Mato Grosso
Defensoria Pública pede à SESP informações sobre medidas restritivas dentro da PCE
A Defensoria Pública de Mato Grosso protocolou documento na Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP), no fim da tarde de quarta-feira (14/8), solicitando informações oficiais sobre as medidas restritivas adotadas pelo Estado em relação aos presos da Penitenciária Central do Estado (PCE).
O documento foi formalizado após defensores públicos que atuam na área criminal e na execução penal serem procurados por parentes de presos, que expressaram preocupação com a integridade física dos detentos. O temor surgiu após divulgação, pela Imprensa, da suspensão de visitas, da retirada de ventilação mecânica e da suspensão do banho de sol.
Três defensores públicos estiveram na PCE no final da manhã de quarta-feira para verificar a situação. Após deixarem o local eles reuniram-se com a Comissão Permanente Especializada em Sistema Prisional da Defensoria Pública, para definir condutas. Após a reunião interna, tiveram reunião com Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF), composto por várias instituições, no Tribunal de Justiça.
“Fomos até a PCE e não identificamos nenhuma anormalidade em relação à integridade dos presos, até ontem. E, extraoficialmente, as informações divulgadas na imprensa procedem. O que pedimos agora é a comunicação oficial das medidas da SESP para então, podermos definir como será a nossa atuação”, explicou o coordenador do Núcleo de Execução Penal de Cuiabá (NEP), André Rossignolo.
O defensor lembra ainda que o papel da Defensoria Pública é garantir que nenhum direito, de quem está sob a guarda do Estado, seja violado. “A informação prévia que temos é que nosso atendimento e de advogados será irregular esta semana, voltando ao normal na próxima semana. E precisamos saber como isso ocorrerá, para que os direitos e a integridade dos presos sejam garantidos”, afirma.
Rossignolo informa que a Defensoria Pública já conversou sobre a necessidade de acompanhar a rotina interna dentro da PCE, durante esse período de exceção, com visitas ao menos duas vezes por semana. Nessas visitas os defensores pretendem verificar a situação dos presos e atender às demandas das famílias.
“Isso já acordamos e a própria SESP informou que prefere que estejamos próximos. Logo, as famílias que quiserem saber sobre seus parentes que estão na PCE, vamos tentar atender, na medida do possível. Por esse motivo, pedimos que nos procurem no NEP”, afirma o defensor.
A PCE tem capacidade para abrigar 850 pessoas, mas atualmente está superlotada com uma população carcerária de 2.450 presos. No documento, a Defensoria pede informações sobre o período de suspensão das visitas; quais providências estão sendo tomadas para garantir o atendimento jurídico dentro da unidade; se o fornecimento de água, energia, alimentação e itens de higiene estão regulares e se não, quais providências estão sendo tomadas.
Questionam ainda se existem reformas prediais em andamento, quais são e em que prazo serão concluídas; se presos estão tendo banho de sol e se existe um plano de ação para a operação da unidade, após as medidas que estão sendo adotadas ali, atualmente. O documento foi endereçado ao secretário de Estado da SESP, Alexandre Bustamante.
Os outros defensores públicos que estiveram na PCE foram José Carlos Evangelista, David Brandão. E no período da tarde, estiveram em reunião os integrantes da Comissão: o corregedor-geral, Márcio Dorilêo, a segunda subdefensora pública, Gisele Berna, os defensores Marcos Rondon Silva, José Carlos Evangelista, David Brandão, Caio Zumioti, André Rossignolo, Erinan Ferreira e o presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, Roberto Vaz Curvo.
Mato Grosso
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Mato Grosso
Municípios de MT debatem continuidade da regularização fundiária e seus impactos no desenvolvimento urbano
Encontro da Geogis reuniu equipes técnicas de consórcios intermunicipais para discutir a continuidade da Reurb

Representantes de 19 municípios mato-grossenses participaram, nesta quarta-feira (29.07), de uma capacitação voltada às Diretrizes para Continuidade da Política Municipal de Regularização Fundiária Urbana (Reurb). O encontro reuniu equipes técnicas dos consórcios Vale do Guaporé e CIDESARP (Consórcio Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico, Social, Ambiental e Turístico do Alto do Rio Paraguai) para discutir os desafios da etapa posterior à entrega dos títulos de propriedade e o fortalecimento das políticas públicas de regularização fundiária.
A capacitação foi conduzida pelo diretor jurídico da Geogis Geotecnologia, Robison Pazzeto, que destacou que a regularização fundiária não termina com a emissão do título do imóvel. Segundo ele, a continuidade das ações é fundamental para consolidar os resultados da política pública, garantindo que os núcleos urbanos regularizados sejam plenamente incorporados ao planejamento das cidades e que as famílias tenham assegurados todos os direitos decorrentes da titulação.
“O pós-Reurb é uma etapa decisiva. A regularização precisa continuar sendo acompanhada para que os municípios consigam integrar essas áreas ao ordenamento urbano, consolidar a segurança jurídica das famílias e ampliar os benefícios sociais, urbanísticos e econômicos gerados por esse processo”, afirmou Pazzeto.
Além de garantir segurança jurídica aos moradores, a Regularização Fundiária Urbana tem sido apontada como um instrumento capaz de reduzir desigualdades e impulsionar o desenvolvimento local.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que entre 30% e 50% dos imóveis brasileiros ainda apresentem algum tipo de irregularidade documental. O levantamento aponta que um amplo processo de regularização pode gerar impacto superior a R$ 202 bilhões em valorização imobiliária no país.
Com a documentação em dia, os proprietários passam a ter acesso a linhas de crédito, podem utilizar o imóvel como garantia, realizar financiamentos, comercializar o bem legalmente e investir na melhoria das residências.
Os benefícios também alcançam as administrações municipais. A atualização cadastral decorrente da Reurb melhora a gestão territorial, amplia a base tributária, fortalece a arrecadação de impostos como IPTU e ITBI sem aumento de alíquotas e oferece informações mais precisas para o planejamento urbano e a expansão de serviços públicos, como infraestrutura, pavimentação, saneamento e iluminação.
Para os participantes, a capacitação teve aplicação prática na realidade dos municípios. Representando o município de Comodoro, Diego Garcia afirmou que o treinamento trouxe mais segurança técnica para dar continuidade aos projetos em andamento.
“Foi uma oportunidade importante para aprofundarmos o conhecimento sobre a Reurb e esclarecer dúvidas que surgem no dia a dia. Voltamos mais preparados para dar continuidade aos processos já iniciados e conduzir futuras regularizações com mais segurança jurídica, beneficiando diretamente as famílias que aguardam pela documentação definitiva de seus imóveis”, afirmou Garcia.
Outro participante destacou que o conhecimento adquirido contribuirá para enfrentar um problema comum em diversos municípios: a existência de imóveis sem documentação regular.
“Compreender melhor a legislação e os procedimentos da Reurb nos dá condições de organizar o cadastro imobiliário do município, facilitar o acesso da população às informações sobre seus imóveis e tornar o trabalho dos servidores mais eficiente e seguro. Quem ganha com isso é toda a cidade”, relatou Jorge Luís Ferreira dos Santos, representante de Nortelândia.
A Lei Federal nº 13.465/2017, que instituiu novos instrumentos para a Regularização Fundiária Urbana, ampliou as possibilidades de incorporação de núcleos urbanos informais ao ordenamento territorial e permitiu acelerar a titulação definitiva de milhares de famílias em todo o país.
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