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Boa parte da imprensa esportiva precisa reconhecer seus erros

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Tem entrevista de jogador ou técnico? É ridícula a atitude de alguns repórteres da imprensa esportiva que tentam encontrar uma frase polêmica ou distorcer alguma fala. Tudo devido à necessidade de criar alguma discussão forçada e chata

(Imagem: Pixabay)

Recentemente, o Esporte Interativo esteve presente nos noticiários dos portais de internet do país. Infelizmente, foi por um motivo que envergonha a comunicação esportiva. No dia 7 de fevereiro, o Twitter da emissora utilizou a imagem de veado para informar o início do jogo entre São Paulo e Bragantino, pelo Campeonato Paulista. A atitude ridícula da emissora causou muita revolta entre torcedores e diretoria do clube. Esse foi mais um dos vários comportamentos questionáveis da imprensa esportiva atual.

Não é novidade nenhuma que boa parte da mídia esportiva se perde com o excesso de gracinhas. Tudo devido à busca por audiência, likes, retuítes e compartilhamentos. É comum vermos matérias e debates sensacionalistas ou posts sem senso crítico. O objetivo é conseguir audiência a qualquer custo, mesmo que coloque em risco a própria credibilidade. O que isso significa? Boa parte da imprensa esportiva precisa reconhecer seus erros e cobrar seriedade de si mesma antes de ficar com moralismos ou de cobrar seriedade no esporte.

Com a popularização da internet e das redes sociais, as mídias alternativas trouxeram aumento das páginas e sites de temática esportiva. Isso significou mais opções para o público que gosta de esporte escolher uma linha editorial de sua preferência. Ou seja, a quantidade veio acompanhada de pluralidade. Na TV, os canais e programas de esportes aumentaram junto com a facilidade em acessar a programação dessas emissoras. O que não significou aumento da pluralidade e da qualidade.

“Não é novidade nenhuma que boa parte da mídia esportiva se perde com o excesso de gracinhas. Tudo devido à busca por audiência, likes, retuítes e compartilhamentos”

É cada vez mais comum uma programação com assuntos repetitivos e, consequentemente, a falta de temas para discussão e pouca diversidade na programação, que faz com que as emissoras optem por polêmicas a todo o momento. Ainda há os sensacionalismos e invencionices, o que é um erro da imprensa esportiva. Ele levam a uma perca de qualidade e tira o pouco da credibilidade quando alguém da mídia esportiva faz cobranças pedindo esporte mais limpo.

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Muitos profissionais da mídia esportiva criticam a corrupção do esporte brasileiro. Realmente, vários jornalistas buscam assuntos relacionados ao tema, investigando de maneira aprofundada esse tipo de problema. Mas nem sempre essa atitude predomina. Na programação esportiva, não é novidade ver empresas cobrando moralidade e honestidade no esporte, mas o próprio veículo oferece pouco espaço para pautas relacionadas à corrupção e desonestidade dos dirigentes. Ou fazem coberturas bem pequenas destes acontecimentos. Trocam pautas que mostram a falta de transparência nas organizações esportivas pelo excesso de assuntos que levem ao riso ou matérias que mais parecem reportagens de revistas de celebridades.

Quando algum atleta brasileiro fracassa nas Olimpíadas, cansamos de ouvir a grande imprensa esportiva falar sobre a falta de apoio e investimento no esporte olímpico. Também ouvimos lamentações quando equipes tradicionais do futebol entram em decadência devido à desigualdade financeira no futebol. Se observarmos a programação de canais de esportes na TV fechada, há inúmeros programas de debates que tratam repetidamente dos mesmos temas. Será que não seria interessante utilizar alguns horários para dar visibilidade aos outros esportes? E mostrar equipes que não fazem parte da elite do futebol brasileiro?

Trocam pautas que mostram a falta de transparência nas organizações esportivas pelo excesso de assuntos que levem ao riso

Quantos debates tratam sobre a péssima gestão do esporte brasileiro e das dificuldades dos times menores? Quantos atletas olímpicos ficam sem visibilidade, já que só há espaço para a mesmice? A mídia esportiva tradicional trata pouco desses temas. O futebol é a preferência do brasileiro, isso é indiscutível. Mas qual o motivo de várias emissoras com 24 horas de programação esportiva exibirem conteúdo tão padronizado?

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Acompanhamos jornalistas exigindo seriedade dos dirigentes do futebol, ética dos jogadores, transparência e união dos clubes. E a realidade da grande imprensa esportiva atualmente é essa que eles exigem no futebol? Não. O que vemos são especulações de contratações, tentativas frustradas por um furo, gritaria sendo mais importante do que o senso crítico. Sem contar os jornalistas clubistas. São personagens caricatos com suas opiniões de torcedores, busca incessante por piadinhas e memes para provocar polêmicas.

Se a mídia esportiva alternativa deu a oportunidade para acompanharmos discussões e temas mais plurais com senso crítico, na TV aberta e fechada a opção é escolher entre o circo e as discussões que mais parecem um papo de pessoas em um bar após várias rodadas de cerveja. Como cobrar seriedade do nosso futebol se muitos que fazem a cobertura desse apaixonante esporte não são sérios em suas profissões?

A arbitragem do campeonato está ruim ou cometeu um erro? Opa! Oportunidade de audiência! Nesses momentos, em vez de discutirem melhorias ou analisarem os lances sem clubismos, alguns jornalistas da grande mídia esportiva preferem ficar no conforto das acusações de favorecimento a determinado time para inflar ainda mais a paixão dos torcedores. Ficam um bom tempo discutindo um lance que só é possível ter uma conclusão após a repetição do lance dezenas de vezes.

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“A arbitragem do campeonato está ruim ou cometeu um erro? Opa! Oportunidade de audiência!”

Treinador é demitido? Reclamam da falta de tempo para o treinador fazer seu trabalho, mas adoram criar dúvidas sobre a atuação de determinado técnico, mesmo que ele esteja pouco tempo em uma equipe. Questionam o comando de um treinador em relação a seu grupo, mesmo que não estejam no cotidiano da equipe. Insinuam que o time quer derrubar o técnico ou que o grupo está desunido – que pode até ser verdade – mas também pode ser falta de assunto e necessidade de criar polêmicas para ter o que falar no programa.

Tem entrevista de jogador ou técnico? É ridícula a atitude de alguns repórteres que tentam encontrar uma frase polêmica ou distorcer alguma fala, devido à necessidade de criar alguma discussão forçada e chata, além do desespero em ocupar o tempo dos vários programas de debate em um mesmo dia com os “mais variados assuntos”. Como a imprensa esportiva pode exigir ética dos clubes desse jeito?

As críticas não são para ofender todos os profissionais da comunicação esportiva. A ideia, aqui, é questionar algumas atitudes de certos jornalistas e empresas que trabalham na mídia esportiva. O jornalismo esportivo tradicional está perdendo o equilíbrio. Com o tempo, pode perder a credibilidade ou ser substituído por mídias alternativas.

É hora de a imprensa esportiva reconhecer seus erros para que não fiquem cobrando dos outros a seriedade e credibilidade que ela mesma vem se esquecendo de ter.

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Por Lucas Dorta. Jornalista formado pelas Faculdades Integradas de Jahu. E–mail: [email protected]

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As crianças e a saudade da escola

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Luciana Brites

Por conta da quarentena, os professores estão tentando criar aulas online criativas, divertidas e interativas para que as crianças menores sintam menos falta do ambiente escolar e da professora. Vale ressaltar que os menores devem demorar mais para voltar a ter aulas presenciais, porque eles têm dificuldade de manter os hábitos de higiene e principalmente o distanciamento necessário.

Vemos casos de alunos que pedem para as mães ligarem para as professoras ou até mesmo fazer videochamadas para que possam matar as saudades. Muitas crianças pequenas não se adaptaram as aulas online e com isso acabam ficando desanimados e sem vontade de fazer as tarefas. Essa falta de ânimo mostra como a interação do ambiente escolar é importante para as crianças.

O colégio é mais que um lugar para aprender as matérias e adquirir conhecimento. Para elas, é um local onde reforçam as relações, exercitam habilidades sociais e desenvolvimento cognitivo e emocional.

A rotina é algo que também aprendemos quando vamos à escola. O pequeno tem que se arrumar, tem o horário de chegar e sabe que aquele período e o ambiente são dedicados para aprender. Em casa, a criança perde esse hábito e acaba tentando chamar a atenção dos pais.

Para tentar diminuir a falta que eles sentem devemos tentar manter o relacionamento deles com os amigos mesmo que por videochamadas. Outra opção é brincar online com jogos como dama ou dominó, por exemplo, mas sempre com a supervisão de um adulto. As professoras podem tentar contar histórias em tempo real perguntando se eles estão entendendo ou pedindo para que ajudem a continuar a história.

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Os pais podem brincar de fantoche, jogos da memória e até mesmo da forca para estimular os pequenos em casa. É importante também que os filhos sejam incentivados a dizerem o que sentem e demonstrarem a saudade que sentem. Assim, aliviam o estresse e mostram os sentimentos para os educadores que também estão tendo que se adaptar ao novo modo de ensiná-los.

(*)CEO do Instituto NeuroSaber(www.neurosaber.com.br), Luciana Brites é autora de livros sobre educação e transtornos de aprendizagem, palestrante, especialista em Educação Especial na área de Deficiência Mental e Psicopedagogia Clínica e Institucional pela UniFil Londrina e em Psicomotricidade pelo Instituto Superior de Educação ISPE-GAE São Paulo, além de ser Mestranda em Distúrbios do Desenvolvimento pelo Mackenzie

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Falta de política ambiental piora a crise econômica

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Foto: Assessoria

As consequências ambientais e econômicas, de responsabilidade inconteste do governo federal, estão sobrecarregando a já sobrevivente economia brasileira. Estamos perdendo bilhões de reais em investimentos por desconsiderar a necessidade real da atividade econômica sustentável. A falta de uma política ambiental do atual governo abriu um fosso do qual está resistindo em sair, mesmo diante de todas as manifestações, em especial do setor privado. Sim, do dono do capital.

A política ideológica ambientalista retrógada iniciou com a desistência em sediar a conferência climática da ONU em 2019 e com a destituição de 21 superintendentes do Ibama, deixando alguns estados sem gestão por mais de um ano. Mas não parou por aí: a retirada de informações e mapas de áreas prioritárias para conservação da biodiversidade da internet, indo de encontro com a transparência dos atos públicos, além da inativação do Fundo Amazônia que reunia mais de R$ 1,5 bilhão em investimentos internacionais na conservação ambiental liderado pela Alemanha e Noruega.

Reflexos já são sentidos pelo setor madeireiro e mineral, quando tiveram suspensos o Sistema Nacional de Controle de Origem Florestal e a operação de todos os postos de compra de ouro, vinculados a Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, causando prejuízos em pelo menos 26 municípios  de cinco estados.

Recentemente, ex-titulares do Ministério da Fazenda e da Presidência do Banco Central se uniram para uma convergência econômica com foco na defesa do meio ambiente. Neste mesmo período, 38 grandes corporações e quatro entidades de classe empresariais manifestaram abertamente as consequências econômicas negativas da crise ambiental. Outra preocupação partiu de instituições financeiras internacionais que gerenciam mais de U$ 4,5 trilhões de dólares em ativos para investimentos, sobre a percepção negativa do mercado internacional e possíveis perdas de investimentos no país.

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A conta fica ainda pior: o Brasil corre o risco de perder mais de R$ 87 bilhões em investimento para desenvolvimentos sustentáveis que podem ser alavancados até 2035 em decorrência do acordo entre Mercosul e União Europeia. Isso porque o governo federal rompeu com as diretrizes ambientais e pactos internacionais sobre meio ambiente, comprometendo as relações comerciais entre os países signatários para o aumento de investimentos sustentáveis.

O acordo entre Mercosul e União Europeia, recém assinado, ainda precisa ser ratificado pelo bloco de países europeus  e cumprir contrapartidas previstas no acordo de Paris, que consigna ao Brasil medidas e resultados para reduzir o desmatamento ilegal a zero até 2035, e restaurar ou reflorestar 12 milhões de hectares de florestas até 2030. Ocorre que o desmatamento ilegal, em junho de 2020 na Amazônia Legal, cresceu pelo 14º mês consecutivo. E estamos apenas no 17º mês da atual política ambiental.

O Brasil tem assumida responsabilidade internacional para dar proteção ao meio ambiente, amparada pela Constituição, pela Política Nacional sobre Mudança do Clima, o Código Florestal e a Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, bem como as demais legislações relacionadas a preservação da biodiversidade.

A atual contrapartida governamental de criar uma moratória de queimadas por 120 dias, propondo diminuição gradativa, porém sem metas concretas, até 2022, atesta que não há um plano para combater o desmatamento, embora seja considerada “simples” pelo ministro do Meio Ambiente. A fantasiosa narrativa de que há uma conspiração geopolítica contra o desenvolvimento do Brasil é esquizofrenia ideológica que não resolve problemas, nem oferece solução para o desenvolvimento sustentável. E pode ter consequências econômicas negativas para todos nós.

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A sociedade está cada vez mais consciente da sua responsabilidade ambiental. O acesso à informação tem exposto cada vez mais os consumidores e as empresas a críticas, emparedando o fator lucro com a sustentabilidade. A conservação ambiental é condicionante universal para manutenção da vida e hoje consumidores consignam suas responsabilidades socioambientais aos produtos que consomem. E, neste caminho de união de interesses, o equilíbrio entre demanda e oferta pode acontecer enquanto preserva-se a vida.

*Alberto Scaloppe é advogado do escritório Scaloppe Advogados Associados

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Os desafios da volta às aulas presenciais

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Leonardo Chucrute

Em razão da pandemia da Covid-19, as aulas presenciais foram suspensas em todo o território brasileiro e o ensino remoto foi aderido em março. As escolas estão se preparando para retornar as aulas presenciais seguindo uma série de medidas de segurança para evitar que aumentem os casos de infectados e de transmissão dentro do ambiente escolar.

Vale lembrar que o retorno às atividades escolares será facultativo a alunos e pais que assim desejarem. Da mesma forma, professores e funcionários, terão a opção de escolha, e não poderão ser obrigados pelos patrões a voltar a trabalhar presencialmente se não se sentirem em condições.

Por isso, é fundamental pensar em todas as medidas necessárias para preservar a saúde dos alunos e colaboradores. Os profissionais das escolas precisam estar atentos às exigências governamentais do estado, mas também de outros estados. Por exemplo, será necessário limitar consideravelmente o número de alunos por sala, barrar a entrada de estudantes sem máscara e buscar orientar todos dos cuidados pessoais. Para esse momento, a conscientização é extremamente importante.

É preciso também compreender os pais que não se sentem prontos ainda para o retorno de seus filhos à escola. Por isso, as instituições devem respeitar a opinião deles, se colocar no lugar desses responsáveis e tomar medidas necessárias para que ninguém tenha sua educação prejudicada.

Mesmo que a escola assegure todas as medidas para que não haja contaminação, nem violação à saúde de ninguém, é essencial sempre apoiar alunos e pais procurando adaptar e fazer o melhor para todos.

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Portanto, que as escolas possam seguir as recomendações e protocolos para a volta de seus alunos prezando pela máxima segurança e bem estar de todos. Os tempos podem ser outros, mas o cuidado e carinho nunca mudam.

(*) Leonardo Chucrute é diretor-geral do Colégio e Curso Progressão, Professor de matemática, ex-cadete da AFA e Autor de livros didáticos

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