Mato Grosso
Pesquisadores apresentam resultados de estudo sobre cadeia produtiva da castanha
Uma das etapas da pesquisa no programa em Ciências Ambientais da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) é retornar para a comunidade o conhecimento produzido nos cursos de mestrado e doutorado.
Com esse objetivo, nos dias 24 e 25 de maio, professores e alunos de pós-graduação de Cáceres promoveram encontro com as pessoas envolvidas na extração e comercialização da castanha do Brasil, em Itaúba (a 600 km de Cuiabá). A atividade é tão relevante para a economia local que o município é conhecido como “capital estadual da castanha”.
Mais de 70 pessoas da comunidade se reuniram na Escola Estadual Papa João Paulo II para ver a apresentação dos resultados da pesquisa de mestrado, denominada “Castanha no município de Itaúba, Mato Grosso: um retrato do conhecimento etnobotânico e comercialização nas margens da BR 163”, de autoria da agora mestra Sonia Aparecida Luciano Ferreira.
A área de abrangência da pesquisa incluiu as margens da BR 163, onde estão localizados os pontos de venda de castanha, locais de mata de castanha e zona urbana, onde foram contatadas as pessoas que fazem o manejo do produto em suas residências.
Cerca de 40 atores sociais do município colaboraram com a pesquisa, entre eles, pessoas ligadas à comercialização de castanha, quebradeiras e um produtor de mudas. São eles que conhecem, explicam e recriam as suas tecnologias no interior das comunidades.
“Compartilhar o resultado da pesquisa, interpretado à luz das concepções teóricas, com os grupos sociais envolvidos é mais do que uma obrigação da Universidade. Ao longo dos últimos anos, tem se constituído em ricos momentos de estreitamento dos laços entre os saberes dos povos e o acadêmico”, disse a professora orientadora da pesquisa, Maria Antonia Carniello.
Para além dos castanhais- A cadeia produtiva da castanha compreende, desde o ambiente natural, até o produto final e sua comercialização. A pesquisa aponta que a atividade possibilita o entendimento do uso da floresta de forma rentável, sustentável e proporciona a manutenção da biodiversidade.
“A presença dos castanheiros nos castanhais inibe a entrada de invasores em busca de explorar recursos da floresta, contribuindo para a conservação desta e de outras espécies nativas da Amazônia”, escreve Sonia Aparecida Ferreira.
As práticas adotadas pelos castanheiros estão associadas ao conhecimento acumulado por intermédio da vivência nas matas, que são anteriores ao advento da castanha como fonte comercial. Também são orientadas por manuais do Ministério da Agricultura sobre boas práticas de manejo para o extrativismo vegetal sustentável orgânico.
“Com 13 anos do programa de Ciências Ambientais da Unemat, estamos focando cada vez mais na consolidação da relação da universidade com a sociedade”, disse a coordenadora, Áurea Regina Ignácio.
Além do evento na escola, os pesquisadores da Unemat conversaram com feirantes em barraquinhas de vendas e nos castanhais. Também participou das atividades o professor Aumeri Carlos Bampi, que atua com Epistemologia Ambiental, Educação Ambiental para a sustentabilidade, Ciências Sociais e desenvolvimento regional.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
Mato Grosso
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