo deve fechá-la. Nova Lacerda está a 100 quilômetros de Comodoro e de Pontes e Lacerda, enquanto a policia militar vai levar um preso, a cidade fica desguarnecida”, disse Uilson da Silva.
Para mantê-la aberta, Uilson da Silva, disse que o município tem firmado parceria com a delegacia da cidade. “Hoje, é a prefeitura quem paga o aluguel da casa, da energia, do telefone e da internet. A prefeitura cedeu dois funcionários para trabalharem na delegacia. Não acredito que o governo vai fechar as delegacias para economizar. Não acredito nisso. A prefeitura ajuda mensalmente com R$ 4 mil para o custeio da delegacia”, disse o prefeito.
Para o deputado Delegado Claudinei (PSL) o maior problemas enfrentado pelas delegacias é o de efetivos. Segundo ele, há mais de um ano, o governo já deveria ter realizado concurso público para escrivão e investigadores. “Hoje, é urgente que se realize o concurso. É preciso conversar com o governador Mauro Mendes para encontramos uma solução rápida, apesar da calamidade financeira que o estado enfrenta, mas a sociedade que confiou nos agentes políticos quer uma resposta e a solução para esse impasse”, disse Claudinei.
O deputado Dr. Eugênio (PSB) disse que não aprova o fechamento das delegacias. Segundo ele, a população da Região Araguaia está apreensiva com essa decisão tomada de forma unilateral pelo governo do estado. “O argumento do secretário de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, não se justifica. A ausência da polícia civil nas cidades pode causar um desgaste muito grande à população. A presença de um ou dois policiais faz muita diferença na segurança dos municípios que devem ter suas delegacias desativadas”, afirmou Dr. Eugênio.
Em reunião realizada na quinta-feira (14), com o secretário de Segurança Pública, Alexandre Bustamante, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Eduardo Botelho (DEM), disse que o governo deve percorrer os municípios afetados e explicar o motivo do encerramento dessas unidades da Polícia Judiciária Civil.
“Essa decisão é muito técnica. Então, o secretário informou que em muitos locais tem apenas dois policiais, por exemplo, não tendo condições de investigar, provavelmente, terá que diminuir para que funcione. Mas, em muitos locais a decisão será reavaliada. É o caso de Jangada, onde passam quase 20 mil veículos por dia e pedimos que seja revisto”, afirmou Botelho.
Política MT
Deputado Júlio Campos pede suspensão de privatização

O deputado Júlio Campos chamou atenção para a privatização de estradas abandonadas na região do Arinos e no Médio Norte de Mato Grosso, nesta quarta-feira (10), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
“Venho fazer um apelo e uma advertência ao senhor governador Otaviano Pivetta e ao senhor Secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, sobre o estado lamentável de duas rodovias importantíssimas. A MT-338, a Estrada da Baiana, aberta no meu governo (1983 a 87) quando priorizei a ligação de Juara com Sinop e Cuiabá, economizando 200 km do trajeto. Essa estrada foi pavimentada pelo governo Blairo Maggi, mas hoje encontra-se acabada e com buracos por todos lados. E mesmo nessa situação, segue sendo privatizada”, indagou Júlio Campos.
Segundo o parlamentar, o valor do pedágio a ser cobrado para cada trecho de 30 quilômetros será de R$12,75. A MT-338, interliga os municípios de Lucas do Rio Verde e Tapurah, a partir do entroncamento com a BR-163.
A estrada é um importante caminho de escoamento logístico da produção agrícola e pecuária em direção ao Vale do Arinos e ben eficia também cidades como Itanhangá, Porto dos Gaúchos, Juara e Juína, afetando mais de nove comunidades e 150 mil habitantes.
Júlio Campos também chamou atenção para a situação de outra estrada: a MT-220, no trevo Tabaporã, no Médio Norte de Mato Grosso, entre Vera e Sorriso.
Concessão assinada
O pedido de Júlio Campos é para que o governador adie a concessão em prol da redução dos custos do pedágio.
“Senhor secretário Marcelo Padeiro, que é um homem dinâmico, está na hora de sua equipe fazer uma fiscalizaçã o rigorosa para rever a privatização dessas duas rodovias. O estado atual é lamentável. Tem que restaurar as rodovias antes de ser privatizada, porque do contrário o pedágio ficará muito caro, pois a manutenção será repassado ao usuário. é por isso que tem estrada estadual na qual o custo do pedágio é o dobro do valor de uma estrada federal. Veja a BR-163, o pedágio custa quase a metade do valor de estradas estaduais e o motorista trafega de Rondonópolis e Sinop sem buracos e de forma segura”, afirmou Júlio Campos.
A concessão das duas estradas foi assinada em 01 de setembro de 2025 pelo secretário Marcelo Ol iveira, com o Consórcio Vale do Arinos, com o aval da Agência estadual de regulação Ager.
Política MT
Zé Medeiros quer proibir multas ambientais automáticas baseadas apenas em imagens de satélite

Foto-Assessoria
Multas ambientais, embargos e bloqueios de crédito rural baseados exclusivamente em imagens de satélite ou sistemas automatizados poderão ser proibidos no Brasil. A medida está prevista em um projeto de lei apresentado pelo deputado federal Zé Medeiros (PL) na Câmara dos Deputados.
A proposta cria a Lei Nacional de Garantia do Devido Processo Legal na Fiscalização Ambiental Rural e estabelece que nenhuma penalidade poderá ser aplicada sem vistoria presencial realizada por agente público competente, acompanhada de laudo técnico detalhado e identificação precisa da suposta infração.
“O avanço tecnológico deve servir ao interesse público, mas jamais pode substituir o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e a verificação dos fatos. O satélite pode apontar indícios, mas não pode condenar ninguém. Hoje, muitos produtores enfrentam multas, embargos e até bloqueios de crédito sem que um fiscal tenha sequer visitado a propriedade. Isso gera insegurança jurídica e fere o direito de defesa”, argumentou o parlamentar.
O projeto prevê que imagens de satélite e sistemas de sensoriamento remoto tenham caráter apenas preliminar e informativo, impedindo que sejam utilizados como prova única para aplicação de sanções. Caso não haja vistoria presencial, multas, embargos e demais restrições poderão ser considerados nulos.
“O produtor rural não pode ser tratado como criminoso por um algoritmo. A fiscalização ambiental é necessária, mas precisa ocorrer dentro dos limites da lei e com respeito ao direito de defesa”, concluiu.
A proposta também proíbe o bloqueio automático de financiamentos e a inclusão de produtores em cadastros restritivos com base apenas em alertas gerados por sistemas remotos. As restrições só poderão ocorrer após decisão administrativa definitiva, com garantia do contraditório e da ampla defesa.
O texto ainda prevê mecanismos de transparência para os sistemas automatizados utilizados pelos órgãos ambientais. Segundo Medeiros, a medida busca evitar punições indevidas causadas por falhas na interpretação de imagens de satélite e algoritmos, conciliando a proteção ambiental com a segurança jurídica e o direito de defesa dos produtores rurais.
Política MT
Ex-governador Mauro Mendes rebate senador Wellington Fagundes sobre obras da MT-170

Ex-governador Mauro Mendes
O ex-governador Mauro Mendes voltou a criticar o senador Wellington Fagundes em meio às discussões sobre as obras da MT-170, antiga BR-174, no estado de Mato Grosso.
Em declarações recentes, Mauro rebateu as críticas feitas pelo senador sobre a qualidade das obras executadas na rodovia e afirmou que a estrada permaneceu abandonada durante anos sob responsabilidade do Governo Federal. Segundo ele, a estadualização da via ocorreu justamente para garantir a retomada das obras e melhorar a trafegabilidade da região.
Mauro Mendes também acusou Wellington Fagundes de “faltar com a verdade” ao questionar o andamento dos serviços e destacou que, antes da intervenção do Estado, motoristas enfrentavam sérios problemas estruturais na rodovia, incluindo longos períodos de atoleiros e dificuldades de deslocamento.
O embate ganhou força após Wellington cobrar investigações sobre possíveis falhas na execução das obras e defender acompanhamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) nos contratos relacionados à MT-170.
A discussão entre os dois líderes políticos amplia o clima de disputa política em Mato Grosso, principalmente diante das articulações visando as eleições de 2026.
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